Cerest de Campo Grande está entre os melhores do Brasil

O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) Regional de Campo Grande alcançou pontuação máxima na avaliação nacional promovida pelo Ministério da Saúde referente ao ano de 2025, consolidando a Capital como destaque no cenário brasileiro da Vigilância em Saúde do Trabalhador. Dos 239 CEREST habilitados no Brasil, apenas 39 atingiram a nota máxima — e, em Mato Grosso do Sul, Campo Grande foi o único a conquistar o resultado máximo. Vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e integrante da rede do Sistema Único de Saúde (SUS), o CEREST é responsável por coordenar, orientar e fortalecer as ações de saúde do trabalhador em nove municípios de Mato Grosso do Sul: Campo Grande, Bandeirantes, Corguinho, Rochedo, Sidrolândia, Ribas do Rio Pardo, Jaraguari, Camapuã e Terenos. O reconhecimento nacional reflete um trabalho técnico contínuo, estruturado e estratégico. Somente em 2025, já foram desenvolvidas mais de 140 ações qualificadas, entre inspeções sanitárias, apoio matricial à rede de saúde, capacitações e atividades educativas — todas voltadas à prevenção de acidentes, identificação precoce de riscos ocupacionais e fortalecimento da assistência aos trabalhadores. Entre as principais frentes de trabalho estão as inspeções em ambientes e processos produtivos, com avaliação das condições estruturais, organização do trabalho e exposição a riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. Quando necessário, são emitidos relatórios técnicos, recomendações sanitárias e encaminhamentos aos órgãos competentes. Além disso, são realizadas ações de apoio matricial junto à Atenção Primária, Atenção Especializada, Urgência e Vigilância em Saúde. Na prática, o CEREST atua como suporte técnico-pedagógico às equipes da rede municipal e regional, qualificando o atendimento sem substituir os serviços locais. O Centro também promove capacitações e atividades educativas, fortalecendo a formação permanente dos profissionais de saúde e ampliando a cultura de prevenção nos municípios atendidos. Avaliação nacional A avaliação do Ministério da Saúde considerou critérios técnicos como organização dos processos de trabalho, articulação com a Atenção Primária, desenvolvimento de ações de vigilância, educação permanente, planejamento estratégico e atuação intersetorial. Mais do que um reconhecimento administrativo, a pontuação máxima certifica que Campo Grande mantém um sistema estruturado, capaz de prevenir agravos, reduzir riscos ocupacionais e promover ambientes laborais mais seguros e saudáveis. “O resultado reforça o compromisso institucional com a qualidade técnica e a proteção da população trabalhadora, não apenas da Capital, mas de toda a região”, destacou a gerente do CEREST Regional, Keila Barreto Araújo Quadros. O trabalho do CEREST impacta diretamente trabalhadores da construção civil, da saúde, do comércio, da indústria e de diversos outros setores. Ao atuar de forma preventiva, técnica e articulada, o Centro contribui para reduzir afastamentos, evitar acidentes e promover qualidade de vida no ambiente de trabalho.v
Governo de MS celebra protagonismo feminino em painel com ex-ministra e executiva de gigante do varejo

Em celebração ao Mês da Mulher, o Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania (SEC), realiza no dia 9 de março o evento “Todas Diferentes, Todas Importantes: Elas Protagonistas”, em Campo Grande. A iniciativa reforça o compromisso do Estado com o fortalecimento da autonomia feminina e a ampliação de oportunidades para as mulheres sul-mato-grossenses. O encontro acontece às 14h, no Auditório Manoel de Barros, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, e propõe um espaço de diálogo, inspiração e articulação em torno do empreendedorismo feminino como ferramenta de transformação social e independência econômica. O destaque da programação será o painel “Mulheres que Movem a Economia e Transformam Territórios: Autonomia, Empreendedorismo e Fortalecimento do PROTEGE”, que reúne duas referências nacionais, a empresária Luiza Helena Trajano, do Magalu, reconhecida por sua liderança humanizada e por