Santa Casa terá 90 dias para reformar pronto-atendimento após acordo com o MPMS

A Santa Casa de Campo Grande assumiu o compromisso de reformar o setor de pronto-atendimento em até 90 dias. O acordo foi firmado após uma reunião com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), realizada na segunda-feira (14), e prevê que a obra será custeada com recursos próprios do hospital. A reforma tem como objetivo sanar irregularidades estruturais identificadas no setor de urgência e emergência, frequentemente afetado por episódios de superlotação. A reunião durou quase quatro horas e não contou com representantes da Prefeitura de Campo Grande. Crise em meio a impasse judicial A reforma ocorre em paralelo a uma disputa judicial envolvendo a Santa Casa e o Município de Campo Grande. O hospital reivindica o repasse de R$ 46 milhões em crédito suplementar – valor reconhecido como devido pela Justiça, mas ainda não liberado, pois o Município alega que o pagamento comprometeria outros serviços essenciais. O Tribunal de Justiça de MS (TJMS), por meio do desembargador Sérgio Fernandes Martins, suspendeu a execução provisória do repasse, alegando que a decisão de primeira instância desrespeitou princípios processuais, como o contraditório e a ampla defesa. Com isso, determinou a redistribuição do processo para nova análise, seguindo os trâmites legais. Apesar disso, a Justiça reconheceu a gravidade da crise na Santa Casa e reforçou que a responsabilidade pela gestão da saúde é da Prefeitura de Campo Grande, que deve agir com urgência para contornar a situação. Governo do Estado entra em cena com R$ 25 milhões Em paralelo à disputa judicial, o Governo de Mato Grosso do Sul anunciou um repasse emergencial de R$ 25 milhões à Santa Casa, que será feito em três parcelas mensais de R$ 8,3 milhões, com início em 20 de abril. O valor será transferido por meio do Fundo Municipal de Saúde. A medida ocorre após o Conselho Regional de Medicina (CRM-MS) recomendar a suspensão do envio de pacientes à unidade diante do colapso no atendimento. Superlotação e escassez de insumos A crise atingiu o ápice no fim de março, quando a Santa Casa enviou um ofício pedindo à Central de Regulação, Samu, Secretaria Estadual de Saúde e Ministério Público a suspensão de novos encaminhamentos ao hospital. O setor de urgência, projetado para 13 leitos, estava com mais de 80 pacientes internados simultaneamente. Além da superlotação, a unidade alertou para a falta crítica de insumos, que comprometia o funcionamento adequado dos serviços de saúde.
Campo Grande realiza 1ª cirurgia com tecnologia Rezum: inovação no tratamento da próstata

Um marco para a urologia de Mato Grosso do Sul foi registrado no último fim de semana com a realização da primeira cirurgia com a tecnologia Rezum no estado. O procedimento foi realizado no Hospital Proncor, em Campo Grande, e representa uma nova alternativa minimamente invasiva para o tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB) – condição comum em homens acima dos 50 anos. A cirurgia foi conduzida pelo urologista Dr. Celso Pimenteira, com participação dos médicos Dr. André Macedo, responsável por trazer a inovação para a capital, Dr. Marcelo Murucci e Dr. José Ricardo Lino. “É um avanço significativo para a medicina local”, ressaltou Dr. Celso. “A técnica é especialmente indicada para pacientes que apresentam efeitos colaterais com o uso prolongado de medicamentos tradicionais.” O paciente, de 55 anos, buscava uma solução que não comprometesse sua qualidade de vida, especialmente a função erétil, bastante afetada pela medicação. “Ele me procurou depois de pesquisar sobre o Rezum, tecnologia que eu já vinha estudando. Os diferenciais desse procedimento são muitos: é pouco invasivo, tem recuperação rápida, alta no mesmo dia e, principalmente, preserva a ejaculação, o que é raro entre os tratamentos para HPB”, explicou o urologista. Menos agressiva, mais resultados A cirurgia com a tecnologia Rezum utiliza vapor de água para reduzir o volume da próstata, com resultados clínicos duradouros e baixa taxa de complicações. A inovação coloca o Hospital Proncor na vanguarda do tratamento urológico em Mato Grosso do Sul. Saúde