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SUS ganha neste mês teleatendimento para mulheres expostas à violência

Mulheres expostas à violência ou em vulnerabilidade psicossocial que vivem no Recife e no Rio de Janeiro terão acesso a teleatendimento em saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir deste mês. O cronograma do Ministério da Saúde prevê que, em maio, a ação chegará a cidades com mais de 150 mil habitantes e, em junho, ao restante do país. Em nota, a pasta informou que estão previstos 4,7 milhões de teleatendimentos psicológicos ao ano, por meio de parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e com o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Para ter acesso ao serviço, as mulheres poderão ser orientadas e encaminhadas por unidades da atenção primária à saúde, unidades básicas de saúde (UBS) e serviços da rede de proteção. Também será possível buscar o atendimento diretamente pelo aplicativo Meu SUS Digital, por meio de um mini app previsto para começar a funcionar no fim do mês. Na plataforma, a mulher fará um cadastro para avaliação inicial da situação de violência e, a partir dessas informações, o aplicativo enviará uma mensagem com o dia e o horário do teleatendimento. A primeira consulta, segundo o ministério, identificará riscos, rede de apoio e demandas, com articulação junto a serviços de referência. “A gente lançou esta semana o teleatendimento como suporte para pessoas que já estão em situação de compulsão por jogos eletrônicos. E a gente vai construir o mesmo modelo, mas com arranjos diferentes na relação com a atenção primária em saúde e na pactuação com estados e municípios”, detalhou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Ofertar esse teleatendimento com psiquiatra, psicólogo, assistente social e, em algumas situações, com terapeuta ocupacional para mulheres – não só aquelas que já foram vítimas de violência, mas àquelas que estão sinalizando ou que estão em extrema vulnerabilidade”, completou.

Uma em cada cinco crianças e adolescentes tem sobrepeso ou obesidade

Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 revelam – no Dia Mundial da Obesidade, lembrado hoje (4) – que 20,7% das crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos em todo o planeta vivem com sobrepeso ou obesidade – o equivalente a um em cada cinco, totalizando 419 milhões. A previsão da Federação Mundial de Obesidade é que, até 2040, o número salte para 507 milhões de crianças e adolescentes no mundo com sobrepeso ou obesidade. Em nota, a entidade alerta que a obesidade e o sobrepeso na infância levam a condições semelhantes às observadas em adultos, incluindo quadros como hipertensão e doença cardiovascular. A estimativa é que, até 2040, 57,6 milhões de crianças apresentem sinais precoces de doença cardiovascular e que 43,2 milhões apresentem sinais de hipertensão. “O atlas mostra como as ações para enfrentar a obesidade infantil permanecem inadequadas em todo o mundo, com muitos países aquém do conjunto de políticas necessárias para prevenção, monitoramento, rastreamento e manejo”, destacou a federação, ao cobrar medidas firmes para reverter as tendências atuais. Entre as ações a serem implementadas, a entidade destaca impostos sobre bebidas adoçadas com açúcar; restrições ao marketing direcionado a crianças, incluindo plataformas digitais; implementação das recomendações globais de atividade física para crianças; proteção do aleitamento materno; padrões mais saudáveis de alimentação escolar e integração da prevenção e do cuidado aos sistemas de atenção primária. Brasil Os números revelam que, no Brasil, 6,6 milhões de crianças com idade entre 5 e 9 anos estão com sobrepeso ou obesidade. O número sobe para 9,9 milhões quando considerados crianças e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos, totalizando 16,5 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos vivendo com sobrepeso ou obesidade no país. Desse total, quase 1,4 milhão foram diagnosticados, em 2025, com hipertensão atribuída ao Índice de Massa Corporal (IMC), enquanto 572 mil foram diagnosticados com hiperglicemia atribuída ao IMC; 1,8 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e 4 milhões com doença hepática esteatótica metabólica (quando há acúmulo de gordura no fígado). A previsão é que, até 2040, os números no Brasil passem a ser os seguintes: mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos diagnosticados com hipertensão atribuída ao IMC; 635 mil com hiperglicemia atribuída ao IMC; 2,1 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e 4,6 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e doença hepática esteatótica metabólica. Análise Para o vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Bruno Halpern, o atlas mostra “crescimento assustador” nos índices de obesidade e sobrepeso infantil em todo o mundo, sobretudo em países de média e baixa renda. “A alimentação à base de alimentos pouco ricos nutricionalmente, ultraprocessados e baratos vem crescendo exponencialmente. Isso afeta mais crianças de classes socioeconômicas mais baixas dentro desses países.” “O Brasil não é exceção. Há dois anos, a gente já sabia que, em dez anos, metade das crianças e adolescentes no Brasil teria sobrepeso ou obesidade. Os dados estão se confirmando. Os índices estão crescendo, são alarmantes”, completou. Halpern, que também é membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e presidente eleito da Federação Mundial de Obesidade para o biênio 2027-2028, lembra que a obesidade é problema de todos. “Temos 8 bilhões de razões para agir – a população do mundo”. “Temos que sair da ideia de que a obesidade é um problema individual e entender que, hoje, é também um problema socioeconômico”, disse. “Se metade das crianças vai ter obesidade ou sobrepeso em alguns anos, não é problema dos outros, é problema de todos nós. Se não for o seu filho, vai ser o filho da sua irmã ou alguém muito próximo vivendo com isso”, completou. “Precisamos ter estratégias de taxação de ultraprocessados e refrigerantes, a gente precisa diminuir a propaganda infantil. A gente precisa trabalhar também a obesidade materna, que é um ponto que o atlas focou bem. Se a gente tratar a obesidade nas mães, pode ser uma forma de prevenir a obesidade dessas crianças no futuro”, concluiu. Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Telediagnóstico em dermatologia amplia acesso e identifica casos de câncer de pele em MS

