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Domingo de calor extremo: quatro cidades se aproximam dos 42°C em Mato Grosso do Sul

O domingo (05) foi escaldante em Mato Grosso do Sul, com temperaturas que quase atingiram os 42 °C em diversas regiões do estado. De acordo com o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), Água Clara registrou a maior marca do dia, com 41,7 °C, seguida de Coxim (41,5 °C), Pedro Gomes (41,3 °C) e Corumbá (41,3 °C). Além do calor extremo, o nível de umidade relativa do ar chegou a índices críticos, variando entre 10% e 30% durante a tarde — patamar considerado de risco pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa combinação de calor e secura exige atenção redobrada com hidratação, exposição ao sol e prevenção de incêndios florestais. Especialistas recomendam evitar atividades físicas ao ar livre nos horários de pico de calor, entre 10h e 16h, e reforçar o consumo de água, frutas e alimentos leves.

Campo Grande oferece 180 mamografias gratuitas por dia durante Outubro Rosa

Mulheres de Campo Grande contam, até o fim de outubro, com a oferta de 180 mamografias gratuitas por dia em duas unidades de saúde. A ação integra a campanha Outubro Rosa, que reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama — o tipo de tumor mais comum entre mulheres no Brasil. Os exames estão sendo realizados no Hospital de Câncer Alfredo Abrão e no Hospital de Amor. No primeiro, são distribuídas 80 senhas diariamente, a partir das 6h, na Rua Marechal Rondon, nº 1053, região central. Já o Hospital de Amor, localizado na Avenida Vereador Thyrson de Almeida, nº 3103, bairro Aero Rancho, disponibiliza 100 exames por dia. O público-alvo são mulheres entre 40 e 74 anos ou aquelas a partir dos 30 anos com histórico familiar da doença em idade precoce. Para realizar o exame, é necessário apresentar documento oficial com foto e o cartão do SUS. Além da mamografia, o Hospital de Amor oferece ainda serviços de cuidado e autoestima, como manicure, cabeleireiro e design de sobrancelhas. “Nosso trabalho vai além da assistência, buscamos acolher, orientar e reforçar a importância da prevenção”, afirma a enfermeira Vívia Tanaka. Especialistas alertam que o exame é capaz de identificar alterações antes mesmo de sintomas surgirem. “O diagnóstico precoce salva vidas. Muitas mulheres ainda chegam em estágios avançados, quando o tratamento é mais limitado”, explica Sueli Telles, presidente do Hospital Alfredo Abrão. Histórias de pacientes reforçam a importância da prevenção. A dona de casa Fátima Aparecida de Souza descobriu a doença em exame de rotina, mesmo sem apresentar sintomas. Já a psicóloga Helaine Mariano enfrentou um diagnóstico avançado após dois anos sem se examinar. “Se eu tivesse feito a mamografia anualmente, teria descoberto no início”, relatou. Casos como esses mostram a relevância de campanhas como o Outubro Rosa, que incentivam o cuidado contínuo com a saúde e ampliam as chances de detectar o câncer de mama em estágio inicial, aumentando as possibilidades de cura.

