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Mulheres investem menos, mas estudos apontam retornos maiores que os dos homens

Pesquisas associam resultados a estratégias de longo prazo, menor frequência de negociações e maior resistência a decisões tomadas em momentos de instabilidade

As mulheres ainda são minoria entre os investidores da Bolsa de Valores brasileira, mas pesquisas reunidas em um novo levantamento indicam que elas podem apresentar resultados superiores aos dos homens nos investimentos.

Dados da B3 mostram que as mulheres representam cerca de 25% dos investidores da Bolsa, apesar do crescimento da participação feminina no mercado financeiro nos últimos anos.

O tema ganhou destaque com o estudo “Elas Pagam a Conta”, desenvolvido pela Think Olga e Think Eva e apresentado durante o Fin4She Summit. O levantamento analisou mais de 100 pesquisas acadêmicas e ouviu 500 mulheres para investigar a relação feminina com dinheiro, investimentos, consumo e endividamento.

Entre as conclusões apresentadas está a de que comportamentos tradicionalmente associados a uma postura mais cautelosa podem contribuir para resultados consistentes no longo prazo.

Retornos podem ser maiores

Um estudo da Warwick Business School, do Reino Unido, citado no levantamento, aponta que as carteiras de mulheres apresentaram rendimento anual entre 1,8% e 1,9% superior ao registrado pelas carteiras dos homens analisados.

Dados da Fidelity Investments, referentes ao mercado norte-americano, também identificaram vantagem no desempenho das investidoras, com retornos entre 0,4% e 2% maiores, dependendo do levantamento considerado.

Os resultados não significam que todas as mulheres terão desempenho superior ou que o gênero determine a rentabilidade de um investimento. As pesquisas relacionam parte da diferença principalmente ao comportamento dos investidores.

Menos movimentações e foco no longo prazo

Segundo os estudos reunidos pelo levantamento, homens realizam 45% mais operações de compra e venda e apresentam maior tendência a negociar ativos durante períodos de instabilidade.

Já entre as mulheres, a manutenção das posições aparece com maior frequência.

Durante quedas bruscas do mercado, 51% das mulheres mantêm seus investimentos, contra 43% dos homens, segundo os dados apresentados.

Negociar menos pode ter impacto no resultado porque operações frequentes podem gerar custos e impostos, além de aumentar a possibilidade de decisões influenciadas pelas oscilações de curto prazo.

O estudo também relaciona o comportamento feminino a investimentos associados a objetivos específicos, como compra ou quitação de imóvel, educação dos filhos e planejamento de longo prazo.

Mulheres ainda enfrentam barreiras financeiras

Apesar dos resultados relacionados aos investimentos, o levantamento também chama atenção para obstáculos que afetam a vida financeira feminina.

Segundo os dados apresentados, 59% das dívidas das mulheres estão relacionadas a compras de supermercado, enquanto 42% envolvem medicamentos e tratamentos médicos.

O estudo utiliza a expressão “Pix Invisível” para descrever pequenos gastos cotidianos que muitas vezes ficam sob responsabilidade das mulheres dentro das famílias — despesas como lanche escolar, medicamentos, transporte, roupas e outras necessidades relacionadas ao cuidado da casa e dos familiares.

Individualmente, esses valores podem parecer pequenos, mas, quando somados ao longo do mês, podem comprometer uma parcela significativa da renda.

Mulheres também quitam mais dívidas

Outro dado apresentado envolve a renegociação de débitos.

Nos feirões de renegociação do Serasa analisados pelo levantamento, as mulheres fecham 25% mais acordos e quitam 11,6% mais dívidas do que os homens, mesmo enfrentando diferenças de renda.

Os números ajudam a questionar antigos estereótipos sobre a relação das mulheres com dinheiro e consumo e reforçam a importância da educação e do acesso feminino ao mercado financeiro.

Embora ainda representem uma parcela menor dos investidores brasileiros, estudos indicam que características como planejamento, menor frequência de negociações e foco em objetivos de longo prazo podem contribuir para resultados financeiros mais consistentes.

Fonte: Forbes Brasil, com dados do estudo “Elas Pagam a Conta”, Think Olga, Think Eva, B3, Warwick Business School e Fidelity Investments.

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