da próstata exige acompanhamento contínuo A HPB não é câncer, mas pode coexistir com ele, e seus sintomas – como jato urinário fraco, dificuldade para urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e impacto na vida sexual – exigem atenção. “A cirurgia resolve os sintomas, mas não dispensa o acompanhamento regular. O câncer de próstata continua sendo uma ameaça silenciosa que exige exames preventivos como PSA e toque retal”, alerta Dr. Celso. A recomendação é que homens a partir dos 50 anos (ou 45, com histórico familiar) mantenham rotina de exames e cuidados preventivos. Alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, evitar o tabagismo e manter o peso são atitudes que protegem a saúde masculina como um todo. “Homem também precisa se cuidar. Procurar o médico cedo faz toda a diferença”, finaliza Dr. Celso Pimenteira. 📞 Agendamentos: 📲 (67) 99120-0338🌐 www.celsourologista.com📷 Instagram: drcelsoprudenciopimenteira
Vacinas mais modernas podem prevenir nova pandemia

A possibilidade de a gripe aviária se tornar uma pandemia continua preocupando as autoridades de saúde, e, na avaliação da presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, é preciso avançar na criação de vacinas mais eficazes, para evitar que isso aconteça. Uma das grandes esperanças é a vacina universal contra todos os tipos de influenza, que já apresentou resultados positivos. “É uma vacina de RNA mensageiro, e, na composição dela, foi colocado o sequenciamento genético de todos subtipos de influenza A e B, e se testou em furões e ratos. Primeiro, eles testaram, antígeno por antígeno, isoladamente, e a resposta imune foi muito boa. Então, eles passaram a testar nesses animais, as 20 cepas de uma vez. E o que eles viram foi uma indução de anticorpos para todas as 20 cepas, por pelo menos quatro meses após a vacinação”, explica a especialista. Vacinas específicas contra o vírus da gripe aviária já foram produzidas e existem estoques de emergência em cerca de 20 países, segundo Mônica. O Brasil aposta no imunizante que está sendo formulado pelo Instituto Butantan e que também já passou pela fase de testes em animais, com bons resultados. No momento, em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o instituto está convidando voluntários para os testes em humanos, enquanto aguarda a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciá-los. A presidente da Sbim reforça a importância do Brasil desenvolver uma vacina própria o mais rápido possível, para não precisar contar com a produção de empresas estrangeiras, caso seja necessário. Ela explica que o vírus da gripe aviária consegue desenvolver mutações e se adaptar para infectar organismos diferentes com muita rapidez. “Já são mais de 350 espécies, que não eram infectadas no começo, incluindo mamíferos, como gatos domésticos, que foram identificados na Polônia. E a mortalidade deste vírus é muito alta, porque nós não temos imunidade prévia contra ele”. “Se ele adquirir mais alguma mutação que aumente a adesão do vírus à célula do hospedeiro humano, ele vai conseguir ser transmitido de pessoa para pessoa. Esse é o problema. E segundo as evidências, falta muito pouco para esse vírus causar uma pandemia”, alerta Mônica Levi. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2003 até março deste ano, foram registrados 969 casos de infecções por gripe aviária em humanos, causadas pelo Influenza A H5N1, com 457 mortes. O que significa uma letalidade superior a 50%. No entanto, essa proporção de morte frente aos casos vem caindo desde 2015, e, neste ano, dos 72 casos registrados nas Américas, apenas dois levaram a óbito, um nos Estados Unidos e outro no México. Quase todos os registros de novas infecções estão nos EUA. A contaminação em humanos ocorre após contato com animais infectados, e o número de surtos em aves e mamíferos não para de crescer. De outubro do ano passado a fevereiro deste ano, um período de cinco meses, foram registrados mais de 900 surtos em aves de criação e 1 mil em aves silvestres. Esses valores são superiores aos registrados durante toda a temporada anterior de circulação do vírus, de outubro de 2023 a setembro de 2024, um período de 12 meses. O primeiro caso de gripe aviária no Brasil foi confirmado em maio de 2023, e até hoje foram registrados 166 focos da doença, sendo 163 em aves silvestres e três em aves de criação. Diante do cenário mundial, o Ministério da Agricultura e Pecuária prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária por causa da doença. Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil Tomaz Silva/Agência Brasil
MS em alerta máximo: cresce número de casos graves de doenças respiratórias, segundo Fiocruz

Mato Grosso do Sul está em situação crítica diante do avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), conforme aponta o novo boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (10). O estado figura entre os de maior risco do país, com aumento expressivo nas internações, especialmente entre crianças pequenas, idosos e adultos jovens. De acordo com a análise da Fiocruz, o crescimento de casos está fortemente ligado ao vírus sincicial respiratório (VSR) e começa a mostrar também os primeiros sinais de elevação nos casos de influenza A, especialmente em Mato Grosso do Sul. Os dados são referentes à semana epidemiológica de 30 de março a 5 de abril. Segundo a pesquisadora Tatiana Portela, o momento exige atenção redobrada e medidas de prevenção imediatas. Ela reforça a importância da vacinação contra a gripe para os grupos prioritários, como crianças de 6 meses a 6 anos, gestantes e idosos. “Quem apresentar sintomas gripais deve usar máscara ao sair de casa, em ambientes fechados e nos serviços de saúde”, orienta. No cenário nacional, o boletim mostra crescimento contínuo dos casos de SRAG nas últimas seis semanas, com destaque para as crianças de até dois anos. A maioria dos casos identificados é causada por VSR (50,4%), seguido de rinovírus (31,4%), influenza A (10,3%) e Sars-CoV-2 (9,2%). Entre os óbitos, a Covid-19 continua sendo a principal causa, com 57,9% dos casos positivos, seguida de influenza A (11%) e rinovírus (19,5%). Em Mato Grosso do Sul, além do impacto entre crianças, o aumento também começa a afetar jovens e idosos, indicando que o vírus da influenza A pode estar se espalhando com mais intensidade. A Fiocruz já considera que o estado está em nível de incidência classificado como “alto risco” para SRAG. Até o momento, o ano epidemiológico de 2025 contabiliza 31.796 notificações de SRAG em todo o Brasil. Desse total, 12.527 tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório, 14.113 deram negativo e outros 3.060 ainda aguardam análise laboratorial.
Drive-thru da vacinação contra gripe imuniza quase 4 mil pessoas em Campo Grande

Em apenas cinco dias de funcionamento, o drive-thru de vacinação contra a Influenza em Campo Grande aplicou 3.730 doses, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). A ação foi implementada para ampliar a cobertura vacinal diante do surto de gripe que tem causado superlotação nas unidades de saúde da Capital. A estratégia tem se mostrado eficiente ao facilitar o acesso da população à vacina, com atendimento direto nos veículos. “No sábado, chegamos a aplicar cerca de cinco doses por minuto, quase triplicando a expectativa inicial de 500 aplicações por dia”, destacou a enfermeira Maristela Chamorro. A colega Heloísa Lunardi informou que, no fim de semana, foram aplicadas 2.630 vacinas, sendo 1.470 no sábado (5) e 1.260 no domingo (6). Desde a abertura, na última quarta-feira (2), a procura tem sido constante, o que levou a equipe a intensificar os atendimentos. A vacinação gratuita segue disponível apenas para grupos prioritários, como idosos, crianças entre seis meses e seis anos, gestantes, puérperas, profissionais da saúde, professores e pessoas com comorbidades. O drive-thru funciona até o dia 17 de abril, no Quartel do Corpo de Bombeiros, localizado na Rua 14 de Julho. O atendimento ocorre de segunda a sexta, das 18h às 22h, e aos fins de semana das 7h às 11h e das 13h às 17h. A SES também informou que as 524 mil doses da vacina contra a gripe já foram distribuídas para os 79 municípios do Estado, após envio pelo Ministério da Saúde. A expectativa é ampliar gradualmente o público-alvo da campanha, conforme o avanço da imunização nos grupos prioritários.