Convívio social é tão importante quanto exercícios para envelhecer com qualidade

O segredo para envelhecer com saúde vai além de exames em dia e alimentação equilibrada. Manter laços sociais ativos pode ser tão decisivo para a longevidade quanto praticar exercícios físicos. Essa é a avaliação de especialistas em saúde mental e envelhecimento saudável, que alertam: relações de amizade, convivência familiar e contato com diferentes gerações ajudam a afastar a solidão e melhoram a qualidade de vida após os 60 anos. O professor Carlos Gaudioso, doutor em ciências médicas pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), explica que a família fornece apoio e segurança emocional, enquanto os amigos trazem alegria e pertencimento. Já clubes e centros de convivência oferecem espaços de acolhimento fundamentais. “A convivência intergeracional amplia experiências culturais, fortalece a autoestima e contribui para um envelhecimento mais tranquilo”, afirma. Gaudioso resume o envelhecimento saudável em quatro pilares: estilo de vida equilibrado, saúde preventiva, saúde mental e emocional, além de um ambiente seguro. Isso inclui desde alimentação balanceada e hidratação, consultas regulares e acompanhamento de doenças crônicas, até atividades que estimulem a mente e adaptação dos espaços para prevenir acidentes domésticos. O psicólogo Rômulo Said Monteiro, de 71 anos, reforça a importância de se manter ativo. Ele continua atendendo pacientes, pratica esportes e mantém hobbies como o ferromodelismo. “Quando o idoso perde a sensação de utilidade, o risco de depressão aumenta. O bom humor, o voluntariado e o convívio social são aliados poderosos”, resume. Manter autonomia, planejar financeiramente o futuro e cultivar hobbies como jardinagem, música e artesanato também são estratégias apontadas por especialistas. Dormir bem, investir na espiritualidade e manter uma rotina de lazer contribuem para a saúde física e emocional. Serviços como os oferecidos pela Clínica-Escola da UCDB e pelo Serviço Escola de Psicologia da UFMS, em Campo Grande e Corumbá, oferecem apoio psicológico acessível a idosos, fortalecendo esse cuidado integral. Para os especialistas, a soma dessas medidas é capaz de transformar a experiência do envelhecimento em um período de vitalidade e independência.

Alimentação noturna: o que comer para não atrapalhar o sono

O que se consome à noite pode determinar a qualidade do sono. Refeições pesadas, ricas em gordura e carboidratos simples, dificultam a digestão e podem causar insônia ou desconforto. Por outro lado, escolhas leves e nutritivas favorecem o descanso reparador. Nutricionistas recomendam opções como frutas, iogurte natural, sopas leves e chás calmantes (camomila, erva-cidreira e melissa). Também sugerem alimentos ricos em triptofano, como banana, aveia e leite, que estimulam a produção de serotonina e melatonina, hormônios ligados ao sono. A regra é clara: jantar cedo, priorizar a leveza e respeitar o relógio biológico. Isso não apenas melhora o sono, mas também favorece o metabolismo e a saúde como um todo.

Vírus da chikungunya afeta crianças e adolescentes e deixa sequelas

Para saber como o vírus da chikungunya afeta crianças e adolescentes, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizou durante quatro anos, no município de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, uma pesquisa com 348 pessoas nessa faixa de idade. Os pesquisadores concluíram que a maioria das infecções por chikungunya é sintomática e que a doença pode deixar sequelas mesmo nesses indivíduos. O trabalho ocorreu no andamento de um ensaio clínico de fase III da vacina Butantan-Dengue. Os pesquisadores analisaram a taxa de pacientes sem sintomas clínicos (infecção assintomática), a resposta imunológica (soroconversão) e os casos de dores nas articulações após a infecção pelo vírus (sintomas crônicos). A chikungunya é uma doença viral transmitida pelo Aedes aegypti que costuma causar febre alta e dores intensas nas articulações durante e após a fase aguda da infecção. Embora os efeitos em adultos sejam mais conhecidos, pouco se sabe como a doença se manifesta em crianças e adolescentes. Eles monitoraram os participantes com idades entre 2 e 17 anos, realizando coletas periódicas de sangue e acompanhando sintomas em consultas médicas regulares, em casos de febre ou outros sinais clínicos. “As amostras foram testadas para a chikungunya, dengue e zika por meio de RT-PCR (que detecta o material genético dos vírus), sorologia (Elisa) e ensaio de neutralização viral, que avaliam a presença e a eficácia dos anticorpos protetores no organismo”, informou a Fiocruz. A pesquisadora Viviane Boaventura, da Fiocruz Bahia, foi quem coordenou a pesquisa. De acordo com ela, nos casos com suspeita de infecção, sintomas e sinais foram registrados por meio de um questionário. “Os casos de chikungunya foram então analisados para fornecer informações sobre o impacto da doença nesse grupo, incluindo a intensidade dos sintomas e o tempo de duração da resposta imunológica após a infecção”, disse. Segundo os pesquisadores, “no início do estudo, 23 indivíduos já apresentavam anticorpos IgG protetores contra o vírus da chikungunya. Entre os 311 que completaram o acompanhamento, 17% testaram para o vírus, sendo 25 casos confirmados por RT-PCR e 28 casos por sorologia. Desses, 9,4% não apresentaram sintomas e 3 (12%) desenvolveram artralgia crônica, ou seja, dores nas articulações que persistiram por meses, impedindo a realização de atividades diárias. A taxa de soroconversão entre os casos positivos foi de 84%”. Esses resultados indicaram que a maioria desenvolveu anticorpos após a infecção, embora uma parcela significativa não tenha apresentado resposta imunológica detectável, informou a Fiocruz. A pesquisa constatou ainda que, “apesar de surtos locais durante o estudo, apenas um quinto (20%) dos participantes foi exposto ao vírus, o que levanta questões sobre a vulnerabilidade da população pediátrica e a necessidade de estratégias de prevenção mais eficazes”. 

