A Rota Bioceânica começa a provocar mudanças que vão muito além da construção de estradas e pontes. O corredor que conectará o Brasil aos portos do Oceano Pacífico, passando por Paraguai, Argentina e Chile, coloca Mato Grosso do Sul em uma posição estratégica no comércio internacional e amplia as perspectivas para novos negócios, investimentos e oportunidades profissionais.
Nesta semana, o assunto está no centro das discussões em Campo Grande. Entre os dias 6 e 8 de outubro, a Capital recebe o III Simpósio Internacional sobre Rotas de Integração Sul-Americana, coordenado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
O encontro reúne pesquisadores, especialistas, representantes do poder público, instituições e setor produtivo para discutir temas como infraestrutura, logística, comércio, aduanas, sustentabilidade, segurança, saúde nas fronteiras, trabalho e cooperação internacional.
Mas, para quem vive em Mato Grosso do Sul, uma das principais questões é entender como essa transformação poderá chegar ao mercado de trabalho e quais profissionais poderão ser mais procurados nos próximos anos.
O impacto vai além do transporte de cargas
Quando se fala em Rota Bioceânica, é comum pensar imediatamente em caminhões, estradas e transporte de mercadorias. O impacto econômico, porém, tende a alcançar uma cadeia muito maior de atividades.
Com o avanço da integração internacional, áreas como logística, comércio exterior, engenharia, tecnologia, gestão, turismo, hotelaria e serviços podem ganhar espaço.
A expansão da circulação de mercadorias também exige profissionais responsáveis por armazenagem, distribuição, gestão de frotas, planejamento de rotas, segurança das cargas e gerenciamento de riscos.
Comércio exterior ganha importância
Entre as áreas diretamente ligadas ao corredor está o comércio exterior.
A movimentação de produtos entre diferentes países envolve documentação, legislação, tributação, procedimentos aduaneiros, importação, exportação e negociação internacional.
A necessidade de preparar profissionais para essa nova realidade já começa a aparecer em Mato Grosso do Sul. O Governo do Estado, em parceria com instituições de ensino, vem desenvolvendo iniciativas de capacitação relacionadas ao comércio exterior e às oportunidades geradas pela Rota Bioceânica.
Para jovens que ainda estão escolhendo uma profissão, cursos ligados a Comércio Exterior, Relações Internacionais, Administração e Logística podem ganhar ainda mais relevância com a consolidação do corredor.
Engenharia e construção também devem sentir os efeitos
A infraestrutura necessária para colocar a Rota em funcionamento envolve muito mais do que as rodovias.
Pontes, acessos, áreas alfandegárias, terminais, armazéns, centros logísticos e a expansão da infraestrutura urbana podem ampliar a demanda por engenheiros, arquitetos, técnicos, profissionais de planejamento e trabalhadores da construção civil.
Porto Murtinho ocupa posição estratégica nesse processo por ser o ponto brasileiro de conexão com o Paraguai através da ponte internacional sobre o Rio Paraguai.
O município também vem se preparando para uma nova realidade de circulação de veículos, cargas, empresas e pessoas, o que exige planejamento urbano e novos investimentos.
Tecnologia será fundamental
A tecnologia é outra área que pode encontrar oportunidades com a expansão do corredor.
Uma operação logística internacional depende cada vez mais de sistemas de rastreamento, integração de dados, automação, monitoramento de cargas, segurança digital e plataformas de gestão.
Esse cenário pode aumentar a demanda por profissionais de Tecnologia da Informação, análise de dados, desenvolvimento de sistemas e segurança digital, além de criar espaço para startups e empresas de tecnologia voltadas ao setor logístico.
Turismo também entra nessa transformação
A Rota Bioceânica não será utilizada apenas para o transporte de mercadorias.
A ligação terrestre entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile também pode estimular a circulação de turistas e criar novos roteiros internacionais.
Para Mato Grosso do Sul, essa movimentação pode fortalecer destinos já conhecidos, como Pantanal e Bonito, além de criar oportunidades para municípios localizados ao longo do corredor.
Nesse cenário, setores como hotelaria, gastronomia, transporte de passageiros, agências de turismo, eventos, comércio e serviços podem ser beneficiados.
Espanhol pode se tornar um diferencial ainda maior
A integração com Paraguai, Argentina e Chile também chama atenção para uma habilidade que pode ganhar cada vez mais importância no mercado de trabalho sul-mato-grossense: o domínio do espanhol.
Profissionais que atuam com logística, comércio exterior, turismo, vendas, negociação e atendimento poderão ter contato mais frequente com empresas e trabalhadores dos países vizinhos.
Além da formação técnica, conhecer o idioma e compreender diferenças culturais e comerciais pode representar uma vantagem competitiva.
Campo Grande também pode ganhar espaço
Embora Porto Murtinho esteja diretamente ligada à passagem internacional da Rota, Campo Grande também pode sentir os efeitos econômicos do corredor.
Por sua estrutura e localização, a Capital tem potencial para ampliar sua participação como centro de serviços, gestão, distribuição e apoio às empresas ligadas ao comércio internacional.
Centros de distribuição, transportadoras, empresas de tecnologia, escritórios especializados, operadores logísticos e negócios ligados ao comércio exterior estão entre as atividades que podem encontrar novas possibilidades com o crescimento da movimentação internacional.
Novos negócios podem surgir ao redor da Rota
Os impactos também podem alcançar pequenos e médios empresários.
O aumento da circulação de caminhões, trabalhadores, turistas e empresas pode gerar demanda por restaurantes, hotéis, oficinas, postos de combustíveis, mercados, transportadoras, serviços de manutenção, estacionamentos, tecnologia e diferentes tipos de comércio.
Isso significa que os efeitos da Rota Bioceânica podem aparecer tanto em grandes investimentos quanto em negócios locais.
Preparação será fundamental
Apesar das perspectivas positivas, a Rota Bioceânica não significa que milhares de empregos serão criados automaticamente.
A geração efetiva de oportunidades dependerá da conclusão da infraestrutura, da chegada de investimentos, da instalação de novas empresas e da capacidade dos municípios de acompanhar o crescimento econômico.
Também será necessário investir em qualificação profissional.
Para estudantes e trabalhadores, acompanhar essa transformação desde agora pode ajudar na escolha de cursos, especializações e áreas profissionais com possibilidade de expansão.
Logística, comércio exterior, engenharia, tecnologia, idiomas, turismo, administração e gestão estão entre os setores que merecem atenção.
Mais do que uma nova ligação rodoviária para o transporte de mercadorias, a Rota Bioceânica pode representar uma mudança na posição econômica de Mato Grosso do Sul e aproximar empresas e profissionais do Estado de um mercado internacional que ultrapassa as fronteiras brasileiras.
Referências: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc); Governo de Mato Grosso do Sul; Prefeitura de Porto Murtinho; Prefeitura de Campo Grande; Rota Bioceânica News.