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Rota Bioceânica avança e coloca Mato Grosso do Sul no caminho de novas oportunidades internacionais

O projeto contempla 13,1 quilômetros de rodovia entre a BR-267 e a ponte internacional, além da construção de seis pontes e um viaduto

Ponte internacional entre Porto Murtinho e o Paraguai está na fase final, enquanto acesso brasileiro tem apenas 40% de execução. Projeto estratégico promete transformar a logística, impulsionar exportações e atrair investimentos para Mato Grosso do Sul.

A Rota Bioceânica, um dos maiores projetos de integração logística da América do Sul, avança em Mato Grosso do Sul e se aproxima de uma etapa decisiva. A construção da ponte internacional entre Porto Murtinho, no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai, está na fase final. Entretanto, os atrasos na implantação dos acessos rodoviários e a necessidade de concluir a estrutura de fiscalização na fronteira podem adiar o início da operação comercial plena para 2028.

A estimativa foi apresentada pela Receita Federal em setembro deste ano e voltou ao centro das discussões após a divulgação de novos dados sobre o andamento das obras brasileiras. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), apenas 40% dos serviços de implantação do acesso à ponte haviam sido executados até 29 de outubro.

O empreendimento integra um corredor internacional que pretende conectar o Brasil aos portos do Oceano Pacífico, atravessando Paraguai, Argentina e Chile. A expectativa é criar uma alternativa para o transporte de mercadorias, reduzir custos logísticos em determinadas operações e ampliar as possibilidades de comércio com países asiáticos.

Acesso brasileiro registra atraso e exige novos investimentos

As obras do acesso rodoviário brasileiro começaram em setembro de 2024, com previsão inicial de conclusão em aproximadamente dois anos. No entanto, o cronograma foi alterado, e a expectativa atual do DNIT é finalizar os trabalhos até o fim de 2027.

O projeto contempla 13,1 quilômetros de rodovia entre a BR-267 e a ponte internacional, além da construção de seis pontes e um viaduto.

De acordo com informações divulgadas pelo DNIT, as chuvas intensas prejudicaram determinadas etapas da execução. Até o último levantamento, haviam sido realizados serviços de terraplenagem em 10,1 quilômetros, enquanto as obras de drenagem, galerias e passagens de fauna apresentavam aproximadamente 97% de conclusão.

As sete estruturas especiais previstas no empreendimento, incluindo pontes e viaduto, permaneciam em execução.

O investimento informado para o empreendimento chegou a aproximadamente R$ 499,9 milhões, após suplementação orçamentária. A conclusão da infraestrutura é considerada indispensável para permitir o tráfego regular de veículos e caminhões entre os dois países.

Tribunal de Contas aponta necessidade de R$ 279 milhões

A situação financeira da obra também ganhou destaque nacional. Em outubro, o Tribunal de Contas da União (TCU) incluiu o acesso à Ponte Bioceânica entre dez empreendimentos rodoviários considerados prioritários para 2027.

Segundo o levantamento Fiscobras 2026, são necessários aproximadamente R$ 279,1 milhões para a conclusão do acesso brasileiro.

A inclusão na lista de prioridades, entretanto, não significa a liberação automática dos recursos. A destinação orçamentária depende de decisões do Congresso Nacional e dos procedimentos administrativos correspondentes.

A avaliação do TCU reforça a importância de garantir continuidade financeira à construção, evitando novos atrasos e possíveis aumentos de custos.

Ponte internacional entra na fase final de construção

Enquanto o acesso brasileiro enfrenta dificuldades, a ponte internacional apresenta estágio mais avançado.

Com 1.294 metros de extensão, a estrutura atravessa o Rio Paraguai e estabelece a ligação física entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta.

Um dos momentos mais importantes da construção ocorreu em 15 de julho de 2026, quando as duas extremidades da ponte foram unidas, concluindo a conexão estrutural entre os países.

Desde então, os trabalhos estão concentrados na regulagem dos cabos de sustentação, instalação de equipamentos de segurança, acabamentos, iluminação e preparação das pistas.

O investimento na ponte é estimado em aproximadamente US$ 103 milhões, financiados com recursos da margem paraguaia da Itaipu Binacional.

A previsão divulgada em outubro apontava para a conclusão até o final de novembro de 2026, embora a data ainda dependa do encerramento dos serviços e das verificações técnicas necessárias.

Aduana integrada será fundamental para o funcionamento da rota

Além das rodovias e da ponte, outro desafio é a implantação do Centro Integrado de Controle de Fronteira, que será construído em território brasileiro, em Porto Murtinho.

A estrutura deverá reunir serviços de fiscalização aduaneira, migratória, sanitária e de segurança dos dois países.

O objetivo é permitir que os procedimentos sejam realizados de maneira coordenada, reduzindo etapas burocráticas e facilitando o transporte internacional de mercadorias e passageiros.

O DNIT assumiu a elaboração do projeto arquitetônico do complexo, incluindo as instalações destinadas às autoridades paraguaias. Equipes técnicas dos dois países trabalham nas adequações necessárias para atender às exigências operacionais.

Segundo o Governo de Mato Grosso do Sul, o Paraguai mantém a expectativa de liberar seu acesso rodoviário em fevereiro de 2027, enquanto o lado brasileiro trabalha com conclusão prevista para o final do mesmo ano.

A implantação da aduana integrada será determinante para que a nova conexão internacional funcione de forma regular e eficiente.

Mato Grosso do Sul poderá se tornar um importante centro logístico

A conclusão da Rota Bioceânica poderá representar uma mudança significativa na posição de Mato Grosso do Sul no comércio internacional.

Atualmente, parte importante da produção brasileira destinada ao exterior utiliza portos do Oceano Atlântico. Com o novo corredor, empresas poderão avaliar rotas alternativas para acessar os terminais portuários do Chile, especialmente nas operações comerciais com países da Ásia.

O potencial de redução de distâncias e custos dependerá da origem e do destino das mercadorias, das condições das rodovias, das tarifas e da eficiência dos procedimentos nas fronteiras.

Para Mato Grosso do Sul, os setores do agronegócio, indústria, transporte e armazenagem estão entre os que poderão encontrar novas oportunidades.

A região de Porto Murtinho tende a ganhar relevância como ponto de passagem internacional, enquanto Campo Grande poderá ampliar sua participação em atividades de distribuição, prestação de serviços e organização logística.

O desenvolvimento do corredor também poderá estimular investimentos privados em centros de distribuição, transportadoras, estruturas de armazenagem, hotéis e estabelecimentos comerciais.

Entretanto, a concretização desses benefícios dependerá da infraestrutura disponível, da segurança nas estradas e da capacidade de integração econômica entre os países envolvidos.

Turismo e desenvolvimento regional também entram no planejamento

Os efeitos da Rota Bioceânica não deverão ficar restritos ao transporte de cargas.

A ligação terrestre entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile também poderá estimular o turismo internacional, favorecendo a circulação de visitantes e a criação de novos roteiros.

Mato Grosso do Sul possui destinos consolidados, como Bonito e o Pantanal, que poderão ampliar sua conexão com mercados turísticos dos países vizinhos.

Para aproveitar essas oportunidades, será necessário investir em sinalização, segurança viária, serviços de apoio aos viajantes e qualificação da infraestrutura turística.

Municípios situados ao longo do corredor também poderão se beneficiar da expansão do comércio e da circulação de pessoas, desde que sejam adotadas políticas de desenvolvimento regional capazes de distribuir os ganhos econômicos.

Integração internacional será tema de encontro no Chile

A articulação entre os países continuará nas próximas semanas.

Entre os dias 24 e 26 de novembro de 2026, está prevista a realização do VIII Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio, nas cidades de Antofagasta e Mejillones, no Chile.

O encontro reunirá representantes dos países participantes para discutir infraestrutura, integração comercial, desenvolvimento econômico e estratégias de cooperação.

A programação deverá incluir discussões sobre o Plano Diretor de Integração e Desenvolvimento do Corredor Bioceânico de Capricórnio, elaborado com apoio técnico do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A iniciativa busca fortalecer a coordenação entre os territórios envolvidos e preparar a região para as oportunidades e os desafios decorrentes da implantação do corredor.

Expectativa econômica depende da conclusão das obras

Apesar dos atrasos, a Rota Bioceânica permanece entre os projetos de infraestrutura mais estratégicos para Mato Grosso do Sul.

A ponte internacional representa um avanço concreto na integração física entre Brasil e Paraguai. No entanto, sua conclusão, isoladamente, não será suficiente para garantir o funcionamento pleno do corredor.

A finalização dos acessos rodoviários, a implantação da aduana integrada e a organização dos procedimentos de fiscalização serão etapas essenciais para transformar a estrutura em uma alternativa efetiva de transporte internacional.

Com a possibilidade de início da operação comercial plena apenas em 2028, o desafio será assegurar investimentos, cumprir os novos cronogramas e fortalecer a cooperação entre os quatro países.

Para Mato Grosso do Sul, o projeto representa uma oportunidade de ampliar sua presença no comércio exterior e consolidar uma nova posição estratégica na logística sul-americana.

O resultado dependerá não apenas da entrega das obras, mas da capacidade de transformar a integração territorial em desenvolvimento econômico, geração de empregos e oportunidades para a população.

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