Chikungunya traz preocupações após uma década de presença no Brasil

Passados pouco mais de dez anos dos primeiros casos identificados no país, o vírus causador do chikungunya ainda traz uma série de preocupações para o Brasil. O alerta é da reumatologista Viviane Machicado Cavalcante, presidente da Sociedade Baiana de Reumatologia (Sobare). Durante conferência realizada dentro do Congresso Nacional de Reumatologia, que acontece até este sábado (20) no Centro de Convenções de Salvador (BA), ela destacou que um dos grandes desafios relacionados à doença é o controle do vetor, ou seja, o combate aos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, transmissores do vírus. “Ainda existem muitos desafios para a gente tratar e controlar essa doença no Brasil. O primeiro destaque que temos é o controle desse vetor. A gente mora numa zona tropical e em que há dificuldade de controle por causa [da falta de] saneamento básico. E a gente precisa também de uma adequação do sistema de saúde para acompanhamento desses pacientes, principalmente na rede pública. Dependendo da região, não existem ambulatórios suficientes no Brasil para acompanhar esse paciente”, disse ela. Há duas semanas, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) comunicou estar preocupada com surtos localizados da doença em países das Américas. Segundo alerta epidemiológico da Opas, os maiores surtos de chikungunya em 2025 se concentraram na América do Sul, particularmente na Bolívia, no Brasil, Paraguai e em partes do Caribe. Até o dia 9 de agosto de 2025, 14 países da região relataram um total de 212.029 casos suspeitos de chikungunya e 110 mortes, com mais de 97% desses casos ocorrendo na América do Sul. “A presença simultânea desses e de outros arbovírus aumenta o risco de surtos, complicações graves e mortes, especialmente entre populações vulneráveis”, alertou a Opas. Só neste ano de 2025, o Brasil já registrou 121.803 casos de chikungunya, com 113 mortes confirmadas até o dia 17 de setembro, segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses, divulgado pelo Ministério da Saúde. “O Nordeste foi grande epicentro dessa doença, então foi aqui que os primeiros casos ocorreram, a gente começou a tratar mais essa doença e ela ainda continua [a existir] com grande carga. Hoje o vírus está espalhado por todo o Brasil e há descrição de que já houve cerca de sete grandes ondas epidêmicas detectadas no país nos últimos dez anos. No último ano, a gente teve, principalmente, os estados de Minas Gerais e de Mato Grosso do Sul, com um grande número de casos da doença”, explicou a especialista. Vacina Recentemente, o Instituto Butantan anunciou uma vacina contra a doença, desenvolvida em parceria com a empresa farmacêutica Valneva. O imunizante contém uma versão viva e atenuada do vírus da chikungunya, o que pode causar sintomas semelhantes aos da doença. Em abril deste ano, a vacina recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que autorizou sua aplicação em pessoas acima dos 18 anos. No entanto, em agosto deste ano, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, que também havia aprovado a vacina, decidiu suspender sua licença após o relato de efeitos adversos graves, que culminaram em hospitalizações e mortes. Essa suspensão, disse Viviane Machicado Cavalcante, pode fazer com que a Anvisa também reavalie sua decisão em relação ao mesmo imunizante. “Essa notícia é recente, do final de agosto. Há cerca de um mês, os Estados Unidos, que têm essa vacina aprovada e que já estava em comercialização, suspendeu a licença do imunizante, porque foram evidenciados alguns casos de efeitos adversos relacionados à vacina, inclusive de encefalite idiopática. O FDA suspendeu a licença, só que a gente não sabe ainda qual vai ser o posicionamento da Anvisa em relação a isso”, afirmou a médica. Chikungunya A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue e do zika. Ela pode provocar dor crônica nas articulações. Os sintomas mais comuns são febre alta, dores nas articulações, dor de cabeça, dor muscular, calafrios, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas no corpo. Em casos graves, os pacientes podem desenvolver dor crônica nas articulações que podem durar anos. A principal forma de prevenção é o combate ao mosquito, eliminando criadouros e água armazenada em vasos de plantas, pneus, garrafas plásticas e piscinas sem uso. É na água parada que o mosquito deposita seus ovos. Elaine Patrícia Cruz – Agência Brasil Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Justiça nega prorrogar patente de substância de caneta emagrecedora