Mude1Hábito: evento gratuito incentiva vida com mais saúde e qualidade em todas as idades

Promovido pela Unimed Campo Grande, programação acontece no dia 13 de abril, no Parque dos Poderes A hora de mudar chegou! No dia 13 de abril, a Unimed Campo Grande promove o Dia Nacional Mude1Hábito, um evento gratuito que já faz parte do calendário anual de ações da cooperativa e vai muito além da prática de atividades físicas, mas incentiva uma vida com mais saúde e qualidade para todas as idades. Com o objetivo de inspirar mudanças positivas no cotidiano das pessoas, o evento contará com aulas de alongamento, funcional e bike. Para as crianças, um playground animado e diversas brincadeiras, incluindo pintura facial, garantirão a diversão. E para completar o cronograma de atividades, a Feira da Sorte Unimed ofertará prêmios especiais para os participantes, e um DJ animará ainda mais a manhã de domingo. “O Dia Nacional Mude1Hábito reforça o compromisso da Unimed Campo Grande com a saúde e o bem-estar não só dos nossos beneficiários, mas de toda a população campo-grandense. E falar de hábitos saudáveis não se limita à prática regular de atividade física e uma alimentação balanceada, mas também de pequenas atitudes que contribuem para uma vida mais equilibrada, como ler mais, tomar mais água, abandonar vícios, praticar o autocuidado, cuidar da saúde mental, contemplar a natureza, cultivar amizades. Enfim, há uma infinidade de hábitos que ajudam a tornar a vida com mais qualidade e feliz, e esse é o propósito do nosso evento”, destaca Allison Victor Moreira, supervisor de Comunicação e Marketing da cooperativa. Mude1Hábito – é um movimento o Movimento Nacional da Unimed que promove o cuidado com a saúde, incentivando práticas saudáveis para que as pessoas possam viver mais e melhor. A ideia é começar devagar, aos poucos, sem cobranças inatingíveis, e essas mudanças podem ser na alimentação mais equilibrada, na prática regular de atividade física, no cuidado com a saúde emocional, enfim, com tudo aquilo que traga mais qualidade de vida às pessoas. Serviço: O Dia Nacional Mude1Hábito acontece no dia 13 de abril, das 8h às 12h, na Avenida do Poeta nº 322 – Jardim Veraneio / Parque dos Poderes.
Justiça Federal realiza mutirão de atendimento e saúde em aldeia indígena de Caarapó

Nos dias 7 e 8 de abril, a aldeia Te’yi´kue, da etnia guarani kaiowá, localizada em Caarapó (MS), receberá o projeto “Caminho do Acordo”, uma iniciativa da Justiça Federal de Mato Grosso do Sul que busca garantir acesso à Justiça e a serviços essenciais a populações em situação de vulnerabilidade social. O mutirão acontecerá das 9h às 16h, na Escola Estadual Indígena Yvy Poty, com atendimentos voltados a benefícios previdenciários como aposentadoria rural por idade, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão. Além dos serviços jurídicos, esta edição terá ações de saúde, promovidas em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Serão oferecidos atendimentos médicos, odontológicos, vacinação e realização de exames básicos. Os participantes devem apresentar documentos pessoais no local, para que os pedidos possam ser analisados diretamente por juízes federais, defensores públicos, procuradores e técnicos do INSS e da Funai. Havendo reconhecimento do direito, o acordo pode ser homologado na hora, sem necessidade de deslocamento posterior. O projeto é coordenado pelas Centrais de Conciliação da Justiça Federal, em articulação com a Defensoria Pública da União Foto: Divulgação/SED
Campanha de vacinação contra a gripe começa hoje

A campanha nacional de vacinação contra a influenza começa na próxima segunda-feira (7). A meta é imunizar 90% dos chamados grupos prioritários, que incluem crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos e gestantes. Também podem receber a dose: Doses De acordo com o Ministério da Saúde, o imunizante distribuído na rede pública protege contra três vírus do tipo influenza e garante uma redução do risco de casos graves e óbitos provocados pela doença. Para a vacinação deste ano, a pasta adquiriu um total de 73,6 milhões de doses. No primeiro semestre, 67,6 milhões de doses devem ser distribuídas para as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. No segundo semestre, 5,9 milhões serão enviadas para o Norte. Inverno amazônico A campanha, este ano, será realizada em dois momentos: “Enquanto no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste o pico de casos ocorre no outono e inverno (abril a junho), na Região Norte, devido ao clima tropical e ao regime de chuvas, a maior circulação do vírus acontece no segundo semestre, geralmente entre setembro e novembro, o chamado inverno amazônico”, destacou o ministério. Eficácia e segurança Ainda de acordo com a pasta, a vacina contra a gripe é capaz de evitar entre 60% e 70% dos casos graves e dos óbitos relacionados à doença. Em 2025, a dose contém as seguintes cepas: H1N1, H3N2 e B. A administração, de acordo com o ministério, pode ser feita junto a outras vacinas do Calendário Nacional de Vacinação. O imunizante é contraindicado para crianças menores de 6 meses e pessoas com histórico de anafilaxia grave após doses anteriores. “A influenza e a covid-19 continuam sendo ameaças para a saúde pública, especialmente para as pessoas não vacinadas”, ressaltou a pasta. Em 2024, a cobertura vacinal contra a gripe entre os públicos prioritários foi de 48,89% na Região Norte e 55,19% nas demais regiões. “O Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação e conta com a participação de toda a população. Vacinar-se é um ato de cuidado próprio e coletivo. As vacinas são seguras, eficazes e gratuitas.”