impulsionar o empreendedorismo feminino no país, e a ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, especialista em políticas públicas para mulheres, com trajetória marcada pela atuação no enfrentamento à violência de gênero e na promoção da igualdade. A mediação será conduzida pela secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, reforçando o papel da pasta na promoção de ações afirmativas e no fortalecimento do protagonismo feminino em Mato Grosso do Sul. “O painel ‘Elas, Protagonistas’ será um momento construído com muito carinho para valorizar histórias, fortalecer caminhos e reafirmar o quanto cada mulher é importante. Vamos receber Luiza Helena Trajano, do Magalu, que vem compartilhar sua experiência e visão de liderança, ao lado da nossa Cida Gonçalves, mulher da nossa terra que tanto nos orgulha e representa. Será uma tarde de diálogo, inspiração e compromisso com a autonomia das mulheres em Mato Grosso do Sul”, frisa Viviane. O evento é aberto ao público em geral, especialmente mulheres empreendedoras, gestoras públicas, lideranças e representantes da sociedade civil, e propõe um espaço de troca de experiências, conexões e construção coletiva de caminhos para ampliar a autonomia e a participação feminina nos territórios. Para se inscrever, acesse: https://www.responde.ms.gov.br/pesquisa/445
Temporada de pesca reabre no próximo domingo em MS

A temporada de pesca profissional e amadora em Mato Grosso do Sul será oficialmente reaberta a partir de 1º de março. O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) orienta pescadores sobre as regras ambientais vigentes e reforça a importância do cumprimento das normas previstas no Decreto Estadual nº 15.166/2019 e suas alterações. Durante o mês de fevereiro, permaneceu autorizada apenas a modalidade pesque e solte para pescadores amadores na calha dos rios Paraguai e Paraná. A partir de março, a atividade volta a ser permitida em todos os rios do Estado, respeitando as cotas, os tamanhos mínimo e máximo das espécies e a obrigatoriedade da licença ambiental. A pesca esteve proibida desde 5 de novembro do ano passado, durante o período de defeso, conhecido como Piracema — fase reprodutiva das espécies nativas, quando os cardumes sobem os rios em direção às cabeceiras para a desova. O diretor-presidente do Imasul, André Borges, destaca que o encerramento do período exige responsabilidade redobrada dos pescadores. “O período de defeso é essencial para garantir a reposição natural dos estoques pesqueiros. Agora, com a reabertura, é fundamental que todos respeitem as regras estabelecidas. A preservação depende do compromisso coletivo.” Durante a Operação Piracema, o Imasul, por meio da Gerência de Controle e Fiscalização (GCF), desenvolveu ações integradas com a Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul (PMA) em diversas regiões do Estado. Ao longo do período, foram fiscalizados 113 estabelecimentos comerciais e ranchos pesqueiros. Também foram realizadas barreiras nos municípios de Terenos e Aquidauana, com abordagem de 171 veículos. As missões fluviais ocorreram nos rios Ivinhema, Paraná e Amambai, abrangendo cerca de 200 quilômetros lineares, inclusive em áreas inseridas no Parque Estadual das Várzeas do Ivinhema e em sua zona de amortecimento. Como resultado das ações, foram lavrados autos de infração que somam R$ 190.585,00 em multas. Ao todo, foram prescritos 21 termos de apreensão, totalizando 67,53 quilos de pescado apreendido, com predominância da espécie pintado (Pseudoplatystoma corruscans), além de 38 petrechos. Os municípios com maior registro de irregularidades foram Coxim e Bonito. O diretor de Licenciamento e Fiscalização do Imasul, Luiz Mario Ferreira, ressalta que o trabalho continuará mesmo após o fim do defeso. “A fiscalização não termina com a reabertura da temporada. Seguiremos atuando para garantir que as regras sejam cumpridas e que a pesca ocorra dentro dos limites legais.” Desde 2020, está autorizado ao pescador o transporte de um exemplar de espécie nativa, além de até cinco exemplares de piranha, respeitando as medidas estabelecidas em norma. Espécies fora do tamanho permitido devem ser