Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Enquanto bancada federal chega à paridade, mulheres ocupam só 2 das 24 cadeiras na Assembleia de MS

Resultado das Eleições 2026 mostra realidades opostas na representação feminina: mulheres conquistaram metade das vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados, mas serão apenas 8,3% dos parlamentares estaduais

As Eleições 2026 deixaram dois retratos bastante diferentes da participação feminina na política de Mato Grosso do Sul.

Enquanto as mulheres alcançaram um resultado histórico na disputa pela Câmara dos Deputados, conquistando quatro das oito vagas destinadas ao Estado, a presença feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) será muito menor.

Entre os 24 deputados estaduais eleitos para o mandato de 2027 a 2030, apenas duas são mulheres: Gianni Nogueira (PL) e Professora Gleice Jane (PT).

Com isso, a próxima legislatura estadual será formada por 22 homens e apenas duas mulheres. Em termos proporcionais, as mulheres ocuparão 8,3% das cadeiras da Assembleia, enquanto os homens representarão 91,7%.

Apenas duas mulheres entre os 24 eleitos

Gianni Nogueira foi eleita com 36.108 votos e aparece entre os dez candidatos mais votados para a Assembleia Legislativa.

Professora Gleice Jane conquistou 29.844 votos, garantindo uma das quatro cadeiras obtidas pelo PT.

As duas serão as únicas representantes femininas entre os 24 parlamentares estaduais eleitos por Mato Grosso do Sul.

Veja os 24 deputados estaduais eleitos em Mato Grosso do Sul

Com a apuração encerrada, os eleitos para ocupar as 24 cadeiras da Assembleia Legislativa são:

  1. Zé Teixeira (PL) — 54.080 votos
  2. Paulo Corrêa (PL) — 44.541 votos
  3. Caravina (PSDB) — 43.845 votos
  4. Zeca do PT (PT) — 42.714 votos
  5. Coronel David (PL) — 41.492 votos
  6. André Puccinelli (MDB) — 40.602 votos
  7. Tiago Botelho (PT) — 39.387 votos
  8. Ângelo Guerreiro (PSDB) — 37.704 votos
  9. Gianni Nogueira (PL) — 36.108 votos
  10. Odilon Ribeiro (PL) — 35.905 votos
  11. Gerson Claro (PP) — 35.767 votos
  12. Londres Machado (PP) — 33.581 votos
  13. Helio Peluffo (PP) — 31.435 votos
  14. Daverson Matos (PL) — 30.604 votos
  15. Professora Gleice Jane (PT) — 29.844 votos
  16. André Salineiro (PL) — 28.437 votos
  17. Pedro Kemp (PT) — 28.397 votos
  18. Lucas de Lima do Amor Sem Fim (PL) — 26.204 votos
  19. Professor Rinaldo Modesto (União Brasil) — 23.763 votos
  20. Marcio Fernandes (PL) — 23.122 votos
  21. Renato Câmara (Republicanos) — 20.976 votos
  22. Lidio Lopes (Avante) — 20.801 votos
  23. Paulo Duarte (PSDB) — 20.029 votos
  24. Pedrossian Neto (Republicanos) — 19.516 votos

O PL terá a maior bancada da Assembleia, com nove deputados. O PT terá quatro representantes; PSDB e PP terão três cada; Republicanos terá dois; enquanto MDB, União Brasil e Avante terão uma cadeira cada.

Na Câmara dos Deputados, cenário é completamente diferente

Quando o resultado da Assembleia é comparado à bancada federal eleita por Mato Grosso do Sul, a diferença chama atenção.

Das oito vagas do Estado na Câmara dos Deputados, quatro foram conquistadas por mulheres: Camila Jara (PT), Rose Modesto (União Brasil), Mara Caseiro (PL) e Isa Marcondes (Republicanos).

Com isso, pela primeira vez, 50% da bancada federal de Mato Grosso do Sul será composta por mulheres.

Além das quatro deputadas, também foram eleitos Marcos Pollon (PL), Rodolfo Nogueira (PL), Beto Pereira (Republicanos) e Dagoberto Nogueira (PP).

Assim, Mato Grosso do Sul terá uma divisão igual entre homens e mulheres em sua representação na Câmara dos Deputados.

O contraste entre as duas casas é expressivo:

Câmara dos Deputados: 4 mulheres em 8 cadeiras — 50%

Assembleia Legislativa de MS: 2 mulheres em 24 cadeiras — 8,3%

Na bancada federal haverá uma mulher para cada homem. Na Assembleia Legislativa, haverá uma mulher para cada 11 homens.

Por que ampliar a presença feminina importa?

A participação das mulheres na política vai além da quantidade de cadeiras ocupadas.

Deputados e deputadas participam diretamente da elaboração de leis, fiscalização do poder público, votação dos orçamentos e discussão de políticas que interferem na vida de toda a população.

Uma representação mais equilibrada permite ampliar a diversidade de experiências e perspectivas presentes nesses espaços de decisão.

Questões relacionadas à saúde da mulher, maternidade, primeira infância, educação, mercado de trabalho, proteção contra a violência e igualdade de oportunidades, por exemplo, são responsabilidades de todo o Parlamento, independentemente do gênero de quem ocupa as cadeiras.

A ampliação da participação feminina, no entanto, permite que mais mulheres também estejam diretamente presentes na construção, discussão e votação dessas políticas.

Representatividade feminina também não significa pensamento político único. O próprio resultado para a Câmara dos Deputados em Mato Grosso do Sul demonstra isso.

As quatro mulheres eleitas pertencem a quatro partidos diferentes — PT, União Brasil, PL e Republicanos —, representando diferentes trajetórias e posições políticas.

Um avanço e um desafio na mesma eleição

Os resultados das Eleições 2026 mostram, portanto, duas realidades simultâneas em Mato Grosso do Sul.

De um lado, o Estado alcançou um marco histórico ao eleger mulheres para metade das vagas na Câmara dos Deputados.

Do outro, a Assembleia Legislativa continuará com uma representação feminina inferior a 10%.

A partir de 2027, Mato Grosso do Sul terá quatro mulheres entre seus oito deputados federais, mas apenas duas entre os 24 deputados estaduais.

O resultado mostra que o crescimento da representação feminina não acontece de maneira uniforme entre os diferentes espaços políticos e evidencia que, apesar do avanço registrado na bancada federal, a presença das mulheres nos espaços estaduais de decisão ainda permanece reduzida.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Resultados das Eleições 2026.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *