Nova lei em MS permite conversão de multas leves e médias em advertência escrita

Desde a última segunda-feira (28), começou a valer em Mato Grosso do Sul uma nova legislação que permite a conversão de multas de trânsito leves e médias em advertência por escrito, caso o condutor não tenha cometido infrações nos últimos 12 meses. A mudança foi sancionada pelo governador Eduardo Riedel (PSDB) e publicada no Diário Oficial do Estado. A regra prevê que, antes da aplicação de penalidades, o órgão fiscalizador deverá consultar o Sistema Nacional de Trânsito (SNT) para verificar o histórico do motorista. Se ele não tiver reincidência no período de um ano, poderá receber apenas a advertência formal — sem multa e sem pontos na CNH. A nova norma altera a Lei nº 4.282/2012, que trata da tabela de serviços do Detran-MS, e é baseada no artigo 267 do Código de Trânsito Brasileiro, que já previa essa possibilidade em nível federal. Agora, o procedimento passa a ser obrigatório também no âmbito estadual. A iniciativa é resultado de um projeto apresentado pelo presidente da Assembleia Legislativa de MS, deputado Gerson Claro (PP), com coautoria do deputado Paulo Duarte (PSB). Segundo eles, o objetivo é evitar multas indevidas e garantir justiça no trânsito, especialmente para motoristas que demonstram bom comportamento. “A intenção é proteger o direito do condutor e impedir arrecadações indevidas, já que muitas multas poderiam ser convertidas em advertência conforme prevê o CTB”, justificou Gerson Claro. 💡 Entenda como funciona: Com a nova regra, essas penalidades poderão ser anuladas se o motorista tiver histórico limpo no último ano. Segundo dados da Agetran em Campo Grande, entre 2023 e 2024 houve redução de quase 19 mil multas aplicadas. As infrações mais registradas continuam sendo excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho e conversões proibidas.
INSS e associação são condenados por descontos indevidos em benefício de aposentado

A Justiça Federal condenou o INSS e uma associação previdenciária ao pagamento de indenização de R$ 10 mil por danos morais a um aposentado que sofreu descontos indevidos em seu benefício. A decisão foi proferida pela Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais de São Paulo, ligada ao TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), que também abrange Mato Grosso do Sul. Segundo a sentença do juiz federal Rogério Volpatti Polezze, o INSS não verificou a validade das autorizações apresentadas pela associação, permitindo que valores fossem retirados de forma irregular do pagamento do beneficiário. A decisão ocorre em meio às investigações da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União), que apura fraudes em larga escala em benefícios previdenciários. O esquema, que envolveria servidores do INSS e entidades de fachada, pode ter causado um prejuízo de R$ 6,3 bilhões. Em casos semelhantes, os aposentados e pensionistas em Mato Grosso do Sul podem recorrer à Justiça Federal para solicitar a devolução dos valores descontados indevidamente e também indenização por danos morais. A Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Federal (MPF) atuam na proteção dos segurados e podem ingressar com ações coletivas. A jurisprudência reforça que o INSS é legalmente responsável por garantir a regularidade dos descontos, mesmo quando realizados por terceiros. Se a associação envolvida no desconto irregular deixar de existir ou não puder arcar com os prejuízos, o próprio INSS poderá ser obrigado a cobrir os danos causados aos segurados.
Campo Grande enfrenta colapso na saúde com leitos 100% ocupados e mais de 200 pessoas na fila