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) publicou nesta sexta-feira (19) decisão que autoriza terceiros a produzir medicamentos à base de liraglutida. Entre eles, estão as “canetas” que combatem a obesidade e o diabetes tipo 2. Segundo a Justiça, não há direito de extensão do prazo da patente da substância (PI0410972-4), como desejava a empresa Novo Nordisk, responsável pela caneta emagrecedora Saxenda. A medida atende ao pedido do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para suspender decisão de primeira instância que havia estendido a duração da patente. De acordo com o INPI, a decisão ganha relevância em meio à preocupação com desabastecimento de medicamentos. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu edital para registros de produtos à base de semaglutida, reforçando a necessidade de ampliar a oferta no mercado. Segundo o INPI, o entendimento do TRF1 segue a linha do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2021, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5.529, declarou inconstitucional a prorrogação automática de patentes e fixou em 20 anos o prazo máximo de vigência, contado a partir do depósito. Para o INPI, a decisão reafirma a segurança jurídica e a previsibilidade no sistema de propriedade industrial, garantindo a função social da patente, a livre concorrência e o acesso da população a medicamentos mais acessíveis. A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com a empresa Novo Nordisk. A empresa enviou a seguinte nota: “Causou estranheza à Novo Nordisk que o INPI tenha pleiteado à justiça, em suas razões de apelação, o reconhecimento de suposto direito de livre comercialização de produtos em favor de terceiros, bem como tenha opinado através de comunicado em seu site oficial sobre suposto risco de desabastecimento de medicamentos GLP-1 no mercado brasileiro, matéria de competência da ANVISA. O INPI deveria manter-se focado em prestar seus serviços de forma eficiente, promovendo o respeito à propriedade industrial e um ambiente pró-inovação no país. O INPI é um órgão de natureza técnica, cuja atuação no exame de patentes deve ser adstrita ao cumprimento dos requisitos legais, não deve ser pautada por políticas públicas de nenhum setor industrial específico”.