devolvidas imediatamente ao rio. Para a pesca amadora, é obrigatória a emissão da Carteira de Pescador Amador (Licença Ambiental), disponível no site oficial do Imasul e pelo aplicativo MS Digital. Entre os praticantes da pesca esportiva, a expectativa para a reabertura é positiva. A pescadora esportiva Josiane Farinha avalia que as condições naturais favoreceram o início da temporada. “Minha expectativa para a abertura é bem positiva. Tivemos um período de bastante chuva nas últimas semanas, o rio encheu bastante, e agora está começando a baixar. Isso renova a água, movimenta os peixes e costuma deixar a pescaria mais ativa. Claro que ainda é importante ficarmos atentos às condições do rio, todo cuidado é pouco. Acredito que será uma abertura muito aguardada e especial para todos nós que amamos a pesca.” O pescador esportivo Luiz Martins demonstra entusiasmo com o cenário deste ano e destaca o papel do pescador na preservação ambiental. “A expectativa para esta abertura é a melhor possível. Fomos positivamente surpreendidos pelo regime de chuvas deste ano, o que é um sinal excelente: as águas trabalharam a favor do nosso bioma, garantindo uma subida de peixe muito forte e uma renovação completa na paisagem dos nossos rios. Para quem, como eu, vive o rio tanto na pesca convencional quanto na modalidade de caiaque, o sentimento é de gratidão por ver o ciclo da natureza se cumprindo. O pescador precisa entender que nós somos parte desse processo. Por isso, meu recado para todos que estão tirando o barco ou o caiaque da carreta agora é: aproveitem cada arremesso, se divirtam, mas sejam os primeiros guardiões do nosso Pantanal. Cuidar das nossas barrancas e respeitar as normas de preservação é o que garante que esses ciclos continuem sendo efetivos e que o peixe sempre esteja lá. Pescar com consciência é a única forma de garantir que o nosso esporte tenha futuro e que o rio continue nos dando essa alegria por muitos e muitos anos”. O Imasul reforça que o respeito às normas ambientais é fundamental para assegurar a sustentabilidade da atividade pesqueira e a conservação dos recursos naturais em Mato Grosso do Sul. E a Polícia Militar Ambiental reforça que, embora a atividade esteja liberada, os pescadores devem seguir rigorosamente as normas de manejo e controle para garantir a sustentabilidade dos rios nas bacias do Paraguai e Paraná. O que é PERMITIDO: ● Cota de Captura: O pescador amador pode capturar e transportar 01 exemplar de espécie nativa e até 05 exemplares de piranha, respeitando os tamanhos mínimos e máximos.● Espécies Exóticas: Não há cota para espécies consideradas exóticas (como Tucunaré, Tilápia, Corvina e Bagre-africano), sendo permitida a captura e o transporte de qualquer quantidade. O que é PROIBIDO: ● Locais Restritos: É terminantemente proibido pescar a menos de 200m de cachoeiras, corredeiras e nascentes, ou a menos de 1.500m de barragens de usinas hidrelétricas.● Métodos e Petrechos: É proibido o uso de redes, tarrafas, cercados ou qualquer método que configure pesca predatória para a categoria amadora.● Espécies Protegidas: Algumas espécies podem ter a pesca permanentemente proibida ou sob moratória, conforme legislação específica atualizada anualmente. Fonte e foto: Governo de MS
Zeca lança programa com R$ 10 milhões para agroindustrialização familiar de MS

O deputado estadual Zeca do PT realizará na próxima 2ª feira (2.mar.26), às 9h, o lançamento do Programa de Agroindustrialização da Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul. O evento será no Teatro da Faculdade Insted, em Campo Grande (MS), e deve reunir autoridades políticas e representantes do setor agropecuário. O programa foi viabilizado por articulação de Zeca do PT com os deputados federais Vander Loubet (PT-MS) e Camila Jara (PT-MS), que destinaram emendas parlamentares, somando cerca de R$ 10 milhões em investimentos para fortalecer a produção e agregar valor às agroindústrias familiares e à agricultura do estado. Segundo o parlamentar, “o lançamento desse programa simboliza um novo momento, um novo passo na construção de políticas efetivas para a agricultura familiar, capazes de melhorar a vida