A indústria brasileira recebeu R$ 755,2 bilhões em crédito para financiar aproximadamente 610 mil projetos entre 2023 e junho de 2026. Os dados foram divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio da sétima edição do Radar da Indústria, e revelam a ampliação dos recursos destinados à modernização do setor produtivo nacional.
O levantamento reúne informações sobre programas de financiamento voltados ao aumento da produtividade, desenvolvimento tecnológico, inovação, sustentabilidade e fortalecimento da competitividade das empresas brasileiras.
Entre os principais instrumentos está o Plano Mais Produção (P+P), que integra a política industrial Nova Indústria Brasil (NIB), criada para estimular o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.
O volume anual de crédito aprovado pelo programa passou de R$ 155 bilhões, em 2023, para R$ 225,1 bilhões, em 2025, representando crescimento nominal de aproximadamente 45%.
Produtividade concentra maior parte dos recursos
De acordo com a CNI, a maior parcela dos financiamentos foi destinada a projetos que buscam melhorar a produtividade e modernizar os processos industriais.
A distribuição dos recursos do Plano Mais Produção contempla diferentes áreas estratégicas:
- R$ 507,7 bilhões: aumento da produtividade industrial;
- R$ 82,5 bilhões: inovação e desenvolvimento tecnológico;
- R$ 53,5 bilhões: projetos relacionados à economia verde;
- R$ 51,2 bilhões: fortalecimento das exportações.
Os investimentos buscam ampliar a capacidade produtiva das empresas, estimular a incorporação de novas tecnologias e melhorar as condições de competitividade da indústria brasileira.
Transformação digital ganha espaço na indústria
A digitalização dos processos industriais é uma das prioridades da política de desenvolvimento produtivo.
Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil mostram que, em 2021, apenas 23,5% das empresas industriais brasileiras eram consideradas digitalizadas. A meta nacional é elevar esse percentual para 50% até 2034.
Para enfrentar esse desafio, o Plano Mais Produção aprovou R$ 119,8 bilhões em financiamentos destinados a 57 mil projetos relacionados à transformação digital.
Os recursos contemplam iniciativas voltadas à modernização de processos, incorporação de tecnologias e desenvolvimento de capacidades produtivas.
Outro destaque é o programa Brasil Mais Produtivo, que já atendeu mais de 20 mil micro, pequenas e médias indústrias em ações de melhoria de processos e preparação para a digitalização.
Sustentabilidade também recebe investimentos
A transformação ecológica ganhou espaço entre as iniciativas de financiamento industrial.
Até junho de 2026, foram mobilizados R$ 73,8 bilhões para aproximadamente 26 mil projetos relacionados à descarbonização, bioeconomia, transição energética e desenvolvimento de soluções sustentáveis.
Outro instrumento importante é o Fundo Clima, que disponibilizou R$ 11,7 bilhões para a indústria entre 2023 e setembro de 2026.
Desse total, R$ 8,1 bilhões foram direcionados à transição energética, enquanto R$ 2,6 bilhões contemplaram projetos industriais relacionados à sustentabilidade.
Os financiamentos buscam estimular a redução de emissões de gases de efeito estufa e a adoção de tecnologias que tornem os processos produtivos ambientalmente mais eficientes.
Centro-Oeste participa da expansão dos financiamentos
O levantamento também apresenta a distribuição regional dos recursos destinados à indústria.
Entre os R$ 695 bilhões com informações regionalizadas, o Sudeste concentrou aproximadamente 46% dos financiamentos, seguido pelo Sul, com 22%.
O Nordeste respondeu por cerca de 14%, enquanto o Centro-Oeste, região que inclui Mato Grosso do Sul, representou aproximadamente 10%. A região Norte concentrou cerca de 7%.
Os números mostram que, apesar da concentração dos recursos nas regiões mais industrializadas, diferentes partes do país participam das iniciativas de modernização produtiva.
Desafio é transformar crédito em resultados
Apesar da ampliação dos financiamentos, a indústria brasileira ainda enfrenta desafios relacionados ao custo do crédito, à transformação tecnológica e à competitividade internacional.
Para a CNI, a disponibilidade de recursos representa uma etapa importante, mas precisa estar acompanhada de condições que permitam às empresas investir, inovar e ampliar sua produtividade.
O avanço da digitalização, o desenvolvimento de tecnologias nacionais e a transição para processos produtivos sustentáveis estão entre os principais desafios para os próximos anos.
A expectativa é que os programas de financiamento contribuam para fortalecer a indústria brasileira, ampliar sua capacidade de inovação e preparar o setor para as transformações da economia global.