Nova diretriz sobre obesidade e sobrepeso foca em risco cardiovascular

Uma nova diretriz brasileira determina que todos os pacientes adultos com sobrepeso ou obesidade devem ter sua condição cardiovascular avaliada e categorizada. O documento foi elaborado pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Academia Brasileira do Sono (ABS). A Diretriz Brasileira Baseada em Evidências de 2025 para o Manejo da Obesidade e Prevenção de Doenças Cardiovasculares e Complicações Associadas à Obesidade prevê também que pacientes adultos com idade entre 30 e 79 anos com sobrepeso ou obesidade, sem doença cardiovascular prévia, devem ter sua condição cardiovascular avaliada por meio do escore Prevent – ferramenta que calcula a probabilidade de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca ao longo dos dez anos seguintes. De acordo com o documento, profissionais de saúde devem categorizar o risco cardiovascular de pacientes com sobrepeso ou obesidade como risco baixo, moderado e alto, conforme descrito a seguir: – risco baixo: pessoas com sobrepeso ou obesidade, com Índice de Massa Corporal (IMC) menor que 40 e idade menor que 30 anos, que não apresentam nenhum fator de risco cardiovascular; pessoas com sobrepeso ou obesidade com idade maior ou igual a 30 anos, com risco cardiovascular calculado pelo escore Prevent como menor que 5% em 10 anos. – risco moderado: pessoas com sobrepeso ou obesidade, com IMC menor que 40, que nunca tiveram eventos cardiovasculares, com um ou mais fatores de risco; pessoas com sobrepeso ou obesidade, com IMC menor que 40, em prevenção primária, com risco cardiovascular calculado pelo escore Prevent como entre 5% e menor que 20% em dez anos. – risco alto: pessoas com doença coronariana crônica confirmada, infarto agudo do miocárdio, AVC isquêmico ou acidente isquêmico transitório, doença arterial obstrutiva periférica, revascularização em qualquer território arterial; pessoas em prevenção primária, com risco cardiovascular calculado pelo escore Prevent maior ou igual a 20% em dez anos; pessoas com diabetes tipo 2 há mais de dez anos; pessoas com doença renal crônica 3b; pessoas com escore de cálcio coronário maior que 100 sem diabetes ou maior que 10 com diabetes. Outra categoria definida pela diretriz trata de risco alto especificamente para insuficiência cardíaca, válido para pessoas com IMC maior que 40, mesmo assintomáticas; pessoas com obesidade, diabetes e hipertensão associados; pessoas com apneia obstrutiva do sono grave; pessoas com fibrilação atrial; pessoas com doença renal crônica grau 3b; pessoas com risco de insuficiência cardíaca calculado pelo escore Prevent igual ou maior que 20% para os dez anos seguintes; pessoas com doença aterosclerótica cardiovascular estabelecida; pessoas com sintomas sugestivos de insuficiência cardíaca. Canetas emagrecedoras A nova diretriz destaca ainda o papel de substâncias como a liraglutida e a semaglutida, princípios ativos de medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, no combate ao sobrepeso e à obesidade. O documento recomenda, por exemplo, o uso da liraglutida para pacientes adultos com sobrepeso ou obesidade e risco cardiovascular moderado ou alto com o objetivo de perda de peso e de redução de risco cardiovascular. Outra recomendação inclui o tratamento com a semaglutida em pessoas com IMS maior ou igual a 27, sem diabetes e com doença cardiovascular estabelecida (prevenção secundária) com o objetivo de redução de risco de mortes relacionadas a doença cardiovascular, infarto agudo do miocárdio e AVC. O documento também recomenda a perda de peso para pessoas com obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada a grave, com o objetivo de melhora ou remissão da apneia; para pessoas com obesidade e insuficiência cardíaca estabelecida com o objetivo de melhorar a qualidade de vida, a função cardíaca e a capacidade para o exercício físico.

Câncer ocular infantil raro: como identificar sinais precoces e proteger a visão das crianças

Um dos tumores mais raros da infância, o retinoblastoma, exige atenção redobrada de pais e responsáveis. Apesar de pouco conhecido, ele pode comprometer a visão e até colocar a vida da criança em risco se não for diagnosticado a tempo. A oftalmologista Lídia Guedes, especialista em oncologia ocular do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, explica que os primeiros indícios podem passar despercebidos. “O reflexo branco na pupila, chamado leucocoria, costuma ser o sinal mais comum e pode ser notado em fotografias com flash. Também devemos ficar atentos a estrabismo e inflamações oculares frequentes”, orienta. A doença afeta principalmente crianças de zero a cinco anos. Por isso, o acompanhamento nos primeiros anos de vida é decisivo. O teste do olhinho, realizado ainda na maternidade, é uma triagem fundamental, mas não suficiente para descartar a doença. Conforme a médica, exames de imagem como mapeamento de retina, ultrassonografia ocular e ressonância magnética são ferramentas essenciais para confirmar o diagnóstico e verificar a extensão do tumor. Por ter origem genética, não há formas de prevenção primária. O que faz diferença, segundo Lídia, é o diagnóstico precoce. “Quando detectado nos estágios iniciais, o índice de cura é elevado e as chances de preservar o globo ocular e a visão aumentam consideravelmente.” O tratamento varia conforme a gravidade. Em fases iniciais, pode incluir quimioterapia associada a laser, crioterapia ou medicações intravítreas. Nos casos mais avançados, pode ser necessária a enucleação, procedimento cirúrgico de remoção do olho, medida extrema mas que garante a cura em muitos pacientes. A especialista reforça um alerta aos pais: “As crianças raramente relatam sintomas. Por isso, consultas oftalmológicas semestrais nos primeiros anos de vida são indispensáveis. Detectar cedo salva não apenas a visão, mas também vidas.”

Doação de órgãos: em MS, resistência das famílias ainda supera 60% apesar de avanços

Falar sobre a morte nunca é simples, mas pode ser decisivo para salvar vidas. Em Mato Grosso do Sul, a negativa das famílias para a doação de órgãos e tecidos continua sendo um dos principais obstáculos: mais de 60% dos entrevistados não autorizam o procedimento, mesmo quando existe viabilidade clínica. Segundo a Central Estadual de Transplantes da SES (Secretaria de Estado de Saúde), esse cenário convive com conquistas importantes. Entre janeiro e setembro de 2025, foram feitos 218 transplantes de córnea, 39 de fígado, 16 de rim e quatro de ossos, proporcionando uma nova oportunidade de vida a dezenas de pacientes. A coordenadora da CET, Claire Carmen Miozzo, lembra que a decisão depende da família, o que torna fundamental a conversa em vida. “A entrevista familiar é uma etapa decisiva e exige acolhimento e sensibilidade. Quando o desejo de ser doador é manifestado em vida, o processo de autorização se torna mais claro e respeita a vontade do paciente”, destacou. Mobilização pelo Setembro Verde Para ampliar o debate, o Setembro Verde traz ações de sensibilização. No domingo (21), acontece a 2ª Caminhada “Passos pela Vida”, no Parque dos Poderes, em Campo Grande. Já na segunda-feira (22), a Assembleia Legislativa promove sessão solene para a entrega do Diploma “Amigo do Transplante”, que homenageia pessoas e instituições que fortalecem a cultura da doação no estado. A legislação determina que apenas familiares até segundo grau, cônjuges ou companheiros podem autorizar a doação, com a presença de testemunhas. Por isso, além do preparo técnico das equipes, a orientação do cidadão em vida é essencial para que esse desejo não se perca em meio ao luto. MS em destaque nacional Apesar das dificuldades, Mato Grosso do Sul já se coloca entre os estados que mais avançam na área. Em menos de um ano após iniciar transplantes de fígado, o estado conquistou o 4º lugar no ranking nacional por milhão de habitantes, com taxa de 17,9 transplantes, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes. Fica atrás apenas do Distrito Federal, Paraná e Ceará. Para o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa, esse é um reflexo do esforço das equipes locais. “A habilitação de profissionais e hospitais fez com que, em pouco tempo, alcançássemos um resultado expressivo e que coloca Mato Grosso do Sul em evidência no cenário nacional”, afirmou.