A cidade de Campo Grande vive um cenário crítico na área da saúde. Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) nesta terça-feira (29) mostram que 229 pessoas estão à espera de internação — sendo 186 adultos e 43 crianças. A ocupação total dos leitos (100%) agrava a situação, com UTIs neonatais e pediátricas completamente lotadas. As 49 vagas disponíveis para recém-nascidos estão em uso, e os 24 leitos pediátricos também não têm mais disponibilidade. Entre os hospitais, a Santa Casa registra 18 pacientes na fila, com apenas 6 leitos. No Hospital Regional, a situação se repete: 18 aguardando e 6 vagas disponíveis. O Hospital do Pênfigo tem apenas 2 leitos, ambos ocupados. Diante do agravamento da crise, a prefeitura decretou estado de emergência no último sábado (26) e anunciou medidas emergenciais, como a ampliação do atendimento pediátrico 24h nas unidades: Além disso, clínicos gerais de outras unidades foram treinados para atender casos de doenças respiratórias. A secretária municipal de saúde, Rosana Leite, destacou que todos os profissionais passaram por capacitações específicas em abril, e que a estrutura de apoio conta com equipes móveis para reforço em locais com alta demanda. Outra medida adotada foi a contratação emergencial de 40 médicos, visando reforçar as escalas de plantão nas unidades de saúde. 💉 Vacinação contra a gripe ampliada Na tentativa de conter o avanço das doenças respiratórias, a vacinação contra a Influenza foi estendida para toda a população a partir de segunda-feira (28). O infectologista Júlio Croda, da Fiocruz, reforça que a vacinação em massa pode reduzir internações: “Com coberturas elevadas e aplicação rápida, é possível evitar hospitalizações. A proteção já começa a aparecer cerca de sete dias após a dose.” Croda também fez um alerta para pessoas acima de 60 anos e com comorbidades: “Evitem aglomerações e, se necessário, usem máscara como forma de proteção adicional.”
Alta de covid-19 faz cidade do Amazonas retomar uso de máscara

A prefeitura de São Gabriel da Cachoeira, na região da cabeça do cachorro, no Amazonas, decretou o retorno do uso obrigatório de máscaras em ambientes fechados, como repartições públicas, estabelecimentos comerciais, escolas, igrejas e transportes coletivos. A medida, anunciada na última sexta-feira (25), foi tomada em razão do aumento nos casos de covid-19 no município. A ação atende uma recomendação da Defensoria Pública do Amazonas. De acordo com o órgão, somente em abril, o município, distante a 852 km de Manaus, havia registrado quase 400 casos positivos de covid-19 de 897 suspeitos. Em março, de 197 casos suspeitos, foram registrados 87 casos positivos. Em dezembro do ano passado, o número de casos registrados foi 14. “A alta procura pelos testes revelam outra informação: mesmo os casos negativos para covid-19 indicam que outras viroses respiratórias estão circulando na cidade, colocando em risco a saúde da população”, diz ofício encaminhado pelo defensor público Marcelo Barbosa à Secretaria Municipal de Saúde, na quarta-feira (23), recomendando a medida. Além da obrigatoriedade do uso de máscaras, a prefeitura também restringiu o acesso às áreas indígenas para pessoas que não apresentem caderneta de vacinação contra a covid-19 atualizada ou teste negativo realizado nas últimas 48 horas. O decreto permanecerá vigente enquanto houver recomendações das autoridades sobre o uso de máscaras. Segundo a prefeitura, a medida visa proteger a população local, especialmente as comunidades indígenas, que representam cerca de 90% dos habitantes do município. Em nota, a prefeitura anunciou o adiamento do evento de lançamento do Festival Cultural dos Povos Indígenas do Alto Rio Negro (Festribal), que ocorreria no sábado. “Informamos que nova data será divulgada em tempo oportuno”, diz aviso da prefeitura. A Secretaria Municipal de Saúde informou que está realizando testes rápidos de covid-19 nas unidades básicas de saúde (UBS), para pessoas que apresentarem sintomas gripais. A fiscalização para o cumprimento das determinações do decreto ficará a cargo de órgãos e do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), que poderão solicitar documentação comprobatória, no caso da entrada em áreas indígenas. O descumprimento das medidas determinadas poderá resultar em sanções administrativas, além de outras medidas cabíveis conforme a legislação vigente. Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Últimos dias para se inscrever no cursinho preparatório do IFMS

As inscrições para o cursinho preparatório ‘Partiu IF’, do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), terminam na próxima quarta-feira, 30 de abril. O programa é voltado para estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental que tenham até 17 anos na data da matrícula e tenham cursado todo o ensino fundamental em escola pública. As aulas são presenciais e acontecem em oito cidades: 📄 Como se inscrever: Para participar, o estudante deve preencher o formulário de inscrição e anexar: A seleção será feita por ordem de envio da documentação completa e correta. Em caso de empate, será considerada a maior idade. Importante: o preenchimento do formulário não garante matrícula imediata — o candidato será incluído em uma lista de espera. 📚 Sobre o curso: ACESSE O EDITAL COM A LISTA DE VAGAS AQUI
Pergunta de médico motiva Yuri a mudar de vida após 9 anos de hipertensão

“Como você vai correr atrás da sua filha?” A pergunta feita pelo médico foi determinante para Yuri mudar hábitos nove anos após diagnóstico de hipertensão Cardiologista explica que hábitos saudáveis são determinantes para prevenção e controle da doença, muitas vezes, silenciosa Aos 15 anos, Yuri Lucas Correa Wandscheer estava no auge da juventude. Sua rotina era dividida entre estudos, amigos e planos para o futuro, como a de muitos jovens nessa idade. Mas uma dor de cabeça intensa que entendia pela nuca e a cervical passou a incomodá-lo. Depois de procurar um médico, o diagnóstico veio logo: hipertensão arterial. Apesar do histórico familiar — pai e avós também hipertensos, o garoto cheio de sonhos não imaginava que poderia ser afetado tão cedo pela doença “Eu não imaginava que poderia desenvolver a doença tão cedo, na verdade, nem passava pela minha cabeça”, relembra. E como tantos jovens, seguiu a vida normalmente acreditando que bastava tomar o remédio prescrito pelo médico e seguir em frente. Já com 24 anos, casado, Yuri e a esposa sonhavam em ser pais. E foi durante uma consulta de rotina, enquanto compartilhava com o médico os planos de engravidar, que veio a pergunta do especialista: ‘como você vai fazer pra correr atrás da sua filha?’. A pergunta, que parecia simples, naquele instante, foi um divisor de águas na vida dele. Imaginado como seria cuidar do filho (a), sem ter saúde, decidiu dar o primeiro passo. Melhorou a alimentação, cortou o açúcar de forma significativa, passou a praticar atividade física regularmente, inicialmente com musculação e, mais tarde, entrou para o Clube de Corridas da Unimed Campo Grande, um programa voltado para colaboradores como forma de incentivar hábitos saudáveis na rotina. Hoje, corre três vezes por semana e até agora já perdeu 8kg. Ciente que ainda precisa perder mais peso, afirma que já tem colhido bons frutos com as mudanças adotadas até aqui: “tenho muito mais disposição, meu humor melhorou muito, as noites de sono são mais tranquilas, até medicação que tomo diariamente diminuiu e agora consigo enxergar uma vida com outra perspectiva, muito melhor, com certeza”, fala orgulhoso. Mas o melhor presente dessa nova fase de Yuri chegou há nove meses: Noemi, a filha tão esperada. “Muita coisa melhorou na minha vida depois que entendi a importância da mudança de hábitos, mas a melhor coisa de todas foi ver minha filha nascer. Hoje ela tem só nove meses, mas eu já estou ansioso para vê-la andar e correr. Quero falar pro meu médico que aquela pergunta foi uma virada de chave na minha vida”, revela Yuri, com sorriso largo no rosto e um brilho de gratidão no olhar. O que diz especialista sobre a hipertensão Cardiologista da Unimed Campo Grande, Dr. Délcio Gonçalves Júnior, alerta que um dos maiores desafios no controle da hipertensão é a adesão ao tratamento. “Estudos mostram que apenas 25% dos pacientes que sabem que são hipertensos tomam a medicação adequadamente. E apenas 12,5% desses pacientes estão com a pressão arterial bem controlada, dentro das metas estabelecidas”, afirma. O médico explica que hipertensão arterial é uma doença silenciosa e muitas vezes sem sintomas evidentes, mas que pode causar danos sérios ao coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos. “Se não controlada corretamente, pode resultar em infarto, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e insuficiência renal crônica”, alerta. Para prevenir ou controlar a doença, o especialista destaca a importância de adotar hábitos saudáveis. “Todo adulto deve aferir a pressão regularmente, ao mesmo 1 vez ao ano. Para aqueles com fatores de risco, como obesidade, diabetes, tabagismo e histórico familiar de hipertensão, a aferição deve ser mais frequente. Além disso, é essencial praticar atividades físicas, ter uma alimentação saudável, não fumar, não abusar de álcool e controlar o estresse”, recomenda. Comunicação Unimed Campo Grande
Exposição gratuita recria escritório de Manoel de Barros em Campo Grande

