Butantan antecipa entrega de 1,3 mi de vacinas contra dengue ao SUS

O Instituto Butantan anunciou nesta terça-feira (24) que antecipará para o primeiro semestre de 2026 a entrega de 1,3 milhão de doses da vacina contra dengue Butantan-DV ao Sistema Único de Saúde (SUS). Inicialmente. o lote seria entregue no segundo semestre deste ano. Com o novo prazo, serão distribuídas ao todo 2,6 milhões de doses no primeiro semestre. A vacina Butantan-DV é produzida no parque fabril do próprio instituto, na capital paulista. O imunizante, aplicado em dose única, tetraviral e 100% nacional, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser utilizado na população brasileira de 12 a 59 anos. Nesse público, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue. Na segunda semana de fevereiro, o Ministério da Saúde iniciou a vacinação contra a dengue dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde das Unidades Básicas de Saúde) da Atenção Primária, com a previsão de proteger 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente do SUS. Novo terreno O governo do estado de São Paulo anunciou, também nesta segunda-feira, a transferência de um terreno no bairro do Jaguaré, zona oeste do município de São Paulo, para a criação de um novo polo de inovação e desenvolvimento de imunobiológicos do Instituto Butantan, além do investimento de R$ 1,38 bilhão em novas fábricas para produção de vacinas e imunobiológicos. “Nessa área, vamos produzir nosso parque fabril para levarmos São Paulo onde queremos: um expoente máximo da ciência, da biotecnologia, do desenvolvimento e da inovação em Saúde no nosso país”, disse o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva.
Mais Médicos Especialistas: inscrições terminam neste domingo

O prazo para se inscrever no novo edital do Mais Médicos Especialistas termina neste domingo (22). O projeto vai contratar 1.206 profissionais em 16 especialidades consideradas prioritárias para o Sistema Único de Saúde (SUS). O programa do governo federal pretende contratar especialistas em: Médicos interessados em participar do projeto devem acessar a plataforma UNA-SUS e escolher pelo menos um município e um estabelecimento de saúde. É possível indicar até dois locais de atuação, inclusive em estados diferentes, respeitando a ordem de preferência. O valor fixo da bolsa é de R$ 10 mil, podendo incluir uma parte variável entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, de acordo com o grau de vulnerabilidade do município de atuação. Além da bolsa mensal, os médicos receberão ajuda de custo destinada a despesas com imersões presenciais nas instituições formadoras. “O repasse está condicionado à participação efetiva nas atividades previstas no edital, com carga horária semanal de 20 horas – das quais 16 serão dedicadas a atividades assistenciais –, e não estabelece vínculo empregatício”, informou o Ministério da Saúde em nota.
Capacitação de enfermeiros em programa de saúde mental divide opiniões

Em meio ao aumento da demanda por atendimento psicológico e psiquiátrico no país, um programa vem sendo implementado de forma experimental em pelo menos duas cidades brasileiras para ampliar o cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS). Desenvolvido pela organização sem fins lucrativos ImpulsoGov, sediada em São Paulo, o Programa de Saúde Mental para Atenção Primária à Saúde (Proaps) está em fase de testes em Aracaju e Santos. A proposta é capacitar enfermeiros e agentes comunitários de saúde para oferecer acolhimento estruturado a pacientes com sintomas leves ou moderados de transtornos mentais. O trabalho é feito sob supervisão de psicólogos e psiquiatras vinculados à Rede de Atenção Psicossocial ou contratados pela entidade. O Proaps também começou a ser implementado em São Caetano do Sul (SP), mas foi encerrado por motivos que a prefeitura não explicou à reportagem. A saúde mental é um problema que preocupa 52% dos brasileiros. Além disso, 43% relatam dificuldades de acesso por causa do custo ou da demora na rede pública. A metodologia segue diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Sistema Único de Saúde (SUS). O curso prevê 20 horas de formação teórica. Casos considerados graves são encaminhados à rede especializada. Os acordos para capacitação foram firmados pelos próprios municípios que têm autonomia para implementar iniciativas de qualificação profissional. Segundo a ImpulsoGov, os primeiros resultados indicam redução média de 50% nos sintomas depressivos entre os pacientes acompanhados, além de impacto na diminuição das filas por atendimento especializado. Delegação de competências A proposta, contudo, suscita ressalvas de algumas entidades. Sem avaliar diretamente o programa, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) sinalizou preocupação quanto aos limites da delegação de competências. O órgão destaca que o SUS já adota o chamado “matriciamento”, estratégia de integração multiprofissional que articula saúde mental e atenção primária sem substituir a atuação técnica de psicólogos e psiquiatras. Para o conselho, o enfrentamento da crescente demanda passa por investimentos estruturantes, como o fortalecimento dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), a ampliação das equipes e a contratação de especialistas por concurso público. Dados do Boletim Radar SUS 2025 citados pela entidade indicam que, embora o número de psicólogos no país tenha crescido 160% entre 2010 e 2023, a proporção desses profissionais atuando no SUS diminuiu, ampliando desigualdades regionais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Em nota, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) informou que não tinha conhecimento do projeto. Segundo a entidade, como integrantes das equipes da Atenção Primária à Saúde, os enfermeiros já recebem capacitação para prestar cuidados em saúde mental nos casos considerados leves e moderados, devendo encaminhar os casos graves para os serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps). “Já em relação à situação apresentada, é necessário compreender o que está sendo compreendido por supervisão. As atividades de competência privativa dos enfermeiros são exclusivas da categoria, logo, sua supervisão por um profissional de outra categoria parece inadequada”, ponderou o Cofen, destacando a semelhança entre o Proaps e princípios e diretrizes que já norteiam a Política Nacional de Atenção Básica, como o apoio matricial e o compartilhamento de saberes entre as equipes de referência e especialistas. “Talvez o que esteja sendo proposto seja a discussão dos casos com as equipes de referência. Essa situação na área da saúde mental é chamada de ‘matriciamento’ e é recomendada que as equipes dos Caps o realizem juntos às equipes da Atenção Primária, envolvendo não somente a enfermagem, mas os médicos, psicólogos e demais profissionais atuantes nas Estratégias de Saúde da Família (ESF)”, comentou o Cofen ao citar a previsão de articulação das equipes (matriciamento) como forma de garantir um atendimento integral e resolutivo. Defesa da complementaridade Coordenadora de produtos da ImpulsoGov, Evelyn da Silva Bitencourt afirma que o objetivo do Proaps não é substituir psicólogos ou psiquiatras, mas capacitar profissionais que já atuam na porta de entrada do sistema. Segundo ela, a saúde mental está entre os cinco principais motivos de atendimento na atenção básica, ao lado de hipertensão, diabetes e cuidados infantis. “É uma demanda que já chega na atenção primária, mas para a qual os profissionais não especializados não recebem nenhum tipo de formação. Não estamos falando em resolver todas as demandas, mas sim sobre conseguir acolher o que a pessoa está sentindo, conseguir conversar sem invalidar as emoções da pessoa”, afirma a coordenadora Após a identificação do sofrimento emocional – que pode incluir a aplicação de instrumentos como o PHQ-9, utilizado para rastrear sintomas depressivos -, o profissional decide se o paciente pode ser acompanhado na própria unidade ou se deve ser encaminhado a um especialista. “Se for um munícipe em sofrimento leve ou moderado, eles [enfermeiros e agentes comunitários] têm instrumentos para atender à pessoa na própria unidade, por até quatro encontros, seguindo um protocolo de acolhimento interpessoal baseado em evidências.” Para a coordenadora, a iniciativa reforça o matriciamento ao oferecer instrumentos complementares às equipes da atenção primária e fortalecer a