Isolamento, alterações no sono, queda no rendimento escolar e receio de acessar aplicativos estão entre os comportamentos que merecem atenção de pais e responsáveis
A presença de crianças e adolescentes no ambiente digital faz parte da rotina de muitas famílias. Redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos e plataformas de vídeo oferecem entretenimento e interação, mas também podem expor os mais jovens a situações de risco.
Cyberbullying, assédio, aliciamento, exploração sexual, ameaças e contato com conteúdos inadequados estão entre as formas de violência que podem ocorrer pela internet.
Um alerta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania chama a atenção para mudanças de comportamento que podem ajudar pais e responsáveis a perceber que algo não vai bem.
Entre os sinais que merecem atenção estão isolamento repentino, alterações no sono, queda no rendimento escolar, medo ou resistência em utilizar determinado aplicativo ou dispositivo e preocupação excessiva com mensagens ou contatos recebidos pela internet.
Esses comportamentos, porém, não significam necessariamente que a criança ou o adolescente esteja sofrendo violência digital. Eles funcionam como sinais de atenção e podem indicar a necessidade de uma conversa mais cuidadosa.
Conversar é um dos primeiros passos
Ao perceber uma mudança significativa, a orientação é estabelecer um diálogo aberto e evitar julgamentos.
A criança ou adolescente precisa encontrar um ambiente seguro para contar o que aconteceu. Reações muito duras ou ameaças de retirar imediatamente o celular podem dificultar a conversa e fazer com que a vítima tenha receio de pedir ajuda.
Pais e responsáveis também podem conversar sobre os contatos mantidos pela internet, revisar configurações de privacidade e utilizar ferramentas de supervisão parental adequadas à idade.
Outro cuidado importante é orientar crianças e adolescentes a não compartilharem senhas, códigos de acesso, dados pessoais ou imagens íntimas.
Atenção aos riscos na internet
A violência digital pode assumir diferentes formas. Cyberbullying, por exemplo, envolve intimidação, humilhação ou violência psicológica praticada por meios digitais.
Também existem situações mais graves, como ameaças, chantagem, aliciamento de menores, exploração sexual e divulgação de imagens íntimas.
Quando houver suspeita de uma situação desse tipo, é importante preservar informações que possam auxiliar na apuração, como links, nomes de perfis, datas, horários e registros das interações.
Conteúdos ilícitos ou imagens íntimas envolvendo menores não devem ser compartilhados ou redistribuídos.
ECA Digital amplia proteção
Desde março de 2026 está em vigor o chamado ECA Digital, que estabelece novas regras de proteção para crianças e adolescentes no ambiente online.
A legislação alcança redes sociais, jogos eletrônicos, aplicativos, plataformas de vídeo, lojas de aplicativos e outros serviços digitais.
Entre as medidas previstas estão ferramentas de supervisão parental, mecanismos de aferição de idade e configurações de privacidade mais protetivas para o público infantojuvenil.
Onde procurar ajuda?
Situações de ameaça ou violação de direitos podem ser levadas ao Conselho Tutelar. Quando houver indícios de crime, também podem ser acionadas a Polícia Civil e delegacias especializadas.
Outra opção é o Disque Direitos Humanos – Disque 100, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. A denúncia pode ser feita pela própria vítima ou por qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma possível violação.
Também é possível denunciar diretamente nas plataformas digitais conteúdos, mensagens ou perfis que violem direitos.
Em situações de risco imediato ou crime em andamento, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
Mais do que vigiar o uso do celular, especialistas e órgãos de proteção destacam a importância de criar uma relação de confiança. A criança ou adolescente precisa saber que pode procurar um adulto quando algo desconfortável, ameaçador ou inadequado acontecer na internet.
Fontes: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Agência Gov e SaferNet Brasil.