O telediagnóstico em dermatologia tem fortalecido a rede pública de saúde em Mato Grosso do Sul ao permitir que lesões de pele sejam avaliadas por especialistas sem que o paciente precise, inicialmente, sair do município de origem. A estratégia integra o STT (Sistema de Telemedicina e Telessaúde) e é ofertada nacionalmente pelo Telessaúde da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em parceria com a Central Estadual de Telemedicina de Santa Catarina, referência no país. Além de ampliar o acesso, a ferramenta é reconhecida pelo Ministério da Saúde como estratégia capaz de aumentar a resolutividade da APS (Atenção Primária à Saúde), com potencial para solucionar cerca de 70% dos casos sem a necessidade de consulta presencial com dermatologista. O objetivo central é melhorar o acesso da população aos serviços de média e alta complexidade em dermatologia, classificando o risco das lesões e organizando a fila de encaminhamentos conforme a gravidade. A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destaca que a iniciativa fortalece o SUS (Sistema Único de Saúde) e garante mais resolutividade na ponta. “Estamos falando de uma ferramenta que qualifica a Atenção Primária, reduz deslocamentos desnecessários e permite que casos suspeitos de câncer sejam identificados com mais rapidez. Isso impacta diretamente no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes”, afirma. Como funciona o fluxo O processo começa na UBS (Unidade Básica de Saúde), onde o médico identifica uma lesão suspeita e solicita o exame pelo STT, sendo responsável pela triagem e decisão clínica. Em seguida, é realizado o registro fotográfico da lesão, etapa considerada decisiva para a qualidade do diagnóstico, que pode ser feita por profissional capacitado ou pelo próprio médico. As imagens e informações clínicas são enviadas pela plataforma e avaliadas por dermatologistas especializados. O laudo, com classificação de risco e conduta indicada, é devolvido à unidade solicitante em até 72 horas. O serviço atende tanto casos suspeitos de câncer de pele (melanoma e não melanoma) quanto outras dermatoses, permitindo que grande parte das situações seja resolvida na própria Atenção Primária, evitando encaminhamentos desnecessários e qualificando a fila para atendimento presencial. A superintendente de Saúde Digital da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Marcia Tomasi, ressalta que o telediagnóstico organiza o fluxo assistencial. “Além de ampliar o acesso ao especialista, o sistema estratifica o risco e prioriza quem realmente precisa de atendimento presencial. É tecnologia aplicada à gestão do cuidado, com impacto direto na eficiência da rede”, pontua. Diagnóstico precoce e impacto no câncer de pele Desde a implantação do serviço, em 2019, Mato Grosso do Sul já conta com 28 municípios, com 43 pontos de atendimento, aderidos à oferta de telediagnóstico em dermatologia. Com base nos dados do serviço, foram identificados casos de melanoma e câncer de pele não melanoma em diferentes macrorregiões do estado. Melanoma Não melanoma Os números reforçam a importância da detecção precoce, especialmente no caso do melanoma, que apresenta maior agressividade. Ao identificar a lesão em estágio inicial e encaminhar rapidamente para confirmação e tratamento, aumentam-se significativamente as chances de cura e controle da doença. A coordenadora do Telessaúde da SES, Rosângela Dobbro, destaca que a qualidade do registro é determinante para o sucesso do serviço. “O exame só é validado quando segue rigorosamente os protocolos de imagem, identificação e consentimento do paciente. Investimos na capacitação das equipes porque quanto melhor o registro, mais preciso é o laudo e mais ágil é a conduta clínica”, explica. Estrutura, segurança e adesão dos municípios Para implantar o serviço, o município deve formalizar adesão ao Telessaúde e adquirir o Kit de Dermatologia, composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento de captura de imagem (smartphone ou câmera digital), seguindo especificações técnicas mínimas de qualidade. A habilitação exige cadastro no sistema, capacitação para realização do registro fotográfico e cumprimento dos protocolos de segurança, incluindo identificação adequada das lesões e termo de consentimento assinado pelo paciente antes do envio das imagens. Casos graves e pacientes sintomáticos não devem aguardar o laudo do sistema e devem ser encaminhados imediatamente para a rede de urgência e emergência. Tecnologia a serviço da Atenção Primária De natureza ambulatorial, a teledermatologia fortalece a resolutividade da Atenção Primária e amplia a capacidade diagnóstica dos municípios. Ao mesmo tempo em que evita deslocamentos e filas desnecessárias, garante prioridade aos casos de maior risco e contribui diretamente para o enfrentamento do câncer de pele no estado. André Lima, Comunicação SESFoto: Arquivo SES

Butantan antecipa entrega de 1,3 mi de vacinas contra dengue ao SUS

O Instituto Butantan anunciou nesta terça-feira (24) que antecipará para o primeiro semestre de 2026 a entrega de 1,3 milhão de doses da vacina contra dengue Butantan-DV ao Sistema Único de Saúde (SUS).  Inicialmente. o lote seria entregue no segundo semestre deste ano. Com o novo prazo, serão distribuídas ao todo 2,6 milhões de doses no primeiro semestre. A vacina Butantan-DV é produzida no parque fabril do próprio instituto, na capital paulista. O imunizante, aplicado em dose única, tetraviral e 100% nacional, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser utilizado na população brasileira de 12 a 59 anos. Nesse público, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue. Na segunda semana de fevereiro, o Ministério da Saúde iniciou a vacinação contra a dengue dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde das Unidades Básicas de Saúde) da Atenção Primária, com a previsão de proteger 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente do SUS.  Novo terreno O governo do estado de São Paulo anunciou, também nesta segunda-feira, a transferência de um terreno no bairro do Jaguaré, zona oeste do município de São Paulo, para a criação de um novo polo de inovação e desenvolvimento de imunobiológicos do Instituto Butantan, além do investimento de R$ 1,38 bilhão em novas fábricas para produção de vacinas e imunobiológicos. “Nessa área, vamos produzir nosso parque fabril para levarmos São Paulo onde queremos: um expoente máximo da ciência, da biotecnologia, do desenvolvimento e da inovação em Saúde no nosso país”, disse o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva.

