Vacina da gripe não aumenta risco da doença, alerta ministério

O Ministério da Saúde alertou nesta quarta-feira (1º) que mensagens que circulam nas redes sociais voltaram a espalhar desinformação sobre vacinas. O alvo da vez, segundo a pasta, é a vacina contra a gripe. “Publicações afirmam, sem qualquer base científica, que o imunizante aumentaria o risco de contrair a própria gripe. A informação é falsa”, rebateu o ministério em nota. A pasta destacou que a vacina contra a gripe produzida no Brasil pelo Instituto Butantan apresenta eficácia comprovada na prevenção de hospitalizações e mortes, sobretudo entre grupos mais vulneráveis, como crianças pequenas e pessoas com 60 anos de idade ou mais. A dose contra a gripe disponível via Sistema Único de Saúde (SUS) é a Influenza trivalente, indicada para prevenir quadros clínicos graves, complicações, internações e óbitos causados pelo vírus. “O imunizante é recomendado pelo Ministério da Saúde, pré-qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e segue as orientações internacionais. Tanto a OMS quanto a agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), recomendam o uso de vacinas trivalentes”, reforçou o ministério. Boatos No comunicado, a pasta ressaltou que a vacina da gripe é produzida com vírus inativados, fragmentados e purificados, não sendo capaz de provocar a doença em quem é imunizado. “Logo, é falso afirmar que a vacina causa gripe mais forte ou aumenta o risco de infecção”, afirma. Um dos fatores que contribuem para a confusão, segundo o ministério, é o fato de que o vírus influenza circula com mais intensidade no outono e no inverno, período em que também aumentam os casos de outras viroses respiratórias, como parainfluenza, covid-19, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus. “Pessoas vacinadas podem ser infectadas por outros vírus respiratórios no mesmo período e apresentar sintomas semelhantes aos da gripe, o que pode gerar a falsa impressão de que a vacina não funcionou”, esclarece a pasta. “Na prática, a imunização reduz a chance de desenvolver sintomas graves e diminui significativamente o risco de internações e morte”, alerta o ministério. Vacinação A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou no sábado (28) e segue até o dia 30 de maio nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Podem receber a dose grupos prioritários que incluem idosos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, trabalhadores da saúde, professores, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência, forças de segurança, caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo, entre outros públicos classificados mais vulneráveis. Balanço recente divulgado pelo ministério indica que, desde o início da mobilização, mais de 2,3 milhões de doses foram distribuídas no país. “A vacinação anual é fundamental porque a composição da vacina é atualizada a cada ano, conforme orientações da OMS, para acompanhar as cepas mais prevalentes”, explica o ministério. Reforço A pasta informou ainda que reforçou a vigilância da Influenza A (H3N2), especialmente do subclado K, que vem sendo frequentemente registrada em países da América do Norte, como Estados Unidos e Canadá. No Brasil, até o momento, foram identificados apenas quatro casos do subclado K. As análises foram conduzidas por laboratórios de referência nacional, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Adolfo Lutz, seguindo protocolos rigorosos de vigilância. “A vigilância da Influenza inclui monitoramento contínuo de casos de síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (SRAG), diagnóstico precoce, investigação de eventos incomuns e fortalecimento do acesso à vacinação e a antivirais”, destacou o ministério. “A vacina contra a gripe não aumenta o risco da doença, ela salva vidas. Aderir à imunização é a forma mais eficaz de proteger a si mesmo e aos mais vulneráveis, reduzindo internações e evitando mortes”, garante o ministério. “Não espalhe desinformação. Confira sempre em sites de fontes oficiais, como do Ministérios da Saúde e da OMS, antes de repassar fake news”, alerta a pasta.
Prefeitura convoca médicos especialistas de diversas áreas

Foi publicado em Diário Oficial desta segunda-feira (30) a convocação de médicos especialistas de diversas áreas de atuação para reforçar o quadro de profissionais da rede municipal de saúde. Na publicação, consta a lista de dez especialidades diferentes, nas quais os profissionais chamados atuaram conforme em cargas horárias semanais diversas. Estão na lista médicos especialistas em otorrinolaringologia, oftalmologia subespecialidade em glaucoma, oftalmologia geral, cardiologia, reumatologia, ginecologia e obstetrícia, pediatria, medicina da família e comunidade, psiquiatria e clínico geral com atuação em saúde mental. Os profissionais trabalharão entre 12 e 40 horas por semana, de acordo com a inscrição feita no cadastro de médicos temporários da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). O candidato deverá se apresentar na sede da pasta conforme data e horário estabelecidos em edital. Aquele que não apresentar a documentação exigida dentro do prazo estipulado será considerado desistente, e só poderá ser convocado novamente mediante a uma nova inscrição no cadastro.
Chikungunya faz nova vítima e total chega a 6 mortes em Mato Grosso do Sul

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirmou, na última quinta-feira (26), a sexta morte por chikungunya em Mato Grosso do Sul. A vítima é um idoso de 72 anos, morador de Bonito, que faleceu no dia 19 de março após o caso ficar em investigação. O paciente tinha comorbidades, como hipertensão e diabetes, e apresentou os primeiros sintomas no dia 13 de março. Esta é a primeira morte registrada fora de Dourados, município que concentra a maior parte dos casos até agora. Em Bonito, já são 56 casos confirmados da doença e outros 74 em investigação. A cidade está em nível de risco vermelho, quando há mais de 300 casos por 100 mil habitantes, segundo o boletim epidemiológico. As outras cinco mortes ocorreram em Dourados, entre moradores de aldeias indígenas, incluindo idosos e dois bebês. O avanço da doença levou o município a decretar estado de emergência em saúde pública. Em todo o Estado, são 3.058 casos prováveis e 1.452 confirmações de chikungunya em 2026, incluindo 21 gestantes. Apenas nos três primeiros meses do ano, o número de mortes já ultrapassa um terço do total registrado em 2025, quando houve 17 óbitos, o maior número da série histórica recente.
Saúde promove neste sábado Dia D de vacinação nacional contra gripe

O Dia D de Vacinação contra a Influenza, neste sábado (28), marca o início da Campanha Nacional que continua até o dia 30 de maio em quatro regiões do país: Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. O período antecede a maior circulação do vírus nestas localidades. Somente na região Norte, a campanha será realizada no segundo semestre, em função da sazonalidade da doença. A imunização contra a influenza é gratuita nas unidades básicas de saúde (UBS). A mobilização é promovida anualmente pelo governo federal, com apoio de estados e municípios. A cada campanha, o Ministério da Saúde disponibiliza vacinas atualizadas para acompanhar as novas cepas do vírus em circulação no Brasil. Para 2026, o governo federal já distribuiu 15,7 milhões de doses da vacina trivalente contra a influenza. Para se vacinar, basta fazer parte do público recomendado e procurar a unidade de saúde da rede pública mais próxima. Público alvo A mobilização anual contra a gripe tem como público alvo crianças menores de 6 anos – de 6 meses até 5 anos, 11 meses e 29 dias de idade – além de gestantes, idosos com 60 anos e mais. Também são classificados como grupos prioritários as pessoas mais vulneráveis a formas graves da doença. No caso de crianças de 6 meses a 8 anos, o Ministério da Saúde esclarece que o esquema vacinal varia conforme o histórico: aquelas já imunizadas anteriormente receberão apenas uma dose; as não vacinadas devem receber duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas. Crianças indígenas a partir de 6 meses de idade devem seguir orientações de faixa etária e histórico vacinal. Pessoas com comorbidades e crianças de até 8 anos na mesma condição, e que ainda não foram vacinadas, também devem receber duas doses. Mensagem nos aplicativos Desde esta quinta-feira (26), o Ministério da Saúde tem enviado mensagens institucionais por aplicativos de comunicação. A iniciativa busca incentivar a vacinação e reforçar a divulgação de informações oficiais para ampliar a confiança nos canais institucionais. Influenza A vacina influenza trivalente já integra o Calendário Nacional de Vacinação. O imunizante é a principal forma de prevenção contra a influenza e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes. Dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo a influenza. Até 14 de março, foram notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas.