Saúde amplia acesso a medicamento para pacientes com doença falciforme

O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (3) que vai incorporar o medicamento deferiprona para o tratamento da sobrecarga de ferro em pacientes com doença falciforme no Sistema Único de Saúde (SUS). Em nota, a pasta destacou que, com a incorporação, qualquer pessoa que precise de tratamento para acúmulo excessivo de ferro no organismo, independentemente da causa, terá acesso a todas as alternativas terapêuticas disponíveis na rede pública. Segundo o ministério, o excesso de ferro é uma condição comum em pessoas que convivem com a doença falciforme em razão da necessidade de transfusões sanguíneas frequentes, realizadas para controlar crises de dor e outras complicações. “O acúmulo de ferro no organismo, se não tratado, pode causar danos graves a órgãos vitais como coração, fígado e glândulas endócrinas”, alertou o comunicado. Entenda De acordo com a pasta, a deferiprona é um quelante de ferro – substância que se liga ao ferro em excesso no corpo e facilita sua eliminação pela urina. “Além de reduzir os riscos por conta do acúmulo de ferro, o medicamento tem melhor posologia em relação a outras opções, facilitando na adesão ao tratamento.” Até então, o uso da deferiprona no SUS era restrito a pacientes com talassemia maior que não podiam utilizar a desferroxamina devido a contraindicações, intolerância ou dificuldades de administração. A doença falciforme é uma doença genética e hereditária que faz com que os glóbulos vermelhos tenham formato de foice. Essa alteração prejudica a circulação sanguínea, causando dor intensa, anemias, infecções e complicações em diversos órgãos. O Ministério da Saúde estima que, no Brasil, cerca de 60 mil pessoas vivam com a doença, que tem maior prevalência em pessoas negras. O tratamento inclui o controle dos sintomas, a prevenção de complicações e, em muitos casos, transfusões sanguíneas regulares.
Detecção precoce do autismo ajuda na alfabetização e inclusão escolar

Moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a neurocientista e biomédica Emanoele Freitas começou a perceber que o filho, Eros Micael, tinha dificuldades para se comunicar quando ele tinha 2 anos. “Foi, então, que veio o diagnóstico errado de surdez profunda. Só com 5 anos, com novos exames, descobriu-se que, na realidade, ele ouvia bem, só que ele tinha outra patologia. Fui encaminhada para a psiquiatra, e ela me deu o diagnóstico de autismo. Naquela época, não se falava do assunto”, diz a mãe do jovem, que hoje tem 21 anos. Ser de um grau menos autonomo do espectro autista, também chamado de nível 3 de suporte, trouxe muitas dificuldades na vida escolar, que Eros frequentou até o ensino fundamental, com quase 15 anos. “O Eros iniciou na escola particular e, depois, eu o levei para a escola pública, que foi onde eu realmente consegui ter uma entrada melhor, ter uma aceitação melhor e ter profissionais que estavam interessados em desenvolver o trabalho”, acrescenta Emanoele. “Ele não conseguia ficar em sala de aula e desenvolver a parte acadêmica. Ele tem um comprometimento cognitivo bem acentuado. Naquele momento, vimos que o primordial era ele aprender a ser autônomo. Ele teve mediador, o professor que faz sua capacitação em mediação escolar. Meu filho não tinha condições de estar em uma sala de aula regular, e ele ficava em uma sala multidisciplinar”. A inclusão escolar e a alfabetização de crianças e adolescentes do espectro autista estão entre os desafios para a efetivação de direitos dessa população, que tem sua existência celebrada nesta quarta-feira (2), Dia Mundial de Conscientização do Autismo, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para difundir informações sobre essa condição do neurodesenvolvimento humano e combater o preconceito. Diretora-executiva do Instituto NeuroSaber, a psicopedagoga e psicomotricista Luciana Brites explica que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno de neurodesenvolvimento caracterizado por déficits de interação social, problemas de comunicação verbal e não verbal e comportamentos repetitivos, com interesses restritos. Características comuns no autismo são pouco contato visual, pouca reciprocidade, atraso de aquisição de fala e linguagem, desinteresse ou inabilidade de socializar, manias e rituais, entre outros. “Por volta dos 2 anos, a criança pode apresentar sinais que indicam autismo. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento. Como o transtorno é um espectro, algumas crianças com autismo falam, mas não se comunicam, ou são pouco fluentes e até mesmo não falam nada. Uma criança com autismo não verbal se alfabetiza, mas a dificuldade muitas vezes é maior”, diz Luciana. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês) estabelece atualmente que as nomenclaturas mais adequadas para identificar as diferentes apresentações do TEA são nível 1 de suporte, nível 2 de suporte e nível 3 de suporte, sendo maior o suporte necessário quanto maior for o nível. Aprendizado A psicopedagoga ressalta que os desafios que surgem no processo de alfabetização no autismo não impedem que ele ocorra na maioria das vezes. “É possível a inserção do autista no ensino regular. A questão da inclusão é um grande desafio para qualquer escola, porque estamos falando de uma qualificação maior para os nossos professores”. Segundo Luciana, o mais importante é considerar a individualidade de cada aluno no planejamento pedagógico, fazendo as adaptações necessárias. “Atividades que podem estimular a consciência fonológica de crianças com autismo são, por exemplo, com sílabas, em que você escolhe uma palavra e estimula a repetição das sílabas que compõem a palavra. Outra dica são os fonemas, direcionando a atenção da criança aos sons que compõem cada palavra, sinalizando padrões e diferenças entre eles. Já nas rimas, leia uma história conhecida e repita as palavras que rimem”. A psicopedagoga acrescenta que as crianças autistas podem ter facilidade na identificação direta das palavras, ou seja, conseguem decorar facilmente, mas têm dificuldade nas habilidades fonológicas mais complexas, como perceber o seu contexto. “A inclusão é possível, mas a realidade, hoje, do professor, é que muitas vezes ele não dá conta do aluno típico, quem dirá dos atípicos. Trabalhar a detecção precoce é muito importante para se conseguir fazer a inserção de uma forma mais efetiva. É muito importante o sistema de saúde, junto com o sistema de educação, olhar para essa primeira infância para fazer essa detecção do atraso na cognição social. Por isso, é muito importante o trabalho da escola com o posto de saúde”, afirma Luciana. A especialista destaca que a inclusão é um tripé e depende de famílias, escolas e profissionais de saúde. “Professor, sozinho, não faz inclusão. Tudo começa na capacitação do professor e do profissional de saúde. É na escola que, muitas vezes, são descobertos os alunos com algum transtorno e encaminhados para equipes multidisciplinares do município”. Mãe em tempo integral A dona de casa Isabele Ferreira da Silva Andrade, mãe de dois filhos autistas, Pérola, de 7 anos, e Ângelo, de 3 anos. Isabele Ferreira/Arquivo Pessoal Moradora da Ilha do Governador, na zona norte do Rio de Janeiro, a dona de casa Isabele Ferreira da Silva Andrade é mãe de duas crianças do espectro autista, Pérola, de 7 anos, e Ângelo, de 3 anos. Ela explica que o menino tem “autismo moderado”, ou nível 2 de suporte com atrasos cognitivos e hiperatividade. Já a filha, mais velha, tem “autismo leve”, nível 1 de suporte, e epilepsia. “Eu a levei no pediatra porque ela já tinha 2 anos e estava com o desenvolvimento atrasado, não falava muito. Ela falava uma língua que ninguém entendia. Vivia num mundo só dela, não brincava, não ria. Comecei a desconfiar. O pediatra me explicou o que era autismo e disse que ela precisava de acompanhamento. Eu a levei para o neurologista, para psicólogo, fonoaudióloga. Fiz alguns exames que deram alteração”, lembra Isabele. “Já meu filho foi muito bem até 1 ano de idade. Depois de1 ano, começou a regredir. Parou de comer, parou de brincar, não queria mais andar. Chorava muito. Comecei a achar estranho. Ele foi encaminhado ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da prefeitura. Fizeram a avaliação dele lá, por uma equipe multidisciplinar. Tentei continuar trabalhando, mas com as demandas da Pérola e do Ângelo, tive que parar de trabalhar