Hospital passará a priorizar casos de urgência e emergência devido à escassez de materiais e insumos médicos; pacientes poderão ser encaminhados para outras unidades de saúde.
A Santa Casa de Campo Grande anunciou nesta quinta-feira (15) que passará a restringir os atendimentos hospitalares a partir de sexta-feira, 16 de outubro. A decisão foi tomada diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição e da falta de materiais e insumos necessários para manter o funcionamento de todos os serviços.
Com a mudança, o hospital deverá priorizar pacientes em situações de urgência e emergência, enquanto os casos de menor gravidade poderão ser direcionados para outras unidades da rede pública de saúde.
A medida foi apresentada durante coletiva de imprensa realizada pela direção da instituição e deverá ser comunicada oficialmente à Justiça, ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul e às secretarias municipal e estadual de Saúde.
Campo Grande News
Hospital recebe cerca de 110 pacientes por dia
Segundo a diretora técnica da Santa Casa, Patrícia Berg, o hospital recebe aproximadamente 110 pacientes diariamente.
Desse total, apenas 20% a 25% são classificados como casos urgentes, o que significa que a maior parte dos atendimentos poderá ser direcionada a outros serviços da rede de saúde.
A reorganização pretende concentrar os recursos disponíveis nos pacientes que necessitam de assistência hospitalar imediata e especializada.
O superintendente da instituição, Luiz Alberto Hiroki Kanamura, explicou que as equipes estão avaliando os setores que poderão sofrer restrições e quais atendimentos poderão ser realizados em outros hospitais.
Pacientes internados também poderão ser transferidos
A mudança poderá atingir pacientes que já estão internados na Santa Casa.
De acordo com a administração, pessoas que apresentarem condições clínicas adequadas para continuar o tratamento em outras unidades poderão ter a transferência solicitada.
Entretanto, a direção ressaltou que a solicitação não significa que todos esses pacientes serão transferidos.
Cada situação deverá ser avaliada conforme a necessidade de atendimento e a disponibilidade de serviços na rede hospitalar.
Até o momento, a instituição não informou quantos pacientes poderão ser diretamente afetados pelas medidas.
Falta de materiais e dificuldades financeiras motivaram decisão
A Santa Casa enfrenta problemas financeiros que comprometem a manutenção dos atendimentos.
Entre as dificuldades relatadas pela direção estão a falta de materiais médicos, órteses, próteses e outros insumos necessários para procedimentos hospitalares.
A instituição informou que a proposta mais recente de repasse financeiro, no valor de aproximadamente R$ 37,4 milhões, não seria suficiente para atender às necessidades da unidade.
Diante desse cenário, a administração decidiu adotar medidas para preservar os recursos disponíveis e manter a assistência aos pacientes em situações mais graves.
O que muda para a população?
Com a restrição, a Santa Casa deverá concentrar os atendimentos em urgências e emergências a partir de sexta-feira.
Pacientes com problemas de menor complexidade poderão ser encaminhados para outras unidades da rede pública, conforme avaliação e orientação dos serviços de saúde.
É importante que a população procure a unidade adequada para cada situação, evitando deslocamentos desnecessários e contribuindo para a organização dos atendimentos.
Em casos de emergência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, continua sendo uma referência para solicitar socorro e receber orientação sobre o atendimento necessário.
Medida será mantida enquanto hospital busca solução
A administração da Santa Casa informou que a restrição faz parte das medidas emergenciais adotadas para enfrentar a atual crise financeira.
A direção também deverá manter o diálogo com os órgãos responsáveis pela saúde pública e com a Justiça para buscar alternativas que garantam a continuidade dos serviços.
A Santa Casa é uma das principais referências hospitalares de Mato Grosso do Sul, responsável por atendimentos especializados e assistência a pacientes encaminhados de diferentes municípios.
A situação exige atenção das autoridades de saúde, especialmente para garantir que pacientes que necessitam de cuidados médicos não fiquem sem atendimento durante a reorganização dos serviços.