articulação com a rede especializada. Autonomia local Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou que estados e municípios têm autonomia para implementar iniciativas de qualificação profissional, conforme o modelo de gestão tripartite do SUS. A pasta destacou que o país conta com uma das maiores redes públicas de saúde mental do mundo, com mais de 6,27 mil pontos de atenção em saúde mental, incluindo cerca de 3 mil Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Ainda segundo o ministério, o investimento federal na área cresceu 70% entre 2023 e 2025, alcançando R$ 2,9 bilhões no último ano. Projetos piloto Em Aracaju, o programa foi implementado por meio de acordo de cooperação técnica firmado em 2024 e renovado até 2027. Segundo a prefeitura, 20 servidores de 14 unidades participaram da capacitação no ano passado, realizando 472 atendimentos iniciais. Mais da metade dos pacientes atendidos acessava o serviço pela primeira vez. Na capital sergipana, os primeiros resultados indicam redução média de 44% nos sintomas depressivos e melhora de quase 41% na percepção subjetiva do humor. A rede municipal conta atualmente com 28 psicólogos e cinco médicos de saúde mental, que atendem, em média, 1.950 pacientes
Terceiro caso de raiva em morcegos mobiliza alerta de saúde pública em Campo Grande

Campo Grande confirmou o terceiro caso de raiva em morcegos neste ano, com registros nos bairros Vivendas do Bosque, Centro e Santa Fé. O CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) recolheu os animais após moradores perceberem comportamento anormal, e exames laboratoriais confirmaram a presença do vírus. Diante da situação, a Sesau orienta que a vacinação antirrábica de cães e gatos seja mantida em dia, destacando que essa medida protege tanto os animais quanto a população, evitando a disseminação do vírus no ambiente urbano. A imunização está disponível durante todo o ano no CCZ, na Avenida Senador Filinto Müller, 1.601, Vila Ipiranga, com horários estendidos nos finais de semana e feriados. A secretaria alerta que, ao encontrar um morcego caído ou com comportamento estranho, a população não deve tocar no animal. O correto é acionar imediatamente o CCZ para recolhimento seguro, evitando risco de contaminação. O Centro de Controle de Zoonoses disponibiliza atendimento geral pelo telefone (67) 3313-5000 e WhatsApp (67) 99142-5701, além de plantão noturno e atendimento aos finais de semana e feriados para recolhimento de animais.
Anvisa suspende venda de fórmula infantil Alfamino, da Nestlé

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a comercialização, a distribuição, a importação, a propaganda e o uso de 10 lotes da fórmula infantil Alfamino 400g, fabricada pela Nestlé Brasil Ltda. De acordo com o texto, a decisão foi motivada considerando a presença de selênio e iodo em quantidades acima dos limites permitidos na legislação sanitária. A norma determina ainda o recolhimento dos lotes em questão. O número dos lotes são: Segundo a Anvisa, as análises apontaram 31,1 microgramas de selênio por 100 quilocalorias e 175,7 microgramas de iodo por 100 quilocalorias. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp A fórmula infantil Alfamino 400g é destinada a lactentes e crianças com necessidades alimentares específicas, como restrição à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca (APLV). Em nota, a Nestlé informou que houve um “erro de conversão na declaração da unidade de medida (mcg/kg em vez de mcg/100g)” referente ao selênio e que está em contato com a Anvisa para esclarecimentos. “Cumprindo recentes solicitações da autoridade em relação a suas fórmulas infantis, foram apresentados laudos de avaliação dos produtos. Ocorre que houve um erro de conversão na declaração da unidade de medida (mcg/kg em vez de mcg/100g) — onde consta Selênio 31,1 microgramas por 100 kcal e Iodo 175,7 microgramas por 100 kcal, a informação correta é Selênio 3,11 microgramas por 100 kcal e Iodo 17,57 microgramas por 100 kcal, parâmetros esses que estão em conformidade com a legislação”, explica a empresa. A Nestlé ressalta que “seus produtos atendem estritamente a todos os parâmetros normativos estabelecidos e, portanto, são seguros para o consumo”.