Combate à dengue é primeiro desafio de coalizão global de saúde

O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (24), que o combate à dengue será o primeiro foco de trabalho da Coalização Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo. A coalizão foi construída pela presidência brasileira do G20 em 2024 e tem como missão promover mundialmente o acesso equitativo a medicamentos, vacinas, terapias, diagnósticos e tecnologias de saúde. Há um olhar especial para países em desenvolvimento, cuja produção e inovação enfrentam mais obstáculos. Os membros do grupo, além do Brasil, são África do Sul, Alemanha, China, França, Indonésia, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Europeia e União Africana. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, justificou a escolha da dengue como eixo de ações prioritárias pelo fato de a doença ser endêmica em mais de 100 países e colocar em risco mais da metade da população mundial. A estimativa é de que ocorram entre 100 milhões e 400 milhões de infecções por ano. “Essa expansão está diretamente relacionada às mudanças climáticas no mundo, que têm provocado o aumento das temperaturas, novo volume de chuvas e níveis mais elevados de umidade: condições favoráveis para a sua transmissão. Assim como ocorre com outras arboviroses, como febre amarela, zika, chikungunya e febre oropouche”, disse o ministro. O ministro citou como exemplo de parcerias internacionais a que envolve a vacina contra a dengue Butantan DV, criada pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Um acordo com a empresa chinesa WuXi, anunciado no fim do ano passado, prevê ampliar a capacidade de fornecimento do imunizante para entregar cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026. “Acreditamos e nos movemos por um mundo com menos guerra, menos bomba, menos mortes de crianças, civis e profissionais de saúde. Pelo contrário, com mais vacinas e medicamentos acessíveis”, completou. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) responderá pelo secretariado executivo da coalizão e aposta na experiência internacional para conseguir alcançar os resultados propostos. “Temos elaborado projetos junto a outros países, sobretudo da África e da América Latina, na perspectiva da cooperação estruturante, formando competência local, científica, tecnológica e alguns casos também industrial”, disse Mario Moreira, presidente da Fiocruz. Mario Moreira participa na abertura da Coalizão Global do G20 para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo – Fernando Frazão/Agência Brasil Transferência tecnológica O ministério da Saúde também anunciou que iniciará a produção 100% nacional do medicamento imunossupressor Tacrolimo, que reduz a resposta do sistema imunológico e evita que o organismo rejeite órgãos transplantados. A transferência tecnológica completa foi feita em parceria com a Índia. “Cerca de 120 mil brasileiros recebem hoje o Tacrolimo pelo SUS, um medicamento que custa de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por mês. Uma pessoa transplantada vai tomar essa medicação ao longo de toda a vida”, disse o ministro. Com a produção nacional, o ministro destaca que os pacientes passam a ter segurança de que o tratamento vai chegar até eles independentemente do que aconteça no mundo. “Em caso de conflito, guerra, pandemia ou interrupção da circulação desse produto, a produção local está totalmente garantida pela nossa fundação pública”. Vacina de RNA Padilha também disse que um novo centro de competência para produzir vacina de RNA mensageiro (mRNA) será instalado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O mRNA é uma molécula que transporta instruções genéticas do DNA. Vacinas feitas com essa tecnologia utilizam apenas o código genético do patógeno (vírus, bactéria, parasita, etc.) para ajudar o corpo a produzir anticorpos. Não usam, portanto, o patógeno enfraquecido ou inativado como em vacinas tradicionais. Padilha explica que o país tem duas plataformas sendo desenvolvidas, uma na Fiocruz e outra no Instituto Butantan. Esses dois centros somam cerca de R$ 150 milhões em investimentos do governo federal. Agora, com o novo centro na UFMG, serão mais R$ 65 milhões investidos para o desenvolvimento dessa tecnologia. “O Brasil passa a ter três instituições públicas produzindo vacinas de RNA mensageiro, o que permitirá não apenas absorver e desenvolver tecnologias para outras doenças, mas também estar preparado para responder rapidamente a novas pandemias ou ao surgimento de novos vírus”, complementou.
IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes

Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Uma proporção semelhante também revelou que já teve vontade de se machucar de propósito. O IBGE entrevistou 118.099 adolescentes que frequentavam 4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil em 2024, e a amostra é considerada representativa do universo de estudantes do país. O quadro preocupante sobre a saúde mental dessa população inclui ainda 42,9% dos alunos que responderam que se sentem “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa” e 18,5% que pensam sempre, ou na maioria das vezes, que “a vida não vale a pena ser vivida”. Onde buscar ajuda Adolescentes e seus responsáveis ou quaisquer pessoas com pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida devem buscar acolhimento em sua rede de apoio, como familiares, amigos, educadores e também em serviços de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, é muito importante conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda, inclusive para buscar serviços de saúde. Serviços de saúde que podem ser procurados para atendimento: O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (188), e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias. Desamparo Apesar da gravidade dos números, menos da metade dos alunos frequentava uma escola que oferecia algum tipo de suporte psicológico, proporção que sobe para 58,2% na rede privada e cai para 45,8% na pública. A presença de profissional de saúde mental no quadro de funcionários da escola era ainda mais rara, sendo disponível a apenas 34,1% dos estudantes. A pesquisa também traz informações sobre a relação desses adolescentes com suas famílias e comunidades, e 26,1% dos estudantes disseram sentir constantemente que “ninguém se preocupa” com eles. Pouco mais de um terço dos alunos também achava que os pais ou responsáveis não entendiam seus problemas e preocupações e 20% contaram que foram agredidos fisicamente pelo pai, mãe ou responsável, pelo menos uma vez, nos 12 meses anteriores à pesquisa. Saúde mental e gênero Em todos os indicadores, os resultados entre as meninas são mais alarmantes do que entre os meninos. Resposta Meninas Meninos “Sentem-se tristes sempre ou na maiorias das vezes” 41% 16,7% “Já tiveram vontade de se machucar de propósito” 43,4% 20,5% “Se sentem irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa” 58,1% 27,6% “Pensam sempre, ou na maioria das vezes, que a vida não vale a pena ser vivida” 25% 12% “Acham que os pais ou responsáveis não entendem suas preocupações” 39,7% 33,5% “Acreditam que ninguém se preocupa com eles” 33% 19% Autoagressões A partir da amostra, o IBGE calculou que cerca de 100 mil estudantes brasileiros tiveram alguma lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores à pesquisa, o que equivale a 4,7% de todos que sofreram algum acidente ou lesão no período analisado. Entre eles, todos os indicadores são consideravelmente mais altos: As meninas também apresentam maior proporção de lesões autoprovocadas. Entre aquelas que sofreram algum ferimento, 6,8% se machucaram de propósito, contra 3% entre os meninos. “A criação de políticas públicas que contemplem essas diferenças entre os sexos é importante e urgente, para que as mulheres do país possam manter seu bem-estar e sua capacidade inegável de contribuição para a economia, para a sociedade e para o Estado brasileiro”, defendem os pesquisadores. Imagem corporal O nível de satisfação com a própria imagem corporal caiu para todos os estudantes desde a última edição da pesquisa, em 2019, de 66,5% para 58%. A situação é pior entre as alunas. Mais de um terço delas se disse insatisfeita com a própria aparência, contra menos de um quinto dos meninos. Além disso, apesar de 21% das alunas se considerarem gordas ou muito gordas, mais de 31% revelaram que estavam tentando perder peso. Ambas as proporções foram maiores entre o gênero feminino.
Patente da semaglutida cai nesta sexta-feira; entenda

A patente da semaglutida no Brasil expira nesta sexta-feira (20). A substância é o princípio ativo de alguns medicamentos agonistas do receptor GLP‑1 – como o Ozempic – e popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. A queda da patente abre caminho para versões mais baratas do remédio. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam que há, atualmente, oito processos em análise para novos medicamentos com o mesmo princípio ativo. Em nota, a agência informou que, neste momento, dois pedidos de registro de semaglutida sintética estão em exigência, ou seja, dependem da apresentação de dados da empresa para que a análise possa seguir em frente. “Nos dois casos, o prazo para resposta das empresas é até o final de junho e, por isso, não é possível definir prazos para conclusão do processo. Na área de biológicos, um produto está em análise e outro aguarda início de avaliação”, informou. Já os demais pedidos em avaliação, segundo a Anvisa, devem receber um posicionamento das áreas técnicas até o final de abril. “Esta posição pode ser pela aprovação, reprovação ou apresentação de exigência técnica”. Desafio técnico e segurança Ainda de acordo com a agência, os medicamentos à base de semaglutida registrados atualmente no país são classificados como produtos biológicos. Já os pedidos de registro em avaliação neste momento são de dois tipos: biossimilar, quando é obtido por via biológica; ou sintéticos, quando são obtidos por síntese química, sendo que esses últimos são chamados de análogos sintéticos de peptídeos biológicos. “No caso de medicamentos biológicos, não existe a opção de registro como genéricos, por isso, o produto deve se enquadrar em uma das duas categorias citadas acima. Esses produtos podem ser avaliados a partir de diversos ensaios de comparação com o produto biológico, mas não são genéricos nem similares – são análogos sintéticos de produtos biológicos.” Já a avaliação dos análogos sintéticos de semaglutida tem sido tratada, segundo a própria Anvisa, como um desafio técnico para as agências reguladoras em todo o mundo. “Até o momento, nenhuma das principais agências de medicamentos do mundo, como as do Japão, Europa e Estados Unidos, registrou análogos sintéticos da semaglutida”. “Um dos motivos é a necessidade de avaliar estes produtos utilizando parâmetros tanto de fármacos sintéticos como de biológicos. Isso ocorre porque esses produtos compartilham preocupações típicas de medicamentos sintéticos (ex. resíduos de solventes no processo, resíduos de catalisadores metálicos, impurezas com estrutura química semelhante) quanto as de produtos biológicos (ex. Risco de imunogenicidade, formação de agregados, entre outros).” Principais pontos de avaliação Entre os pontos citados pela Anvisa como foco de maior atenção técnica estão os ensaios de impurezas, a formação de agregados, a garantia de esterilidade e a imunogenicidade. “A avaliação busca garantir, por exemplo, que o medicamento não provoque reações imunes indesejadas, como a criação de anticorpos anti-fármaco, que podem levar à ineficácia de qualquer semaglutida para o paciente, ou mesmo reações de imunidade mais graves.” Justiça Em janeiro, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu não admitir a prorrogação do prazo de vigência das patentes do Ozempic e do Rybelsus, outro medicamento que tem a semaglutida como princípio ativo, mas no formato oral. A ação foi ajuizada pela empresa dinamarquesa Novo Nordisk e pela Novo Nordisk Farmacêutica do Brasil Ltda., detentoras das patentes do Ozempic e do Rybelsus, contra o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), requerendo o reconhecimento da mora administrativa na tramitação das referidas patentes. As instâncias ordinárias negaram os pedidos por considerarem que, a partir do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 5.529 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), consolidou-se o entendimento de que o prazo de vigência da patente de invenção é de 20 anos, a contar do depósito do pedido no Inpi, vedada a sua prorrogação judicial em razão de eventual demora na análise administrativa.
SUS ganha neste mês teleatendimento para mulheres expostas à violência

Mulheres expostas à violência ou em vulnerabilidade psicossocial que vivem no Recife e no Rio de Janeiro terão acesso a teleatendimento em saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir deste mês. O cronograma do Ministério da Saúde prevê que, em maio, a ação chegará a cidades com mais de 150 mil habitantes e, em junho, ao restante do país. Em nota, a pasta informou que estão previstos 4,7 milhões de teleatendimentos psicológicos ao ano, por meio de parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e com o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Para ter acesso ao serviço, as mulheres poderão ser orientadas e encaminhadas por unidades da atenção primária à saúde, unidades básicas de saúde (UBS) e serviços da rede de proteção. Também será possível buscar o atendimento diretamente pelo aplicativo Meu SUS Digital, por meio de um mini app previsto para começar a funcionar no fim do mês. Na plataforma, a mulher fará um cadastro para avaliação inicial da situação de violência e, a partir dessas informações, o aplicativo enviará uma mensagem com o dia e o horário do teleatendimento. A primeira consulta, segundo o ministério, identificará riscos, rede de apoio e demandas, com articulação junto a serviços de referência. “A gente lançou esta semana o teleatendimento como suporte para pessoas que já estão em situação de compulsão por jogos eletrônicos. E a gente vai construir o mesmo modelo, mas com arranjos diferentes na relação com a atenção primária em saúde e na pactuação com estados e municípios”, detalhou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Ofertar esse teleatendimento com psiquiatra, psicólogo, assistente social e, em algumas situações, com terapeuta ocupacional para mulheres – não só aquelas que já foram vítimas de violência, mas àquelas que estão sinalizando ou que estão em extrema vulnerabilidade”, completou.