dos assentados, pequenos produtores, indígenas e quilombolas”. A iniciativa também se apoia no trabalho de Zeca como presidente da Comissão Permanente de Desenvolvimento Agrário, Assuntos Indígenas e Quilombolas da Assembleia Legislativa de MS (Alems), com diálogo constante com movimentos sociais e órgãos estaduais e federais, como Seaf/Semadesc, Agraer, Ceasa, Iagro e Imasul. “Agregar valor naquilo que essa gente da agricultura familiar produz significa renda. E renda significa cidadania. É exatamente atrás disso que, contando com a sensibilidade política e o carinho da deputada Camila e do deputado Vander, daremos esse passo significativo na construção desse novo momento”, explicou Zeca. O programa está estruturado em seis linhas estratégicas: aquisição de equipamentos para agroindústrias familiares; cursos de capacitação; seminários sobre acesso a crédito (Pronaf); perfuração de poços artesianos coletivos com energia fotovoltaica; apoio tecnológico; e adequação à legislação. A execução seguirá a Lei nº 13.019/2014, por meio de Organizações da Sociedade Civil (OSCs), garantindo critérios técnicos e agilidade na aplicação dos recursos. As agroindústrias beneficiadas atuarão em cinco eixos principais: leite e derivados; panificação e massas; mel e produtos apícolas; mandioca e derivados; e frutas. Conforme Zeca, o programa também inclui um processo de organização e qualificação dos grupos beneficiados. “Será realizado um levantamento técnico para avaliar qual o potencial de produção e matéria-prima daqueles agricultores e grupos que solicitarem investimento. Não adianta criar um elefante branco se não tiver o leite ou a fruta necessária”, destacou. O programa prevê ainda a preparação de grupos associativos e cooperativas para gestão coletiva das agroindústrias, garantindo sustentabilidade econômica e fortalecimento da agricultura familiar. “A Agraer vai ter um papel importante em preparar esse grupo associativo, cooperativo, para que se evolua da cultura da individualidade para uma gestão de agroindústria coletiva nos assentamentos”, completou. As agroindústrias terão prazo para adaptar suas estruturas às exigências legais e sanitárias, garantindo regularidade, qualidade e segurança alimentar. O deputado reforça que o programa vai além do aporte financeiro, representando um processo estruturante de desenvolvimento e acompanhamento técnico. SERVIÇO
Rede Estadual efetiva mais 17 professores em Mato Grosso do Sul

A Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul ganhou o reforço de 17 novos professores efetivos aprovados em concurso público. Com essa etapa, o número de profissionais nomeados nos últimos quatro anos ultrapassa 1.190, ampliando o quadro permanente nas 352 unidades escolares do Estado. Para muitos docentes, a efetivação representa estabilidade e reconhecimento. A professora de Biologia Jéssica Caroline de Moura, de 28 anos, que atuava como temporária, comemorou a conquista. “Sinto que todo esforço valeu a pena e estou feliz pela chance de me dedicar ainda mais aos estudantes”, afirmou. O professor de Educação Física Mariomar Rezende Jr., de 47 anos, também celebrou: “É uma conquista que chega depois de 25 anos de profissão, sempre buscando evoluir e fazer mais pelos alunos”. Outros profissionais destacaram a mudança na vida pessoal e profissional. O professor de História Lennon Vinícius, de 29 anos, definiu o momento como “uma nova etapa”. Já Robert Ribeiro, também de História, ressaltou a segurança para planejar o futuro. “Agora fico mais tranquilo para organizar meus planos em uma carreira que escolhi para a vida”, disse. Para Eliane de Assis Gonçalves, professora de Inglês há 24 anos, a nomeação traz estabilidade para continuar desenvolvendo projetos. “Amo o que faço e venho com a mesma dedicação para a rede estadual”, destacou. O secretário de Estado de Educação, Hélio Daher, afirmou que a ampliação do quadro efetivo foi um compromisso da gestão. “A chamada dos aprovados fortalece a rede e garante continuidade ao trabalho pedagógico com qualidade”, declarou. A validade do concurso foi prorrogada até junho de 2026, permitindo novas nomeações conforme a demanda das escolas.
Povo Parakanã, do Pará, reocupa território após retirada de invasores

Dois anos depois da retirada de invasores da Terra Indígena (TI) Apyterewa, no sudeste do Pará, o povo Parakanã está reocupando os limites do território e fazendo planos para o futuro. Apesar disso, ainda enfrenta reflexos de anos de ocupação ilegal de produtores rurais e grileiros. O programa Caminhos da Reportagem mostrará, em sua edição desta segunda-feira (2), às 22h30, na TV Brasil, o trabalho dos órgãos governamentais para manter a TI Apyterewa livre de invasores e a organização dos Parakanã para manter o controle total de seu território. As ações de retirada dos invasores de terras indígenas, chamadas de desintrusão, foram determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023. Na TI Apyterewa, o processo começou em outubro do mesmo ano. Operações de desintrusão ocorreram em nove territórios da Amazônia Legal onde vivem 60 mil indígenas – Foto Bruno Peres/Agência Brasil De acordo com a Casa Civil da Presidência da República, que coordenou o trabalho conjunto de 20 órgãos e agências federais, as operações de desintrusão ocorreram em nove territórios da Amazônia Legal onde vivem 60 mil indígenas. Segundo Nilton Tubino, que esteve à frente das ações, o processo em Apyterewa foi o mais tenso de todos devido principalmente à interferência de políticos e fazendeiros que tentaram barrar a operação. “A grande pressão era a quantidade de gado. Nesse processo, foi construída uma vila que era utilizada próximo da base [da Funai]. No meio da terra tinha um posto de gasolina, vários comércios e igrejas”, explica Tubino. Segundo o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), os mais de 2 mil não indígenas que viviam no território foram retirados logo nos primeiros meses e, em março de 2024, a TI foi simbolicamente devolvida aos Parakanã. Povo Parakanã, na Aldeia Apyterewa, passa por ação de desintrusão feita de forma integrada por vários órgãos de governo – Foto Bruno Peres/Agência Brasil Apesar de não haver mais não indígenas vivendo ilegalmente em Apyterewa, as ações das agências governamentais continuam, já que parte do rebanho bovino de fazendeiros locais ainda pasta dentro da TI. Embora a maior parte das 50 mil cabeças de gado tenha sido retirada pelos próprios pecuaristas durante a desintrusão, ainda restaram cerca de 1.300 bovinos espalhados em 43 pontos do território, de acordo com monitoramento feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Uma equipe de reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) esteve na TI Apyterewa em dezembro e acompanhou de perto o trabalho para manter o território livre de invasores e do gado ilegal. Na ocasião, a operação para a retirada de animais remanescentes no território terminou de forma trágica, com o assassinato de Marcos Antônio Pereira da Cruz, um dos 12 vaqueiros contratados pelo Ibama para ajudar a tocar a boiada. Marcos tinha 38 anos, morava na cidade de Padre Bernardo, em Goiás, e tinha um filho de um ano. A irmã mais velha, Luciane Pereira, lembra que “ele sempre falou que era perigoso, que lá no Pará era perigoso. Só que ele confortava a gente, a minha mãe principalmente, falando que ele estava acompanhado por policiais, por pessoas que iriam garantir a segurança dele lá.” No fim de janeiro, a Polícia Federal anunciou a prisão de um suspeito do assassinato e de atentados contra os indígenas, mas afirmou que as investigações seguem em sigilo. “A morte do Marcos não pode ficar impune e não ter nenhum responsável identificado nessa ação porque foi um ataque contra o Estado brasileiro, porque ele estava a serviço de uma determinação judicial”, declara Marcos Kaingang, secretário nacional de Direitos Territoriais Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Mamá Parakanã, cacique-geral da Terra Indígena Apyterewa, que passa por processo de desintrusão – Foto Bruno Peres/Agência Brasil No mês seguinte, o carro da associação Tato’a, que representa o povo Parakanã, foi cravejado de balas e o assessor que conduzia o veículo escapou pela mata. Os parakanãs vêm denunciando ameaças, tentativas de invasão e ataques de