Mais Médicos Especialistas: inscrições terminam neste domingo

O prazo para se inscrever no novo edital do Mais Médicos Especialistas termina neste domingo (22). O projeto vai contratar 1.206 profissionais em 16 especialidades consideradas prioritárias para o Sistema Único de Saúde (SUS). O programa do governo federal pretende contratar especialistas em: Médicos interessados em participar do projeto devem acessar a plataforma UNA-SUS e escolher pelo menos um município e um estabelecimento de saúde. É possível indicar até dois locais de atuação, inclusive em estados diferentes, respeitando a ordem de preferência. O valor fixo da bolsa é de R$ 10 mil, podendo incluir uma parte variável entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, de acordo com o grau de vulnerabilidade do município de atuação. Além da bolsa mensal, os médicos receberão ajuda de custo destinada a despesas com imersões presenciais nas instituições formadoras. “O repasse está condicionado à participação efetiva nas atividades previstas no edital, com carga horária semanal de 20 horas – das quais 16 serão dedicadas a atividades assistenciais –, e não estabelece vínculo empregatício”, informou o Ministério da Saúde em nota.

Capacitação de enfermeiros em programa de saúde mental divide opiniões

Em meio ao aumento da demanda por atendimento psicológico e psiquiátrico no país, um programa vem sendo implementado de forma experimental em pelo menos duas cidades brasileiras para ampliar o cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS). Desenvolvido pela organização sem fins lucrativos ImpulsoGov, sediada em São Paulo, o Programa de Saúde Mental para Atenção Primária à Saúde (Proaps) está em fase de testes em Aracaju e Santos. A proposta é capacitar enfermeiros e agentes comunitários de saúde para oferecer acolhimento estruturado a pacientes com sintomas leves ou moderados de transtornos mentais. O trabalho é feito sob supervisão de psicólogos e psiquiatras vinculados à Rede de Atenção Psicossocial ou contratados pela entidade. O Proaps também começou a ser implementado em São Caetano do Sul (SP), mas foi encerrado por motivos que a prefeitura não explicou à reportagem. A saúde mental é um problema que preocupa 52% dos brasileiros. Além disso, 43% relatam dificuldades de acesso por causa do custo ou da demora na rede pública.   A metodologia segue diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Sistema Único de Saúde (SUS). O curso prevê 20 horas de formação teórica. Casos considerados graves são encaminhados à rede especializada. Os acordos para capacitação foram firmados pelos próprios municípios que têm autonomia para implementar iniciativas de qualificação profissional. Segundo a ImpulsoGov, os primeiros resultados indicam redução média de 50% nos sintomas depressivos entre os pacientes acompanhados, além de impacto na diminuição das filas por atendimento especializado. Delegação de competências A proposta, contudo, suscita ressalvas de algumas entidades. Sem avaliar diretamente o programa, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) sinalizou preocupação quanto aos limites da delegação de competências. O órgão destaca que o SUS já adota o chamado “matriciamento”, estratégia de integração multiprofissional que articula saúde mental e atenção primária sem substituir a atuação técnica de psicólogos e psiquiatras. Para o conselho, o enfrentamento da crescente demanda passa por investimentos estruturantes, como o fortalecimento dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), a ampliação das equipes e a contratação de especialistas por concurso público. Dados do Boletim Radar SUS 2025 citados pela entidade indicam que, embora o número de psicólogos no país tenha crescido 160% entre 2010 e 2023, a proporção desses profissionais atuando no SUS diminuiu, ampliando desigualdades regionais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Em nota, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) informou que não tinha conhecimento do projeto. Segundo a entidade, como integrantes das equipes da Atenção Primária à Saúde, os enfermeiros já recebem capacitação para prestar cuidados em saúde mental nos casos considerados leves e moderados, devendo encaminhar os casos graves para os serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps).  “Já em relação à situação apresentada, é necessário compreender o que está sendo compreendido por supervisão. As atividades de competência privativa dos enfermeiros são exclusivas da categoria, logo, sua supervisão por um profissional de outra categoria parece inadequada”, ponderou o Cofen, destacando a semelhança entre o Proaps e princípios e diretrizes que já norteiam a Política Nacional de Atenção Básica, como o apoio matricial e o compartilhamento de saberes entre as equipes de referência e especialistas.  “Talvez o que esteja sendo proposto seja a discussão dos casos com as equipes de referência. Essa situação na área da saúde mental é chamada de ‘matriciamento’ e é recomendada que as equipes dos Caps o realizem juntos às equipes da Atenção Primária, envolvendo não somente a enfermagem, mas os médicos, psicólogos e demais profissionais atuantes nas Estratégias de Saúde da Família (ESF)”, comentou o Cofen ao citar a previsão de articulação das equipes (matriciamento) como forma de garantir um atendimento integral e resolutivo. Defesa da complementaridade Coordenadora de produtos da ImpulsoGov, Evelyn da Silva Bitencourt afirma que o objetivo do Proaps não é substituir psicólogos ou psiquiatras, mas capacitar profissionais que já atuam na porta de entrada do sistema. Segundo ela, a saúde mental está entre os cinco principais motivos de atendimento na atenção básica, ao lado de hipertensão, diabetes e cuidados infantis.  “É uma demanda que já chega na atenção primária, mas para a qual os profissionais não especializados não recebem nenhum tipo de formação. Não estamos falando em resolver todas as demandas, mas sim sobre conseguir acolher o que a pessoa está sentindo, conseguir conversar sem invalidar as emoções da pessoa”, afirma a coordenadora Após a identificação do sofrimento emocional – que pode incluir a aplicação de instrumentos como o PHQ-9, utilizado para rastrear sintomas depressivos -, o profissional decide se o paciente pode ser acompanhado na própria unidade ou se deve ser encaminhado a um especialista. “Se for um munícipe em sofrimento leve ou moderado, eles [enfermeiros e agentes comunitários] têm instrumentos para atender à pessoa na própria unidade, por até quatro encontros, seguindo um protocolo de acolhimento interpessoal baseado em evidências.” Para a coordenadora, a iniciativa reforça o matriciamento ao oferecer instrumentos complementares às equipes da atenção primária e fortalecer a articulação com a rede especializada. Autonomia local  Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou que estados e municípios têm autonomia para implementar iniciativas de qualificação profissional, conforme o modelo de gestão tripartite do SUS.  A pasta destacou que o país conta com uma das maiores redes públicas de saúde mental do mundo, com mais de 6,27 mil pontos de atenção em saúde mental, incluindo cerca de 3 mil Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Ainda segundo o ministério, o investimento federal na área cresceu 70% entre 2023 e 2025, alcançando R$ 2,9 bilhões no último ano. Projetos piloto Em Aracaju, o programa foi implementado por meio de acordo de cooperação técnica firmado em 2024 e renovado até 2027. Segundo a prefeitura, 20 servidores de 14 unidades participaram da capacitação no ano passado, realizando 472 atendimentos iniciais. Mais da metade dos pacientes atendidos acessava o serviço pela primeira vez. Na capital sergipana, os primeiros resultados indicam redução média de 44% nos sintomas depressivos e melhora de quase 41% na percepção subjetiva do humor. A rede municipal conta atualmente com 28 psicólogos e cinco médicos de saúde mental, que atendem, em média, 1.950 pacientes

Terceiro caso de raiva em morcegos mobiliza alerta de saúde pública em Campo Grande

