As notificações de chikungunya voltaram a crescer em Dourados, município localizado a aproximadamente 230 quilômetros de Campo Grande. Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam um aumento de 46,7% nos registros da doença em apenas uma semana, reacendendo a preocupação das autoridades sanitárias.
Entre os dias 18 e 24 de outubro, foram contabilizadas 66 notificações, contra 45 na semana anterior. Os números fazem parte do boletim da 42ª semana epidemiológica, elaborado pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica do município.
Desde o início de 2026, Dourados acumula 10.892 notificações de chikungunya, sendo 5.307 casos confirmados e 19 mortes. Outros 5.461 registros foram descartados e 124 ainda aguardam classificação. Entre os pacientes com diagnóstico confirmado, 79 são gestantes.
Embora os registros atuais estejam abaixo do pico observado no início do ano, quando o município chegou a contabilizar 1.215 notificações em uma única semana, a retomada do crescimento exige atenção.
Chuvas e temperaturas elevadas favorecem proliferação do mosquito
O aumento das temperaturas e o volume de chuvas registrados na região criam condições favoráveis à reprodução do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da chikungunya, dengue e zika.
A Prefeitura de Dourados mantém equipes de agentes de endemias e do Centro de Controle de Zoonoses mobilizadas para combater os criadouros do mosquito.
As ações estão concentradas especialmente nos bairros Parque das Nações I, Jardim Márcia, Vila Guarani, São Cristóvão, Vila Vieira e Vila Industrial, regiões que apresentam maior concentração de casos positivos.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, o trabalho de controle do mosquito permanece ativo desde a epidemia enfrentada pelo município. No entanto, a participação dos moradores continua sendo fundamental para evitar novos aumentos.
A rede municipal de saúde também acompanha a situação diante da possibilidade de crescimento na procura por atendimentos nas unidades básicas e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Zika e dengue também preocupam
Além da chikungunya, Dourados registrou 12 casos de zika nos últimos dias, situação que exige atenção especial às gestantes devido aos riscos associados à infecção durante a gravidez.
A dengue também permanece sob monitoramento. O município contabiliza 1.411 notificações e 160 casos confirmados por exames laboratoriais, sem registro de mortes pela doença no período informado.
As três doenças são transmitidas pelo Aedes aegypti, o que reforça a necessidade de medidas permanentes de prevenção.
Sintomas exigem atenção
A chikungunya pode provocar febre, dores intensas nas articulações, dor de cabeça, cansaço e manchas avermelhadas na pele.
Uma das principais características da doença é a dor articular, que pode persistir por semanas ou meses, mesmo após a fase inicial da infecção.
Pessoas que apresentarem sintomas devem procurar atendimento médico para avaliação e orientação adequada.
É importante evitar a automedicação, especialmente com anti-inflamatórios, até que a possibilidade de dengue seja descartada, devido ao risco de complicações.
Prevenção começa dentro de casa
A Secretaria Municipal de Saúde orienta os moradores a dedicarem pelo menos dez minutos por dia à identificação e eliminação de possíveis criadouros do mosquito.
Entre os principais cuidados estão manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas, descartar recipientes que possam acumular água e verificar vasos de plantas, pneus e garrafas.
O uso de repelentes também é recomendado, especialmente para gestantes e pessoas que vivem em áreas com maior circulação do mosquito.
As autoridades reforçam que o combate ao Aedes aegypti depende de ações conjuntas entre o poder público e a população, principalmente durante os períodos de chuva e calor.