pistoleiros. Segundo Mamá Parakanã, cacique-geral da TI Apyterewa, ocorreram oito ataques às aldeias depois da desintrusão e um indígena chegou a ser baleado na perna. “A gente recebia e recebe até hoje muita ameaça. Mas a gente está firme aqui porque essa terra foi demarcada, homologada, registrada. Então essa terra é nossa. Não é do fazendeiro, não é do deputado, não é do senador”, afirma o cacique. Ação de retirada de invasores foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023 – Foto Bruno Peres/Agência Brasil A área de 773 mil hectares, onde vivem cerca de 1.400 parakanãs, começou a ser demarcada no início dos anos 1990 e foi homologada em 2007. Mas continuou a ser invadida nas últimas décadas, principalmente por pecuaristas. Por causa da criação de gado ilegal, a terra indígena é a mais desmatada da Amazônia. Segundo monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a derrubada da floresta atingiu o ápice em 2022, com 102 quilômetros quadrados (km²) de desmatamento, e caiu mais de 90% após a desintrusão, chegando a 7,5 km² de desmatamento em 2025. Oaea Parakanã saía para caçar e voltava com as mãos vazias porque a destruição promovida pelos antigos ocupantes ilegais espantava os animais, mas já sente os efeitos positivos da retirada dos invasores. “Agora eu acho que está recuperando. Agora tem jabuti, porcão, dá pra gente ver mutum”, conta o indígena. “Positivamente, as desintrusões têm garantido que os povos indígenas consigam fazer a manutenção devida do seu território, principalmente na pauta de preservação, conservação e reprodução sociocultural”, afirma o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá. O maior desafio, segundo ele, é a manutenção da presença estatal para garantir que os povos indígenas continuem em posse dos seus territórios, o que é um direito constitucional. Marcos Kaingang garante que as medidas de proteção aos territórios vão continuar e que o MPI vem fazendo interlocuções com outros órgãos para aumentar a segurança na TI Apyterewa. O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou, em nota, que “está promovendo o reforço do efetivo da Força Nacional de Segurança Pública na região, tendo reforçado a operação em dezembro de 2025 com o envio de efetivo especializado, incluindo profissionais com capacitação em pilotagem de drones, e prevendo novo reforço nos próximos dias, conforme as demandas operacionais”. Wenatoa Parakanã, presidente da Associação Tato’a, na aldeia Terra Indígena Apyterewa – Foto Bruno Peres/Agência Brasil Enquanto constroem um plano de proteção do território em conjunto com os órgãos governamentais, os parakanãs avançam na busca de parceiros que ajudem a reparar os danos causados pelos invasores e recuperar as matas perdidas. Wenatoa Parakanã, presidente da associação Tato’a, diz que o próximo passo é fazer o reflorestamento. “Inclusive, as mulheres já receberam capacitação, como secar a semente, como plantar”, conta Wenatoa.
PrefCG convoca 56 novos médicos para reforçar atendimentos

A Prefeitura de Campo Grande convocou em edição extra do Diário Oficial desta sexta-feira (27) 56 médicos de diversas áreas para reforçar os atendimentos nas unidades de saúde da Capital. Os profissionais devem apresentar, na Secretaria de Saúde (Sesau), a documentação exigida em edital conforme o cronograma estabelecido. Na lista de profissionais chamados, estão médicos de diversas áreas, como especialistas, clínicos gerais e profissionais de equipes de atenção primária prisional. As cargas horárias variam entre de 12h a 40h semanais. Dentre os médicos convocados estão quatro pediatras, um cardiologista, um infectologista, nove médicos de saúde da família e comunidade, 32 clínicos gerais, um médico ambulatorial, dois ortopedistas, dois psiquiatras, um médico clínico geral para atuar na saúde mental e dois profissionais que serão lotados em equipes de atenção primária prisional, sendo um clínico geral e um de saúde mental. Os convocados que não se apresentarem dentro do prazo estipulado serão considerados desistentes e só poderão ser chamados novamente caso refaçam a inscrição no cadastro de médicos temporários da Prefeitura.