Campo Grande confirmou o terceiro caso de raiva em morcegos neste ano, com registros nos bairros Vivendas do Bosque, Centro e Santa Fé. O CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) recolheu os animais após moradores perceberem comportamento anormal, e exames laboratoriais confirmaram a presença do vírus. Diante da situação, a Sesau orienta que a vacinação antirrábica de cães e gatos seja mantida em dia, destacando que essa medida protege tanto os animais quanto a população, evitando a disseminação do vírus no ambiente urbano. A imunização está disponível durante todo o ano no CCZ, na Avenida Senador Filinto Müller, 1.601, Vila Ipiranga, com horários estendidos nos finais de semana e feriados. A secretaria alerta que, ao encontrar um morcego caído ou com comportamento estranho, a população não deve tocar no animal. O correto é acionar imediatamente o CCZ para recolhimento seguro, evitando risco de contaminação. O Centro de Controle de Zoonoses disponibiliza atendimento geral pelo telefone (67) 3313-5000 e WhatsApp (67) 99142-5701, além de plantão noturno e atendimento aos finais de semana e feriados para recolhimento de animais.

Anvisa suspende venda de fórmula infantil Alfamino, da Nestlé

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a comercialização, a distribuição, a importação, a propaganda e o uso de 10 lotes da fórmula infantil Alfamino 400g, fabricada pela Nestlé Brasil Ltda. De acordo com o texto, a decisão foi motivada considerando a presença de selênio e iodo em quantidades acima dos limites permitidos na legislação sanitária. A norma determina ainda o recolhimento dos lotes em questão. O número dos lotes são: Segundo a Anvisa, as análises apontaram 31,1 microgramas de selênio por 100 quilocalorias e 175,7 microgramas de iodo por 100 quilocalorias. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp A fórmula infantil Alfamino 400g é destinada a lactentes e crianças com necessidades alimentares específicas, como restrição à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca (APLV). Em nota, a Nestlé informou que houve um “erro de conversão na declaração da unidade de medida (mcg/kg em vez de mcg/100g)” referente ao selênio e que está em contato com a Anvisa para esclarecimentos.   “Cumprindo recentes solicitações da autoridade em relação a suas fórmulas infantis, foram apresentados laudos de avaliação dos produtos. Ocorre que houve um erro de conversão na declaração da unidade de medida (mcg/kg em vez de mcg/100g) — onde consta Selênio 31,1 microgramas por 100 kcal e Iodo 175,7 microgramas por 100 kcal, a informação correta é Selênio 3,11 microgramas por 100 kcal e Iodo 17,57 microgramas por 100 kcal, parâmetros esses que estão em conformidade com a legislação”, explica a empresa. A Nestlé ressalta que “seus produtos atendem estritamente a todos os parâmetros normativos estabelecidos e, portanto, são seguros para o consumo”.

SES amplia rede de diagnóstico e qualifica a assistência hospitalar em Mato Grosso do Sul

