Mato Grosso do Sul deu um passo decisivo para frear o avanço da Chikungunya com o início da vacinação em Itaporã, a 220 quilômetros da Capital. O município tornou-se o pioneiro no estado ao aplicar as primeiras doses na última sexta-feira (18), após receber um lote de 3 mil unidades. A meta das autoridades locais é imunizar 21,2% do público-alvo, focando inicialmente em adultos de 18 a 59 anos sem comorbidades, em uma tentativa de conter a escalada da enfermidade na região.
A urgência da imunização é justificada por números alarmantes: em 2026, MS já registrou 12 mortes por Chikungunya, o que representa 63% de todos os óbitos pela doença no Brasil. Com mais de 6 mil casos prováveis este ano, o estado vive uma epidemia severa. O cenário é agravado pelo fato de que 67% dos municípios sul-mato-grossenses estão em nível de alerta para a infestação do mosquito Aedes aegypti, vetor que também transmite Dengue e Zika.
Ao todo, Mato Grosso do Sul recebeu uma remessa inicial de 20 mil doses, de um total de 46,5 mil previstas pelo Ministério da Saúde. A estratégia da Secretaria de Estado de Saúde (SES) prioriza as cidades de Dourados e Itaporã para esta fase piloto. “A divisão considerou o público apto a participar da estratégia-piloto de vacinação”, informou a SES, destacando que o envio das doses ocorre de forma fracionada para garantir a conservação adequada na rede de frio estadual.
Diferente de outros imunizantes, a vacina contra a Chikungunya é aplicada em dose única, facilitando a adesão da população. Em MS, além do público geral na faixa etária estipulada, a estratégia contempla prioritariamente profissionais de saúde e a população indígena, grupo que tem sido severamente impactado pela atual epidemia. A expectativa é que, com o avanço da vacinação nestes polos, a taxa de transmissão e, principalmente, a letalidade da doença apresentem queda nos próximos meses.
Por se tratar de uma vacina de vírus vivo atenuado, as autoridades de saúde reforçam os critérios de restrição. O imunizante é contraindicado para gestantes, puérperas, pessoas imunocomprometidas ou com doenças crônicas descompensadas. Aqueles que possuem histórico de reações alérgicas graves a componentes da fórmula também não devem ser vacinados. “A recomendação é que o cidadão procure a unidade de saúde levando seu documento e cartão de vacina para avaliação técnica”, orientam os profissionais da linha de frente.
A chegada da vacina em Mato Grosso do Sul coloca o estado na vanguarda do combate às arboviroses no país. Enquanto Itaporã avança com a aplicação, a SES monitora a distribuição para o Núcleo Regional de Dourados, que recebeu 7 mil doses. O sucesso desta etapa em solo sul-mato-grossense servirá de base para a expansão da vacinação em nível nacional, consolidando MS como um laboratório estratégico para o controle de crises sanitárias provocadas pelo mosquito.