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Mulheres batem recorde entre novos CEOs, mas homens ainda dominam o topo das empresas

Participação feminina nas novas nomeações chegou ao maior nível em nove anos, mas elas ocuparam apenas 16% das vagas de CEO analisadas no primeiro semestre de 2026; no Brasil, presença feminina no comando das empresas é de apenas 5,2%

Participação feminina nas novas nomeações chegou ao maior nível em nove anos, mas elas ocuparam apenas 16% das vagas de CEO analisadas no primeiro semestre de 2026; no Brasil, presença feminina no comando das empresas é de apenas 5,2%

As mulheres conquistaram um espaço recorde entre as novas nomeações para cargos de CEO em grandes empresas de capital aberto no primeiro semestre de 2026. O avanço, no entanto, ainda está longe de representar igualdade no topo do mundo corporativo.

Levantamento da consultoria global Russell Reynolds Associates mostra que, entre 130 novos CEOs nomeados no primeiro semestre deste ano, apenas 21 eram mulheres. Elas representaram 16% das nomeações — o maior percentual registrado desde que a consultoria começou a acompanhar esses dados, há nove anos.

O número praticamente dobrou em relação ao mesmo período de 2025, quando a participação feminina ficou em 8,7%.

O recorde, portanto, representa um avanço, mas também revela o tamanho da distância que ainda existe: 84% das novas posições de CEO analisadas no período foram ocupadas por homens.

Recorde ainda está longe da igualdade

Os resultados variam bastante entre os países e mercados analisados.

Na Austrália, mulheres representaram 43% das novas nomeações no índice ASX 200. Entre as empresas do Euronext 100, índice que reúne grandes companhias europeias, elas chegaram a 44%.

Nos Estados Unidos, porém, a situação foi diferente. Entre as empresas do S&P 500, apenas três das 32 novas nomeações para CEO no primeiro semestre foram de mulheres — cerca de 9%.

Os números mostram que o avanço registrado globalmente não acontece na mesma velocidade em todos os mercados.

Entre as maiores empresas do mundo, elas são menos de 7%

Outro dado ajuda a dimensionar a diferença.

Na edição de 2026 da Fortune Global 500, que reúne 500 das maiores empresas do mundo em faturamento, somente 34 são comandadas por mulheres.

Isso representa 6,8% das companhias.

Apesar de ser o maior número de mulheres CEOs já registrado na história da lista, mais de 93% das maiores empresas globais continuam sendo comandadas por homens.

Nos Estados Unidos, a presença feminina é um pouco maior. A Fortune 500 de 2026 contabilizou 55 mulheres entre os CEOs das 500 maiores empresas norte-americanas, o equivalente a 11%.

Também é um recorde histórico, mas significa que quase nove em cada dez dessas grandes companhias ainda têm um homem no principal cargo executivo.

No Brasil, mulheres ocupam apenas 5,2% dos cargos de CEO

O cenário brasileiro apresenta uma diferença ainda maior.

Levantamento do Evermonte Institute analisou dados de 2.153 empresas brasileiras e identificou apenas 112 comandadas por mulheres.

Isso significa que somente 5,2% dos cargos de CEO entre as empresas pesquisadas são ocupados por lideranças femininas.

O estudo também identificou diferenças no caminho percorrido até o cargo mais alto.

As mulheres CEOs analisadas possuem, em média, quase três MBAs ou pós-graduações, enquanto os homens na mesma posição têm pouco mais de uma formação equivalente.

Elas também passaram, em média, por cinco empresas durante a trajetória profissional — uma a mais do que os executivos homens.

Segundo o levantamento, um dos principais gargalos aparece justamente na passagem dos cargos de gerência para posições de diretoria, etapa considerada decisiva para que profissionais possam futuramente chegar à presidência de uma companhia.

Avanço existe, mas caminho ainda é longo

Os diferentes levantamentos apontam para uma conclusão semelhante: mais mulheres estão chegando ao comando das empresas, mas elas continuam sendo minoria expressiva nas posições de maior poder corporativo.

O recorde de 16% entre as novas nomeações observado pela Russell Reynolds mostra uma aceleração em 2026. Ainda assim, quando o olhar se amplia para quem efetivamente ocupa as cadeiras de CEO, a diferença permanece significativa.

No Brasil, são pouco mais de cinco mulheres a cada 100 CEOs nas empresas analisadas. Entre as 500 maiores companhias do mundo, são menos de sete a cada 100.

Assim, os recordes registrados em 2026 representam uma mudança na direção da maior participação feminina, mas os próprios números mostram que recorde de presença não é sinônimo de igualdade no mercado de trabalho.

Fontes: Russell Reynolds Associates – Global CEO Turnover Index 2026; Fortune 500 e Fortune Global 500; Evermonte Institute; Forbes Brasil.

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