SES amplia rede de diagnóstico e qualifica a assistência hospitalar em Mato Grosso do Sul

Com foco na ampliação do diagnóstico, no fortalecimento das cirurgias e no aumento da segurança assistencial, o Governo de MS, por meio da SES (Secretaria de Estado de Saúde), iniciou a entrega de equipamentos de alta tecnologia para hospitais em diversas regiões do Estado A iniciativa integra a estratégia estadual de modernização da rede hospitalar e de consolidação da regionalização da saúde, permitindo ampliar a capacidade de atendimento, descentralizar procedimentos e qualificar os serviços prestados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O investimento total na aquisição dos equipamentos supera R$ 55,6 milhões. Entre os principais equipamentos entregues ou em processo de instalação estão arcos cirúrgicos, esterilizadores de baixa temperatura, carros de anestesia, bisturis eletrônicos, ultrassons, autoclaves, mamógrafos, aparelhos de hemodiálise, torres de videolaparoscopia e equipamentos de diagnóstico por imagem, como raio-x fixo, ressonância magnética e tomografia computadorizada. De acordo com a secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, a modernização do parque tecnológico é essencial para ampliar o acesso e garantir mais qualidade à assistência. “Estamos fortalecendo hospitais regionais, ampliando o diagnóstico e dando suporte às cirurgias, para que a população tenha acesso a atendimentos mais resolutivos, com qualidade e segurança, mais perto de casa”, destacou Maymone. Regionalização fortalece hospitais estratégicos A distribuição dos equipamentos segue o planejamento da SES dentro da proposta de regionalização da saúde, fortalecendo unidades estratégicas e reduzindo a necessidade de transferência de pacientes para grandes centros. Municípios como Aquidauana, Coxim, Ponta Porã, Nova Andradina, Chapadão do Sul, Três Lagoas, Dourados, entre outros, foram contemplados. Em Coxim, a unidade recebeu mamógrafo, torres de videolaparoscopia, focos e mesas cirúrgicas, além de equipamentos de hemodiálise e anestesia. Em Ponta Porã, a modernização inclui mamógrafo, arco cirúrgico, raio-x fixo e novos equipamentos para o centro cirúrgico. Aquidauana passou a contar com máquinas e poltronas de hemodiálise, torre de videolaparoscopia e será contemplada com arco cirúrgico, esterilizadora e raio-x fixo. Outros municípios, como Corumbá, Jardim, Três Lagoas, Nova Andradina, Paranaíba e Costa Rica, também estão sendo fortalecidos com equipamentos estratégicos. Hospital de Dourados amplia estrutura para alta complexidade Um dos principais destaques é o HRD (Hospital Regional de Dourados Olga Castoldi Parizotto), que recebeu estrutura completa para a realização de procedimentos de maior complexidade. A unidade foi equipada com duas torres de videolaparoscopia e contará com ressonância magnética, além de cardioversores, monitores multiparâmetros e tomografia computadorizada. Além do hospital, a Policlínica da Região Cone Sul também está sendo contemplada, ampliando a oferta de exames e procedimentos especializados e fortalecendo a região como polo de referência em média e alta complexidade. Modernização eleva qualidade e segurança assistencial Para a gerente de Equipamentos da SES, Juliana Fernandes, a modernização do parque tecnológico representa um avanço direto na qualidade do atendimento. “São equipamentos que ampliam a capacidade diagnóstica e cirúrgica das unidades e garantem mais segurança para pacientes e profissionais, fortalecendo a assistência hospitalar em todo o Estado”, afirmou Juliana. André Lima, Comunicação SESFotos: Bruno Rezende/Secom
Norma da Anvisa sobre receitas controladas impressas entra em vigor

A partir desta sexta-feira (13), todos os receituários para prescrição de medicamentos controlados podem ser impressos em gráficas pelos próprios profissionais prescritores e pelas instituições de saúde. A norma foi aprovada pela diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim do ano passado. Até então, alguns desses receituários — como os de cor amarela — eram impressos exclusivamente pela autoridade sanitária local. Com a publicação da resolução, a impressão de todos os modelos pode ser feita pelos próprios prescritores e pelas instituições. Em nota, a Anvisa informou que a medida integra um conjunto de ações de desburocratização e simplificação do acesso da população brasileira a medicamentos e reforçou que a norma não elimina a exigência de impressão nem a obrigatoriedade de numeração fornecida pela autoridade sanitária local. “Assim, prescritores e instituições