Uma em cada cinco crianças e adolescentes tem sobrepeso ou obesidade

Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 revelam – no Dia Mundial da Obesidade, lembrado hoje (4) – que 20,7% das crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos em todo o planeta vivem com sobrepeso ou obesidade – o equivalente a um em cada cinco, totalizando 419 milhões. A previsão da Federação Mundial de Obesidade é que, até 2040, o número salte para 507 milhões de crianças e adolescentes no mundo com sobrepeso ou obesidade. Em nota, a entidade alerta que a obesidade e o sobrepeso na infância levam a condições semelhantes às observadas em adultos, incluindo quadros como hipertensão e doença cardiovascular. A estimativa é que, até 2040, 57,6 milhões de crianças apresentem sinais precoces de doença cardiovascular e que 43,2 milhões apresentem sinais de hipertensão. “O atlas mostra como as ações para enfrentar a obesidade infantil permanecem inadequadas em todo o mundo, com muitos países aquém do conjunto de políticas necessárias para prevenção, monitoramento, rastreamento e manejo”, destacou a federação, ao cobrar medidas firmes para reverter as tendências atuais. Entre as ações a serem implementadas, a entidade destaca impostos sobre bebidas adoçadas com açúcar; restrições ao marketing direcionado a crianças, incluindo plataformas digitais; implementação das recomendações globais de atividade física para crianças; proteção do aleitamento materno; padrões mais saudáveis de alimentação escolar e integração da prevenção e do cuidado aos sistemas de atenção primária. Brasil Os números revelam que, no Brasil, 6,6 milhões de crianças com idade entre 5 e 9 anos estão com sobrepeso ou obesidade. O número sobe para 9,9 milhões quando considerados crianças e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos, totalizando 16,5 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos vivendo com sobrepeso ou obesidade no país. Desse total, quase 1,4 milhão foram diagnosticados, em 2025, com hipertensão atribuída ao Índice de Massa Corporal (IMC), enquanto 572 mil foram diagnosticados com hiperglicemia atribuída ao IMC; 1,8 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e 4 milhões com doença hepática esteatótica metabólica (quando há acúmulo de gordura no fígado). A previsão é que, até 2040, os números no Brasil passem a ser os seguintes: mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos diagnosticados com hipertensão atribuída ao IMC; 635 mil com hiperglicemia atribuída ao IMC; 2,1 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e 4,6 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e doença hepática esteatótica metabólica. Análise Para o vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Bruno Halpern, o atlas mostra “crescimento assustador” nos índices de obesidade e sobrepeso infantil em todo o mundo, sobretudo em países de média e baixa renda. “A alimentação à base de alimentos pouco ricos nutricionalmente, ultraprocessados e baratos vem crescendo exponencialmente. Isso afeta mais crianças de classes socioeconômicas mais baixas dentro desses países.” “O Brasil não é exceção. Há dois anos, a gente já sabia que, em dez anos, metade das crianças e adolescentes no Brasil teria sobrepeso ou obesidade. Os dados estão se confirmando. Os índices estão crescendo, são alarmantes”, completou. Halpern, que também é membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e presidente eleito da Federação Mundial de Obesidade para o biênio 2027-2028, lembra que a obesidade é problema de todos. “Temos 8 bilhões de razões para agir – a população do mundo”. “Temos que sair da ideia de que a obesidade é um problema individual e entender que, hoje, é também um problema socioeconômico”, disse. “Se metade das crianças vai ter obesidade ou sobrepeso em alguns anos, não é problema dos outros, é problema de todos nós. Se não for o seu filho, vai ser o filho da sua irmã ou alguém muito próximo vivendo com isso”, completou. “Precisamos ter estratégias de taxação de ultraprocessados e refrigerantes, a gente precisa diminuir a propaganda infantil. A gente precisa trabalhar também a obesidade materna, que é um ponto que o atlas focou bem. Se a gente tratar a obesidade nas mães, pode ser uma forma de prevenir a obesidade dessas crianças no futuro”, concluiu. Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Telediagnóstico em dermatologia amplia acesso e identifica casos de câncer de pele em MS