MS terá plano emergencial para ampliar UTIs pediátricas após decisão do TJMS

Justiça determina que Estado e Município apresentem cronograma em 30 dias diante da superlotação de leitos Mato Grosso do Sul deverá adotar medidas emergenciais para ampliar leitos clínicos e de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas no Sistema Único de Saúde (SUS). A determinação ocorre após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que reconheceu a responsabilidade conjunta do Estado e do Município de Campo Grande na crise enfrentada pela rede pública. A medida é resultado de Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), diante de sucessivos episódios de superlotação. Segundo o órgão, há registros frequentes de ocupação total dos leitos pediátricos, com crianças aguardando dias por vagas, muitas vezes em suporte ventilatório dentro de unidades de pronto atendimento. Decisão impõe prazos e multa Em junho de 2025, uma liminar já havia determinado que o Estado apresentasse plano de expansão da rede. Após recurso do MPMS, o TJMS confirmou que a responsabilidade é solidária entre Estado e Município. No julgamento final, realizado em 13 de fevereiro de 2026, o tribunal estabeleceu: Na decisão, o TJMS destacou que o “robusto conjunto probatório” comprova a superlotação e a permanência prolongada de crianças em pronto-socorros, classificando o cenário como fato público e notório. Direito à saúde e proteção integral O MPMS informou que acompanhará o cumprimento da decisão para garantir o direito constitucional à saúde e à proteção integral da criança. O órgão reforça que, conforme o modelo do SUS, a organização e ampliação dos serviços é responsabilidade solidária entre os entes públicos. A expectativa é que o plano emergencial represente uma resposta estruturada à crise, ampliando a capacidade de atendimento pediátrico e reduzindo o tempo de espera por leitos em Mato Grosso do Sul.
Governo derruba alta de imposto para smartphones e eletrônicos

Após repercussão negativa no Congresso e nas redes sociais, o governo federal decidiu revogar parte do aumento do imposto de importação sobre produtos eletrônicos e bens de capital anunciado no início do mês. A medida foi aprovada nesta sexta-feira (27) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex). A decisão restabelece as alíquotas anteriores para 15 produtos de informática, incluindo smartphones e notebooks. A Camex também zerou a tarifa de importação para 105 itens classificados como bens de capital (máquinas e equipamentos usados na produção) e produtos das áreas de informática e telecomunicações. Nos dois casos, a redução de tarifas de importação ocorre por meio do mecanismo de ex-tarifário, que reduz alíquotas para itens sem produção de similar ou equivalente no Brasil. Smartphones Com o recuo, a alíquota de importação de smartphones retorna a 16%. A proposta anterior previa elevação para 20%. Em alguns casos, o aumento poderia chegar a até 7,2 pontos percentuais. Também tiveram as tarifas restabelecidas produtos como notebooks, que retornam à alíquota original de 16%; gabinetes com fonte de alimentação (10,8%); placas-mãe (10,8%); mouses e track-balls (10,8%); mesas digitalizadoras (10,8%) e unidades de memória SSD (10,8%). Segundo o governo, as alterações passam a valer a partir da publicação da resolução no Diário Oficial da União. A lista completa de produtos beneficiados está disponível no site da Camex. Desgaste político O aumento inicial atingia cerca de 1,2 mil itens e gerou reação de parlamentares da oposição e de setores empresariais, que alertaram para possível impacto nos preços ao consumidor. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vinha defendendo a medida sob o argumento de proteção à indústria nacional e de correção de distorções no comércio exterior. Ele esclareceu que mais de 90% dos produtos afetados são produzidos no Brasil, e o aumento só atingia produtos importados. No caso de eletrônicos produzidos ou montados no país com insumos importados, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) esclareceu que os componentes seriam beneficiados pelo mecanismo de drawback, que reduz o Imposto de Importação de insumos usados para fabricar produtos destinados à exportação. O governo estimava arrecadar até R$ 14 bilhões em 2026 com a elevação das alíquotas. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão consultivo do Senado, previa receita maior, de R$ 20 bilhões neste ano. Pressão Diante da pressão política, o Executivo optou por um recuo parcial. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a decisão acolheu pedidos protocolados por empresas até 25 de fevereiro e já estava prevista nas regras de ex-tarifário, mecanismo que permite zerar imposto para produtos sem similar nacional. A pasta informou que as alíquotas mais altas anunciadas no início do mês não chegaram a entrar em vigor. Os 105 produtos que tiveram a tarifa reduzida a zero permanecerão com isenção por 120 dias. Novas revisões poderão ocorrer nas próximas reuniões do Gecex, que delibera mensalmente sobre realinhamentos tarifários.
Delas Day 2026 consolida protagonismo feminino e destaca atuação estratégica da UEMS em Campo Grande

Maior evento voltado às mulheres em MS reuniu mais de 10 mil participantes e fortaleceu empreendedorismo, ciência e inclusão Campo Grande foi palco, nos dias 24 e 25 de fevereiro, de mais uma edição do Delas Day, considerado o maior evento de Mato Grosso do Sul voltado ao protagonismo feminino. Com o tema “Nossa identidade, nossa força”, o encontro reuniu mais de 10 mil mulheres em uma programação diversa que integrou empreendedorismo, inovação, ciência, inclusão e desenvolvimento social. O governador Eduardo Riedel participou do encerramento e destacou a importância da presença feminina no crescimento econômico do Estado. Segundo ele, 45% das microempresas individuais em Mato Grosso do Sul são lideradas por mulheres, reforçando o papel decisivo delas na economia local. O evento, realizado por uma ampla articulação entre o Governo do Estado, Sebrae-MS e mais de 35 instituições parceiras, contou com painéis, oficinas e palestras que abordaram temas como liderança, mercado de trabalho, justiça social, diversidade e saúde mental. A programação foi encerrada com palestra da ex-jogadora e medalhista olímpica Hortência Marcari, que emocionou o público ao compartilhar sua trajetória de superação. UEMS leva ciência, extensão e protagonismo ao centro do debate Entre os destaques do Delas Day 2026 esteve a participação ativa da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), que apresentou projetos estratégicos desenvolvidos por meio da Pró-reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (PROEC). A presença institucional foi marcada pela participação da vice-reitora, professora Dra. Luciana Ferreira da Silva; da pró-reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários, professora Dra. Érika Kaneta Ferri; da pró-reitora de Desenvolvimento Humano e Social, Vania Pereira Morassutti Benatti; da diretora de Relações Internacionais, Rosenery Loureiro Lourenço; além de docentes, técnicas e acadêmicas da instituição. A professora Érika Kaneta Ferri teve participação de destaque em um dos painéis do evento, reforçando o papel da extensão universitária como ponte entre conhecimento, impacto social e desenvolvimento econômico. “Levamos os nossos projetos e vimos nossos acadêmicos e professores brilhando, trocando ideias, fazendo conexões e adquirindo novos conhecimentos. É a UEMS consolidando sua atuação como universidade pública comprometida com o desenvolvimento social e a valorização do protagonismo feminino”, afirmou Érika. Projetos apresentados reforçam impacto social A UEMS apresentou três iniciativas que conectam inovação, empreendedorismo e inclusão produtiva: 🔹 HUB Criativo da Maturidade Vinculado à Universidade da Maturidade (UMA/UEMS), o projeto promove o chamado “empreendedorismo prateado (50+)”, incentivando mulheres acima de 50 anos a formalizarem seus negócios. Coordenado pela professora Dra. Giuliana de Faria, o HUB busca transformar produção informal em atuação estruturada no mercado. 🔹 Startup Pantaembryo Integrante da Incubadora Fênix da UEMS, a startup atua na área de biotecnologia reprodutiva aplicada à pecuária. Fundada pela professora Dra. Fabiana Sterza, a iniciativa alia inovação científica à sustentabilidade no agronegócio. 🔹 Projeto Guavira Coordenado pela professora Dra. Claudia Andrea Lima Cardoso, o projeto populariza o uso da guavira como alimento e planta medicinal. Durante o evento, acadêmicas apresentaram cosméticos e produtos culinários derivados do fruto símbolo do Estado, demonstrando seu potencial de mercado. Diversidade, inclusão e representatividade O Delas Day também abriu espaço para relatos de mulheres indígenas e quilombolas, além de discussões sobre acessibilidade e inclusão no ambiente corporativo. A psicóloga Paula Neres destacou que inclusão não é apenas cumprir cotas, mas reconhecer potencial. Já a influenciadora Pequena Lô reforçou, em sua palestra sobre adaptabilidade, a importância da representatividade para ocupar novos espaços. Com estrutura inclusiva, incluindo área kids, sala de amamentação e espaço sensorial, o evento reafirmou que diversidade e inclusão são estratégias essenciais para inovação e crescimento econômico. Educação e empreendedorismo como estratégia de futuro Ao final desta edição, o Delas Day reafirmou seu papel como espaço de construção coletiva, fortalecendo políticas públicas e iniciativas que impulsionam mulheres em diferentes territórios e realidades. A presença da UEMS evidenciou que a universidade pública tem papel estratégico nesse processo, promovendo ciência aplicada, extensão universitária e formação cidadã voltada à transformação social.