devem continuar solicitando previamente essa numeração junto à autoridade sanitária competente e, a partir de 13 de fevereiro, poderão providenciar a impressão dos receituários em gráfica”, destacou a agência no comunicado. A Anvisa ressaltou ainda que a resolução não altera outras regras estabelecidas por autoridades sanitárias locais. Em caso de dúvidas sobre exigências complementares relacionadas ao procedimento de impressão, a orientação é consultar a autoridade sanitária da respectiva localidade. De acordo com a agência, os modelos de receituários anteriormente publicados nos anexos da Portaria nº 344/1998 deixam de ser válidos para novas impressões a partir desta sexta-feira. Os novos modelos a serem utilizados podem ser consultados na página do Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR). Receituários impressos até 12 de fevereiro de 2026 continuam válidos por tempo indeterminado. A norma prevê ainda que, até junho, a Anvisa disponibilize uma ferramenta no SNCR que permite a emissão eletrônica de todos os receituários de medicamentos controlados. “Até a disponibilização dessa funcionalidade, não há mudanças quanto à emissão eletrônica”. “Para a emissão de notificações de receita em formato eletrônico, será necessário aguardar a implementação da ferramenta”, informou a agência. Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Psicologia aponta 9 batalhas silenciosas enfrentadas por pessoas entre 60 e 80 anos

O envelhecimento da população tem levado diferentes correntes da Psicologia a aprofundarem os estudos sobre os desafios emocionais e sociais vividos pelos chamados “novos idosos”. A geração baby boomer — nascida entre 1946 e 1964 — já está na faixa dos 60 aos 80 anos e experimenta essa etapa da vida em um contexto muito diferente daquele vivido por seus pais. Criados sob valores como trabalho árduo, estabilidade familiar e autossuficiência, muitos desses adultos mais velhos enfrentam conflitos internos que nem sempre são verbalizados. Especialistas apontam que, além das transformações físicas naturais do envelhecimento, há tensões subjetivas e sociais que se manifestam de forma silenciosa. 1. Sensação de invisibilidade Com os filhos já independentes e o mercado de trabalho cada vez mais voltado à juventude, muitos idosos relatam a sensação de perda de relevância social. Tornar-se “coadjuvante” em ambientes antes ocupados pode impactar autoestima e identidade. 2. Mudanças no ciclo de amizades Falecimentos, mudanças de cidade e afastamentos naturais reduzem o círculo social. A solidão passa a ser um desafio recorrente, muitas vezes associado à diminuição das atividades de lazer e convivência. 3. Dificuldade em pedir ajuda Para uma geração educada para ser independente, reconhecer limitações físicas ou cognitivas pode ser difícil. Pedir apoio é frequentemente interpretado como perda de autonomia, gerando resistência e sofrimento interno. 4. Distanciamento tecnológico A velocidade das transformações digitais cria barreiras. A dificuldade em acompanhar novas tecnologias pode provocar frustração e a sensação de não pertencer ao mundo contemporâneo. 5. Vazio após a aposentadoria Para muitos, profissão e identidade caminharam juntas por décadas. O fim da carreira pode gerar uma crise de propósito, exigindo reconstrução de sentido e reorganização da rotina. 6. Desconexão geracional Diferenças culturais, comportamentais e tecnológicas podem dificultar o diálogo com filhos e netos. Mesmo com afeto, há lacunas que desafiam a comunicação intergeracional. 7. Impacto das mudanças físicas Dores crônicas, perda de energia e limitações funcionais não afetam apenas o corpo, mas também o estado emocional. O declínio físico pode influenciar humor, autoconfiança e participação social. 8. Frustração por projetos não realizados A percepção de que o tempo é finito pode trazer à tona sonhos adiados. Alguns sentem que já não há espaço para novos planos, embora especialistas ressaltem que recomeços são possíveis em qualquer fase da vida. 9. Reflexão sobre a finitude A proximidade da velhice amplia a consciência sobre a morte. Em sociedades que evitam o tema, essa reflexão tende a ocorrer de forma íntima e silenciosa, impactando o bem-estar emocional. Especialistas reforçam que reconhecer essas batalhas é o primeiro passo para enfrentá-las. O envelhecimento não é apenas um processo biológico, mas também psicológico e social. Investir em redes de apoio, atividades significativas, diálogo familiar e acompanhamento profissional quando necessário pode contribuir para uma maturidade mais saudável e equilibrada.
