Pesquisa internacional com participação brasileira acompanha pacientes para entender melhor o vírus e abrir caminho para novas terapias
Uma pesquisa internacional com participação brasileira está abrindo uma nova frente na busca por tratamentos capazes de mudar o futuro de quem vive com hepatite B. O estudo reúne pesquisadores de quatro países e pretende entender, em detalhes, por que o vírus se comporta de maneira diferente em cada pessoa e quais características do organismo podem ajudar no desenvolvimento de novas terapias.
No Brasil, participam da pesquisa o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e a Universidade de São Paulo (USP).
O consórcio internacional é liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e também conta com pesquisadores da Índia, Senegal e Uganda.
Ao todo, aproximadamente 600 pessoas serão acompanhadas, sendo 150 participantes brasileiros.
O que os pesquisadores querem descobrir?
Um dos principais objetivos é observar o comportamento do vírus da hepatite B em nível celular e analisar como o sistema imunológico de cada paciente reage à infecção.
Os cientistas querem descobrir por que algumas pessoas apresentam uma evolução mais rápida da doença enquanto outras conseguem manter o vírus sob maior controle.
Também serão investigadas características genéticas que possam oferecer alguma proteção e marcadores relacionados ao vírus que, no futuro, possam ajudar a prever a resposta aos tratamentos.
A expectativa é que essas descobertas revelem novos alvos para medicamentos, incluindo terapias capazes de estimular ou modificar a resposta do sistema imunológico.
O estudo também incluirá pessoas que vivem simultaneamente com hepatite B e HIV.
Estudo deve durar cerca de cinco anos
O trabalho começou no Brasil em 2026 e deve se estender por aproximadamente cinco anos.
Cada participante poderá ser acompanhado por cerca de quatro anos e meio, permitindo que os pesquisadores observem mudanças no organismo e no comportamento do vírus ao longo do tempo.
O recrutamento de voluntários no Hucam-Ufes começou neste ano. A instituição é um dos centros brasileiros envolvidos na investigação.
Hepatite B ainda não tem cura definitiva
Os tratamentos disponíveis atualmente conseguem controlar a hepatite B crônica, reduzir a multiplicação do vírus e diminuir o risco de complicações, mas não garantem a eliminação definitiva da infecção.
Um dos objetivos perseguidos atualmente pela ciência é alcançar a chamada cura funcional.
Nesse cenário, a atividade do vírus permanece controlada mesmo depois da interrupção do tratamento, reduzindo a necessidade do uso contínuo de medicamentos.
A pesquisa internacional busca encontrar informações que possam contribuir para o desenvolvimento de estratégias capazes de alcançar esse resultado.
Doença pode permanecer silenciosa
A hepatite B é uma infecção causada pelo vírus HBV e atinge principalmente o fígado. Um dos desafios é que muitas pessoas podem permanecer durante anos sem apresentar sintomas.
Quando a infecção se torna crônica e não é devidamente acompanhada, pode aumentar o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.
A transmissão pode ocorrer por contato com sangue contaminado, relações sexuais sem proteção e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
Vacina é a principal forma de prevenção
Enquanto a ciência busca novas alternativas de tratamento, a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra a hepatite B.
No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas não vacinadas, independentemente da idade.
Também fazem parte das medidas preventivas o uso de preservativos e o cuidado para não compartilhar objetos que possam entrar em contato com sangue, como lâminas, agulhas e materiais de manicure.
A participação de pesquisadores e voluntários brasileiros no estudo coloca o país em uma investigação internacional que pretende compreender melhor a doença e encontrar novas possibilidades para o tratamento da hepatite B nos próximos anos.
Fontes: Agência Brasil; Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes/Ebserh); Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Ministério da Saúde.