O telediagnóstico em dermatologia tem fortalecido a rede pública de saúde em Mato Grosso do Sul ao permitir que lesões de pele sejam avaliadas por especialistas sem que o paciente precise, inicialmente, sair do município de origem. A estratégia integra o STT (Sistema de Telemedicina e Telessaúde) e é ofertada nacionalmente pelo Telessaúde da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em parceria com a Central Estadual de Telemedicina de Santa Catarina, referência no país. Além de ampliar o acesso, a ferramenta é reconhecida pelo Ministério da Saúde como estratégia capaz de aumentar a resolutividade da APS (Atenção Primária à Saúde), com potencial para solucionar cerca de 70% dos casos sem a necessidade de consulta presencial com dermatologista. O objetivo central é melhorar o acesso da população aos serviços de média e alta complexidade em dermatologia, classificando o risco das lesões e organizando a fila de encaminhamentos conforme a gravidade. A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destaca que a iniciativa fortalece o SUS (Sistema Único de Saúde) e garante mais resolutividade na ponta. “Estamos falando de uma ferramenta que qualifica a Atenção Primária, reduz deslocamentos desnecessários e permite que casos suspeitos de câncer sejam identificados com mais rapidez. Isso impacta diretamente no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes”, afirma. Como funciona o fluxo O processo começa na UBS (Unidade Básica de Saúde), onde o médico identifica uma lesão suspeita e solicita o exame pelo STT, sendo responsável pela triagem e decisão clínica. Em seguida, é realizado o registro fotográfico da lesão, etapa considerada decisiva para a qualidade do diagnóstico, que pode ser feita por profissional capacitado ou pelo próprio médico. As imagens e informações clínicas são enviadas pela plataforma e avaliadas por dermatologistas especializados. O laudo, com classificação de risco e conduta indicada, é devolvido à unidade solicitante em até 72 horas. O serviço atende tanto casos suspeitos de câncer de pele (melanoma e não melanoma) quanto outras dermatoses, permitindo que grande parte das situações seja resolvida na própria Atenção Primária, evitando encaminhamentos desnecessários e qualificando a fila para atendimento presencial. A superintendente de Saúde Digital da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Marcia Tomasi, ressalta que o telediagnóstico organiza o fluxo assistencial. “Além de ampliar o acesso ao especialista, o sistema estratifica o risco e prioriza quem realmente precisa de atendimento presencial. É tecnologia aplicada à gestão do cuidado, com impacto direto na eficiência da rede”, pontua. Diagnóstico precoce e impacto no câncer de pele Desde a implantação do serviço, em 2019, Mato Grosso do Sul já conta com 28 municípios, com 43 pontos de atendimento, aderidos à oferta de telediagnóstico em dermatologia. Com base nos dados do serviço, foram identificados casos de melanoma e câncer de pele não melanoma em diferentes macrorregiões do estado. Melanoma Não melanoma Os números reforçam a importância da detecção precoce, especialmente no caso do melanoma, que apresenta maior agressividade. Ao identificar a lesão em estágio inicial e encaminhar rapidamente para confirmação e tratamento, aumentam-se significativamente as chances de cura e controle da doença. A coordenadora do Telessaúde da SES, Rosângela Dobbro, destaca que a qualidade do registro é determinante para o sucesso do serviço. “O exame só é validado quando segue rigorosamente os protocolos de imagem, identificação e consentimento do paciente. Investimos na capacitação das equipes porque quanto melhor o registro, mais preciso é o laudo e mais ágil é a conduta clínica”, explica. Estrutura, segurança e adesão dos municípios Para implantar o serviço, o município deve formalizar adesão ao Telessaúde e adquirir o Kit de Dermatologia, composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento de captura de imagem (smartphone ou câmera digital), seguindo especificações técnicas mínimas de qualidade. A habilitação exige cadastro no sistema, capacitação para realização do registro fotográfico e cumprimento dos protocolos de segurança, incluindo identificação adequada das lesões e termo de consentimento assinado pelo paciente antes do envio das imagens. Casos graves e pacientes sintomáticos não devem aguardar o laudo do sistema e devem ser encaminhados imediatamente para a rede de urgência e emergência. Tecnologia a serviço da Atenção Primária De natureza ambulatorial, a teledermatologia fortalece a resolutividade da Atenção Primária e amplia a capacidade diagnóstica dos municípios. Ao mesmo tempo em que evita deslocamentos e filas desnecessárias, garante prioridade aos casos de maior risco e contribui diretamente para o enfrentamento do câncer de pele no estado. André Lima, Comunicação SESFoto: Arquivo SES