Brasileira referência em pesquisa sobre HPV é homenageada pela SBPC

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência entrega, nesta quarta-feira (11) – Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência – o prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher a pesquisadoras com trajetória de destaque em três grandes áreas do conhecimento: Humanidades; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra. A entrega será à tarde, em São Paulo. A data foi criada em 2015, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), para conscientizar a sociedade de que a ciência é construída também por meio da igualdade de gênero. Neste ano, uma das homenageadas na categoria Ciências Biológicas e da Saúde é Luísa Lina Villa, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradora do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). “Estou nessa categoria e me sinto muito orgulhosa e feliz por estar sendo homenageada pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência, sobretudo porque há muitas mulheres no nosso país merecedoras desse prêmio”, disse ela, em entrevista à Agência Brasil. Luísa diz que receberá o prêmio com gratidão e vai procurar reconhecer todos os alunos, colaboradores e colegas que, ao seu lado, perseguem esse caminho da ciência no Brasil. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp A trajetória científica da professora começou na infância, quando ela já gostava de observar o mundo utilizando uma lupa. Dessa curiosidade infantil, Luísa começou a se dedicar às carreiras acadêmica e científica, passando a se tornar referência internacional em pesquisas sobre o Papilomavírus Humano (HPV), um vírus associado ao câncer do colo do útero e também à infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo. “Desde muito jovem, eu tinha vontade de fazer pesquisa. Eu me interessava muito por micróbios, queria aprender mais sobre vírus. E finalmente, após passar por um doutorado, onde estudei leveduras, passei a estudar os HPVs já no começo dos anos 80, afirmou A partir desses estudos, segundo ela, foi estabelecida uma carreira, uma linha de pesquisa tanto no Instituto Ludwig, de pesquisas sobre o câncer, onde permaneceu por quase 30 anos, quanto em outras instituições que se seguiram, como na Faculdade de Medicina da USP, onde pôde dar continuidade às pesquisas envolvendo esses pequenos vírus que podem causar doenças benignas, como verrugas, mas também malignas, como o câncer em diferentes sítios anatômicos. Seus estudos sobre o vírus contribuíram, por exemplo, para a comprovação da eficácia da vacina. “Um dos principais aspectos do meu trabalho que foram considerados para que eu alcançasse esse prêmio foram os estudos com o HPV e a participação nas pesquisas que demonstraram a segurança, a imunogenicidade e eficácia das vacinas contra o vírus”, lembrou a professora. Ela disse que as pesquisas, feitas com muitos alunos e colaboradores, levaram a compreender como os HPVs podem causar doenças. “Inicialmente, nos dedicamos a entender essa história natural em mulheres e tivemos contribuições significativas para definir quais eram os riscos, já que não são todos que têm HPV que podem desenvolver tumores”, explicou. “Nosso grupo foi um dos primeiros a descobrir que as infecções que duram por mais tempo, as persistentes por HPV, são aquelas que determinam a maior probabilidade de desenvolver algum tumor maligno relacionado ao vírus , principalmente no colo do útero”. Seus estudos analisaram não somente o comportamento do vírus em mulheres, mas também em homens. “Os estudos em homens permitiram que descobríssemos quais são as taxas de HPV entre homens, que são ainda mais elevadas que em mulheres”, afirmou. “Eles podem transmitir o vírus para seus parceiros e parceiras, mas também podem ter risco aumentado de desenvolver lesões no pênis, no canal anal e na orofaringe, que é uma localização no fundo da garganta, próxima das amígdalas”, explicou. Com esse trabalho e as pesquisa, foi possível não só descrever as doenças causadas por HPV, mas também como evitá-las. “O ponto forte a se discutir, em termos de políticas públicas, é que isso permitiu conhecer a forma de prevenção dessas infecções. Por exemplo, evitando múltiplos parceiros e atividade sexual desprotegida. Mas sobretudo, ao longo dos anos, de como prevenir essas infecções a partir do uso de vacinas profiláticas contra o vírus”, ressaltou. Atualmente, a vacinação contra o HPV é oferecida de forma gratuita no Brasil por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina é aplicada em crianças e adolescentes de 9 a 14 anos de idade, tanto meninas quanto meninos, além de mulheres e homens que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos. “Essas vacinas, já aprovadas desde 2006 nos Estados Unidos e que começaram a ser administradas em meninas a partir de 2014 no Brasil, agora vêm ampliando a sua cobertura em todo o mundo. Isso tem levado a uma redução das infecções e doenças por HPV, inclusive de câncer de colo de útero em vários países e, no Brasil, isso também já começa a ser observado”, disse a professora. “É importante observar que, passados dez anos de sua implementação em vários países, houve redução significativa tanto de verrugas genitais quanto de doenças precursoras, como o próprio câncer em alguns locais do corpo”, ressaltou. Prêmio Além de Luísa Lina Villa, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência também reconheceu a trajetória da professora emérita da Universidade de São Paulo (USP) Ana Mae Tavares Bastos Barbosa, na categoria Humanidades, e da professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Iris Concepcion Linares de Torriani, na área de Exatas e Ciências da Terra. A 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher também concedeu três menções honrosas. Na área de Humanidades, foi reconhecida Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora da Universidade de São Paulo. Em Exatas e Ciências da Terra, a homenagem foi concedida a Marilia Oliveira Fonseca Goulart, docente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Na área de Ciências Biológicas e da Saúde, a menção honrosa foi atribuída a Nísia Verônica Trindade Lima, professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Câmara aprova urgência para votar quebra de patente do Mounjaro

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (9) requerimento de regime de urgência para apreciar o Projeto de Lei nº 68, de 2026, que declara os remédios Mounjaro e Zepbound como de interesse público e pede a quebra de patente. Ambos são medicamentos agonistas do receptor GLP‑1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. Foram registrados, ao todo, 337 votos favoráveis e 19 contrários. O texto é de autoria dos deputados federais Antonio Brito (PSD-BA) e Mário Heringer (PDT-MG). Com a aprovação do regime de urgência, o projeto pode ser votado a qualquer momento no plenário, sem necessidade de passar pelas comissões da Casa. Alerta A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alerta de farmacovigilância sobre os riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras. O grupo inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida. Em nota, a Anvisa destacou que, embora o risco conste das bulas dos medicamentos aprovados no Brasil, as notificações têm aumentado tanto no cenário internacional quanto no cenário nacional, o que exige reforço das orientações de segurança. O monitoramento médico, segundo a agência, é motivado pelo risco de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais. No início do mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido também emitiu alerta para o risco, ainda que pequeno, de casos de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam canetas emagrecedoras.