Para celebrar o Dia do Livro, a exposição “Manoel de Barros: Poesia para o Futuro” será aberta ao público no Espaço Energia, em Campo Grande, a partir de 30 de abril. A entrada é gratuita. A mostra reúne objetos pessoais do renomado poeta, como a sua tradicional máquina de escrever, cópias de cartas, fotografias e vídeos que retratam sua vida e sua trajetória literária. O grande destaque da exposição é a reprodução fiel do escritório onde Manoel de Barros escrevia seus poemas. O espaço ainda conta com painéis interativos, que convidam os visitantes a criar seus próprios poemas e deixar recados. O ambiente foi decorado com elementos que marcam a obra do autor, como pássaros, libélulas e borboletas pendurados no teto. Realizada pela Energisa, em parceria com a Casa Quintal Manoel de Barros, a exposição propõe uma imersão no universo lírico e inventivo do poeta. O objetivo é estimular a criatividade e preservar a memória cultural de Manoel de Barros. 📍 O Espaço Energia está localizado na Avenida Afonso Pena, 3.901. A visitação acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, até o dia 15 de junho.
Águas Guariroba participa de visita técnica na APA do córrego Guariroba

A Águas Guariroba participou da visita técnica do Conselho Gestor da APA (Área de Proteção Ambiental) do Guariroba, na manhã desta quarta-feira (23). O gerente de Meio Ambiente e Qualidade da concessionária, Fernando Garayo, é vice-presidente do conselho e foi o representante da empresa na agenda. “Viemos nessa importante bacia que contribui para o abastecimento da cidade. São várias entidades e instituições que representam o conselho da APA. A nossa ideia foi visitar áreas que foram restauradas e recuperadas. A Águas Guariroba vem apoiando essa atividade e esses produtores da região com a doação de mudas pelo viveiro Isaac de Oliveira, que recentemente teve sua capacidade aumentada para produção de 80 mil mudas por ano”, comentou Fernando. Além de pontos restaurados nos últimos anos pelos produtores rurais da região, a caravana visitou a captação da concessionária no córrego Guariroba, que representa 41% da água que abastece Campo Grande. “É muito gratificante e prazeroso essa visita para essa região da Bacia do Guariroba. Nós temos a reunião mensal do conselho, mas essas visitas presenciais são muito importantes. Essa é a segunda visita in loco na região, onde podemos compartilhar a vivência e as ações práticas”, comentou o produtor rural Claudinei Pecois, que é presidente da ARCP (Associação de Recuperação, Conservação e Preservação da Bacia do Guariroba) e conselheiro da APA. RESILIÊNCIA HÍDRICA Diariamente a Águas Guariroba realiza a captação de mais de 115 milhões de litros de água diretamente do córrego Guariroba, que corresponde a 41% do abastecimento da Capital. Todo esse trabalho de restauração da APA com plantio de mudas, por meio da parceria entre a Águas Guariroba e os produtores rurais da região, contribui para a produção de água. “Temos estudos que comprovam que 80% da água do córrego Guariroba vem de mananciais subterrâneos, ou seja, não dependemos da precipitação para reabastecer o córrego. Quanto mais protegemos a APA e a região do córrego, mais água teremos para enfrentar épocas de estiagem e altas temperaturas. Algo que já ocorre atualmente. Mesmo em épocas de poucas chuvas e muito calor, não temos redução na produção de água, garantindo assim o abastecimento da Capital”, complementa Fernando Garayo.
Campo Grande decreta emergência para enfrentar surto de doenças respiratórias

A Prefeitura de Campo Grande decretou situação de emergência neste sábado (26), devido ao crescimento dos casos de doenças respiratórias e arboviroses. A decisão foi tomada após uma reunião extraordinária do Centro de Operações de Emergência (COE), em resposta à superlotação nas unidades de saúde e à falta de leitos hospitalares. Desde o início de 2025, a Capital registrou 971 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 486 casos confirmados e 66 mortes. Os vírus mais identificados são o Influenza A, Rinovírus e Vírus Sincicial Respiratório (VSR), com destaque para o aumento dos atendimentos entre crianças. “A nossa prioridade é proteger a vida da nossa população, especialmente das crianças, que estão mais vulneráveis”, afirmou a prefeita Adriane Lopes, enfatizando a necessidade de ação imediata. 🛑 Medidas adotadas Publicado em edição extra do Diário Oficial (Diogrande), o Decreto nº 16.246 estabelece a emergência por 90 dias e traz diversas ações emergenciais: A secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, alertou que atualmente não há mais leitos pediátricos disponíveis na rede pública para casos de SRAG e reforçou a importância da vacinação. “Vacinamos apenas um terço da população até agora”, destacou. 🏥 Ações complementares Para ajudar a reduzir a pressão sobre os hospitais de Campo Grande, a Secretaria Estadual de Saúde anunciou a abertura de 10 novos leitos pediátricos em Três Lagoas. Outra estratégia é o programa “Aluno Imunizado”, que leva campanhas de vacinação e conscientização para escolas municipais e estaduais. A ação já começou na Escola Estadual Zélia Quevedo Chaves, com a participação do personagem Zé Gotinha. 🔔 Orientações para a população A Prefeitura reforça a importância de medidas preventivas:
Exercícios podem prevenir quedas em idosos e melhorar recuperação

Os brasileiros estão vivendo mais, e as pessoas com idade acima de 65 anos já passam de 10% da população, conforme dados do último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cuidados simples previnem uma das principais causas de diminuição da qualidade de vida entre os idosos, que podem inclusive resultar em incapacidade permanente e morte: as quedas. O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) estima que, anualmente, um terço das pessoas com mais de 65 anos sofrem quedas, proporção que sobe para 40% entre os idosos a partir de 80 anos. E o local onde ocorrem mais quedas é dentro da própria casa. A fisioterapeuta Raquel Gonçalves, que é doutora em ciências da reabilitação pela Universidade de São Paulo (USP), diz que a população já tem mais consciência sobre as adaptações necessárias no ambiente, como a retirada de tapetes, colocação de barras de apoio em locais de maior perigo, como o banheiro, e o uso de sapatos antiderrapantes. Ainda existem, porém, pessoas que negligenciam a atividade física, essencial para melhoria da resistência, flexibilidade e equilíbrio, o que reduz o risco de quedas. “A pessoa que se mantém ativa ao longo da vida ou começa a fazer exercícios vai ter um processo de envelhecimento muito diferente. A gente fala muito de sarcopenia, que é a perda de massa muscular e se você faz atividade física, você evita essa sarcopenia, que já começa aos 30 anos. Então, quando você chegar aos 65, 70 anos, se mesmo assim eventualmente acontecer algum tipo de queda ou fratura, a recuperação é muito mais fácil”, complementa Raquel. De acordo com a especialista, mesmo quem já é idoso e não acumulou essa reserva ao longo da vida, se beneficia dos exercícios iniciados nessa fase: “Eles podem ser administrados por um fisioterapeuta, claro, mas também podem ser reproduzidos por um familiar ou um cuidador. Mesmo exercício simples de equilíbrio, de força muscular, já contribuem muito.” Raquel também reforça que a reabilitação após a queda é essencial para que a pessoa recupere sua qualidade de vida: “Quando o idoso cai, se ele tiver uma fratura, geralmente ele perde autonomia, muitas vezes precisa ficar de repouso na cama… Isso tem uma consequência psicológica muito grande. Além disso, ele começa a ter uma perda de massa muscular cada vez mais acentuada, porque ele está imóvel”. Ela alerta que os exercícios não podem ser abandonados após a recuperação. “Muita gente pensa: ‘melhorei um pouco, então eu posso parar’. Não! Tem que pensar: ‘eu me recuperei, agora eu vou permanecer fazendo os exercícios, para manter essa massa muscular, para manter a minha força e não ser tão afetado com o passar do tempo’”, afirma a fisioterapeuta. Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil Foto: Valter Campanato/Agência Brasil