Com foco na ampliação do diagnóstico, no fortalecimento das cirurgias e no aumento da segurança assistencial, o Governo de MS, por meio da SES (Secretaria de Estado de Saúde), iniciou a entrega de equipamentos de alta tecnologia para hospitais em diversas regiões do Estado A iniciativa integra a estratégia estadual de modernização da rede hospitalar e de consolidação da regionalização da saúde, permitindo ampliar a capacidade de atendimento, descentralizar procedimentos e qualificar os serviços prestados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O investimento total na aquisição dos equipamentos supera R$ 55,6 milhões. Entre os principais equipamentos entregues ou em processo de instalação estão arcos cirúrgicos, esterilizadores de baixa temperatura, carros de anestesia, bisturis eletrônicos, ultrassons, autoclaves, mamógrafos, aparelhos de hemodiálise, torres de videolaparoscopia e equipamentos de diagnóstico por imagem, como raio-x fixo, ressonância magnética e tomografia computadorizada. De acordo com a secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, a modernização do parque tecnológico é essencial para ampliar o acesso e garantir mais qualidade à assistência. “Estamos fortalecendo hospitais regionais, ampliando o diagnóstico e dando suporte às cirurgias, para que a população tenha acesso a atendimentos mais resolutivos, com qualidade e segurança, mais perto de casa”, destacou Maymone. Regionalização fortalece hospitais estratégicos A distribuição dos equipamentos segue o planejamento da SES dentro da proposta de regionalização da saúde, fortalecendo unidades estratégicas e reduzindo a necessidade de transferência de pacientes para grandes centros. Municípios como Aquidauana, Coxim, Ponta Porã, Nova Andradina, Chapadão do Sul, Três Lagoas, Dourados, entre outros, foram contemplados. Em Coxim, a unidade recebeu mamógrafo, torres de videolaparoscopia, focos e mesas cirúrgicas, além de equipamentos de hemodiálise e anestesia. Em Ponta Porã, a modernização inclui mamógrafo, arco cirúrgico, raio-x fixo e novos equipamentos para o centro cirúrgico. Aquidauana passou a contar com máquinas e poltronas de hemodiálise, torre de videolaparoscopia e será contemplada com arco cirúrgico, esterilizadora e raio-x fixo. Outros municípios, como Corumbá, Jardim, Três Lagoas, Nova Andradina, Paranaíba e Costa Rica, também estão sendo fortalecidos com equipamentos estratégicos. Hospital de Dourados amplia estrutura para alta complexidade Um dos principais destaques é o HRD (Hospital Regional de Dourados Olga Castoldi Parizotto), que recebeu estrutura completa para a realização de procedimentos de maior complexidade. A unidade foi equipada com duas torres de videolaparoscopia e contará com ressonância magnética, além de cardioversores, monitores multiparâmetros e tomografia computadorizada. Além do hospital, a Policlínica da Região Cone Sul também está sendo contemplada, ampliando a oferta de exames e procedimentos especializados e fortalecendo a região como polo de referência em média e alta complexidade. Modernização eleva qualidade e segurança assistencial Para a gerente de Equipamentos da SES, Juliana Fernandes, a modernização do parque tecnológico representa um avanço direto na qualidade do atendimento. “São equipamentos que ampliam a capacidade diagnóstica e cirúrgica das unidades e garantem mais segurança para pacientes e profissionais, fortalecendo a assistência hospitalar em todo o Estado”, afirmou Juliana. André Lima, Comunicação SESFotos: Bruno Rezende/Secom

Norma da Anvisa sobre receitas controladas impressas entra em vigor

A partir desta sexta-feira (13), todos os receituários para prescrição de medicamentos controlados podem ser impressos em gráficas pelos próprios profissionais prescritores e pelas instituições de saúde. A norma foi aprovada pela diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim do ano passado. Até então, alguns desses receituários — como os de cor amarela — eram impressos exclusivamente pela autoridade sanitária local. Com a publicação da resolução, a impressão de todos os modelos pode ser feita pelos próprios prescritores e pelas instituições. Em nota, a Anvisa informou que a medida integra um conjunto de ações de desburocratização e simplificação do acesso da população brasileira a medicamentos e reforçou que a norma não elimina a exigência de impressão nem a obrigatoriedade de numeração fornecida pela autoridade sanitária local. “Assim, prescritores e instituições devem continuar solicitando previamente essa numeração junto à autoridade sanitária competente e, a partir de 13 de fevereiro, poderão providenciar a impressão dos receituários em gráfica”, destacou a agência no comunicado. A Anvisa ressaltou ainda que a resolução não altera outras regras estabelecidas por autoridades sanitárias locais. Em caso de dúvidas sobre exigências complementares relacionadas ao procedimento de impressão, a orientação é consultar a autoridade sanitária da respectiva localidade. De acordo com a agência, os modelos de receituários anteriormente publicados nos anexos da Portaria nº 344/1998 deixam de ser válidos para novas impressões a partir desta sexta-feira. Os novos modelos a serem utilizados podem ser consultados na página do Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR). Receituários impressos até 12 de fevereiro de 2026 continuam válidos por tempo indeterminado. A norma prevê ainda que, até junho, a Anvisa disponibilize uma ferramenta no SNCR que permite a emissão eletrônica de todos os receituários de medicamentos controlados. “Até a disponibilização dessa funcionalidade, não há mudanças quanto à emissão eletrônica”. “Para a emissão de notificações de receita em formato eletrônico, será necessário aguardar a implementação da ferramenta”, informou a agência. Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil