Combate à dengue é primeiro desafio de coalizão global de saúde

O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (24), que o combate à dengue será o primeiro foco de trabalho da Coalização Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo. A coalizão foi construída pela presidência brasileira do G20 em 2024 e tem como missão promover mundialmente o acesso equitativo a medicamentos, vacinas, terapias, diagnósticos e tecnologias de saúde. Há um olhar especial para países em desenvolvimento, cuja produção e inovação enfrentam mais obstáculos. Os membros do grupo, além do Brasil, são África do Sul, Alemanha, China, França, Indonésia, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Europeia e União Africana. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, justificou a escolha da dengue como eixo de ações prioritárias pelo fato de a doença ser endêmica em mais de 100 países e colocar em risco mais da metade da população mundial. A estimativa é de que ocorram entre 100 milhões e 400 milhões de infecções por ano. “Essa expansão está diretamente relacionada às mudanças climáticas no mundo, que têm provocado o aumento das temperaturas, novo volume de chuvas e níveis mais elevados de umidade: condições favoráveis para a sua transmissão. Assim como ocorre com outras arboviroses, como febre amarela, zika, chikungunya e febre oropouche”, disse o ministro. O ministro citou como exemplo de parcerias internacionais a que envolve a vacina contra a dengue Butantan DV, criada pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Um acordo com a empresa chinesa WuXi, anunciado no fim do ano passado, prevê ampliar a capacidade de fornecimento do imunizante para entregar cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026. “Acreditamos e nos movemos por um mundo com menos guerra, menos bomba, menos mortes de crianças, civis e profissionais de saúde. Pelo contrário, com mais vacinas e medicamentos acessíveis”, completou. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) responderá pelo secretariado executivo da coalizão e aposta na experiência internacional para conseguir alcançar os resultados propostos. “Temos elaborado projetos junto a outros países, sobretudo da África e da América Latina, na perspectiva da cooperação estruturante, formando competência local, científica, tecnológica e alguns casos também industrial”, disse Mario Moreira, presidente da Fiocruz. Mario Moreira participa na abertura da Coalizão Global do G20 para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo – Fernando Frazão/Agência Brasil Transferência tecnológica O ministério da Saúde também anunciou que iniciará a produção 100% nacional do medicamento imunossupressor Tacrolimo, que reduz a resposta do sistema imunológico e evita que o organismo rejeite órgãos transplantados. A transferência tecnológica completa foi feita em parceria com a Índia. “Cerca de 120 mil brasileiros recebem hoje o Tacrolimo pelo SUS, um medicamento que custa de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por mês. Uma pessoa transplantada vai tomar essa medicação ao longo de toda a vida”, disse o ministro. Com a produção nacional, o ministro destaca que os pacientes passam a ter segurança de que o tratamento vai chegar até eles independentemente do que aconteça no mundo. “Em caso de conflito, guerra, pandemia ou interrupção da circulação desse produto, a produção local está totalmente garantida pela nossa fundação pública”. Vacina de RNA Padilha também disse que um novo centro de competência para produzir vacina de RNA mensageiro (mRNA) será instalado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O mRNA é uma molécula que transporta instruções genéticas do DNA. Vacinas feitas com essa tecnologia utilizam apenas o código genético do patógeno (vírus, bactéria, parasita, etc.) para ajudar o corpo a produzir anticorpos. Não usam, portanto, o patógeno enfraquecido ou inativado como em vacinas tradicionais. Padilha explica que o país tem duas plataformas sendo desenvolvidas, uma na Fiocruz e outra no Instituto Butantan. Esses dois centros somam cerca de R$ 150 milhões em investimentos do governo federal. Agora, com o novo centro na UFMG, serão mais R$ 65 milhões investidos para o desenvolvimento dessa tecnologia. “O Brasil passa a ter três instituições públicas produzindo vacinas de RNA mensageiro, o que permitirá não apenas absorver e desenvolver tecnologias para outras doenças, mas também estar preparado para responder rapidamente a novas pandemias ou ao surgimento de novos vírus”, complementou.
Governo destina R$ 15 bi a setores afetados por crises internacionais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória (MP) nº 1.345/2026 que cria linhas de crédito de R$ 15 bilhões do Plano Brasil Soberano, sob a gestão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O texto foi publicado nesta quarta-feira (25) no Diário Oficial da União. De acordo com o governo, os recursos visam apoiar as empresas brasileiras exportadoras e aquelas relevantes para a balança comercial nacional em meio a instabilidades geopolíticas, como a atual guerra no Oriente Médio. Também continuam incluídas no plano os exportadores que ainda enfrentam medidas tarifárias impostas pelo governo do Estados Unidos. Lançado em agosto de 2025, o Brasil Soberano foi um pacote de financiamento destinado a empresas exportadoras impactadas pelo tarifaço estadunidense que, na época, impôs tarifas de até 50% para produtos brasileiros vendidos àquele país. No dia 20 de fevereiro, uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou a decisão do governo Donald Trump, que reagiu impondo tarifa global de 15%. Ainda assim, a alguns setores continuam alvo de tarifas maiores, como a Seção 232, legislação americana, ainda vigente, que possibilita a imposição de tarifas por razões de segurança nacional. Serão até R$ 15 bilhões em recursos que poderão utilizar: o superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), apurado em 31 de dezembro de 2025, inclusive do principal; o superávit financeiro, apurado em 31 de dezembro de 2025, de fontes supervisionadas por unidades do Ministério da Fazenda; e outras fontes orçamentárias. Terão direito às linhas de crédito as empresas exportadoras de bens industriais e seus fornecedores, como siderúrgico, metalúrgico e automotivo, no segmento de autopeças. Também estão incluídas aquelas que atuam em setores industriais com relevância no comércio exterior brasileiro, como farmacêutico, de máquinas e equipamentos e eletrônicos, além de outros setores importantes, impactados com a falta de fertilizantes devido a conflitos externos. As linhas de crédito vão financiar: capital de giro; aquisição de bens de capital ou investimentos para adaptação da atividade produtiva; investimentos que propiciem a ampliação da capacidade produtiva ou adensamento da cadeia; investimentos em inovação tecnológica ou adaptação de produtos, serviços e processos; e outras hipóteses, conforme estabelecido em ato conjunto dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As condições, encargos financeiros, prazos e demais normas regulamentadoras das linhas de financiamento serão estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Fazenda e MDIC também definirão os critérios de elegibilidade às linhas de financiamento e demais normas complementares necessárias à implementação. Novo sistema O presidente Lula ainda sancionou a Lei nº 15.359/2026 que cria o Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação. O texto, aprovado no início do mês pelo Congresso Nacional, também está publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira. A nova lei visa modernizar o seguro e o financiamento às exportações brasileiras e traz aprimoramentos para a atuação do BNDES. “Uma das alterações mais relevantes incluídas envolve a formalização de normas para financiamento às exportações de serviços pelo BNDES. [A lei] consolida o alinhamento das práticas brasileiras às internacionalmente adotadas e dá segurança jurídica e política ao corpo técnico do banco”, explicou o BNDES, em comunicado. A garantia de maior transparência será adotada com a criação de um portal único para centralizar as informações sobre todas as operações aprovadas. Ainda, uma vez por ano, o BNDES vai apresentar à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal o portfólio de projetos, para ampliar a interlocução e acompanhamento parte dos parlamentares. A nova lei incorpora regra que já constava em normativos internos do banco e que estabelece que países inadimplentes com o Brasil não podem tomar novos empréstimos com o BNDES até a regularização da sua situação. O texto também estabelece mecanismos para incentivar operações que envolvam economia verde e descarbonização. Outra novidade é a possibilidade de cobertura do risco comercial enfrentado pelas micro, pequenas e médias empresas em operações com prazo de até 750 dias na fase de pré-embarque. Até então, o limite era de 180 dias. Por fim, a lei estabelece regras para operacionalizar o Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), instituído em 2012 como um fundo com natureza jurídica de direito privado, criado para dar suporte a exportações brasileiras contra riscos comerciais.
IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes

Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Uma proporção semelhante também revelou que já teve vontade de se machucar de propósito. O IBGE entrevistou 118.099 adolescentes que frequentavam 4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil em 2024, e a amostra é considerada representativa do universo de estudantes do país. O quadro preocupante sobre a saúde mental dessa população inclui ainda 42,9% dos alunos que responderam que se sentem “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa” e 18,5% que pensam sempre, ou na maioria das vezes, que “a vida não vale a pena ser vivida”. Onde buscar ajuda Adolescentes e seus responsáveis ou quaisquer pessoas com pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida devem buscar acolhimento em sua rede de apoio, como familiares, amigos, educadores e também em serviços de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, é muito importante conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda, inclusive para buscar serviços de saúde. Serviços de saúde que podem ser procurados para atendimento: O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (188), e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias. Desamparo Apesar da gravidade dos números, menos da metade dos alunos frequentava uma escola que oferecia algum tipo de suporte psicológico, proporção que sobe para 58,2% na rede privada e cai para 45,8% na pública. A presença de profissional de saúde mental no quadro de funcionários da escola era ainda mais rara, sendo disponível a apenas 34,1% dos estudantes. A pesquisa também traz informações sobre a relação desses adolescentes com suas famílias e comunidades, e 26,1% dos estudantes disseram sentir constantemente que “ninguém se preocupa” com eles. Pouco mais de um terço dos alunos também achava que os pais ou responsáveis não entendiam seus problemas e preocupações e 20% contaram que foram agredidos fisicamente pelo pai, mãe ou responsável, pelo menos uma vez, nos 12 meses anteriores à pesquisa. Saúde mental e gênero Em todos os indicadores, os resultados entre as meninas são mais alarmantes do que entre os meninos. Resposta Meninas Meninos “Sentem-se tristes sempre ou na maiorias das vezes” 41% 16,7% “Já tiveram vontade de se machucar de propósito” 43,4% 20,5% “Se sentem irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa” 58,1% 27,6% “Pensam sempre, ou na maioria das vezes, que a vida não vale a pena ser vivida” 25% 12% “Acham que os pais ou responsáveis não entendem suas preocupações” 39,7% 33,5% “Acreditam que ninguém se preocupa com eles” 33% 19% Autoagressões A partir da amostra, o IBGE calculou que cerca de 100 mil estudantes brasileiros tiveram alguma lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores à pesquisa, o que equivale a 4,7% de todos que sofreram algum acidente ou lesão no período analisado. Entre eles, todos os indicadores são consideravelmente mais altos: As meninas também apresentam maior proporção de lesões autoprovocadas. Entre aquelas que sofreram algum ferimento, 6,8% se machucaram de propósito, contra 3% entre os meninos. “A criação de políticas públicas que contemplem essas diferenças entre os sexos é importante e urgente, para que as mulheres do país possam manter seu bem-estar e sua capacidade inegável de contribuição para a economia, para a sociedade e para o Estado brasileiro”, defendem os pesquisadores. Imagem corporal O nível de satisfação com a própria imagem corporal caiu para todos os estudantes desde a última edição da pesquisa, em 2019, de 66,5% para 58%. A situação é pior entre as alunas. Mais de um terço delas se disse insatisfeita com a própria aparência, contra menos de um quinto dos meninos. Além disso, apesar de 21% das alunas se considerarem gordas ou muito gordas, mais de 31% revelaram que estavam tentando perder peso. Ambas as proporções foram maiores entre o gênero feminino.
Sesau inicia vacinação contra a gripe nesta semana e promove Dia D no sábado

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande dá início, nesta semana, à campanha de vacinação contra a Influenza (gripe). A aplicação das doses começa oficialmente nas unidades de saúde a partir de quinta-feira, 26 de março, após a conclusão da logística de distribuição dos imunizantes. Ao todo, o município recebeu 25,2 mil doses, que estão sendo encaminhadas gradualmente às unidades desde o início da semana. A entrega ocorre de forma escalonada, por distrito, para garantir que todos os pontos estejam abastecidos antes da abertura oficial da campanha. Esse processo é necessário para evitar falta de vacinas e assegurar atendimento à população em todas as regiões da cidade. Por isso, mesmo com a chegada das doses, há um intervalo até o início da vacinação. Plantão especial e Dia D Como parte da mobilização, a Sesau realiza neste sábado, 28 de março, o Dia D de vacinação contra a gripe, com plantão especial em 13 unidades de saúde e também no Shopping Norte Sul. A ação tem como objetivo ampliar o acesso da população à vacina e reforçar a proteção antes do período de maior circulação do vírus. Durante o plantão de sábado e domingo, a vacinação será exclusiva contra a influenza. A orientação é que a população não procure as unidades para atualização da carteira vacinal, já que o foco será exclusivamente a imunização contra a gripe, o que pode gerar maior tempo de espera. A campanha é voltada para os seguintes grupos prioritários: Objetivo da campanha A vacinação contra a influenza tem como principal objetivo reduzir complicações, internações e mortes causadas pelo vírus, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. Além disso, a campanha busca diminuir a sobrecarga nos serviços de saúde e ampliar o acesso da população à imunização. A Sesau reforça que a vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenção e proteção coletiva. A orientação é que o público-alvo procure a unidade de saúde mais próxima ou um dos pontos do plantão no sábado para garantir a dose.
Investimento de R$ 12 mi leva pavimentação e drenagem a bairros da capital

A Prefeitura de Campo Grande autorizou a execução de obras de drenagem e pavimentação no Jardim Centenário e no Complexo Tiradentes (Jardim Jerusalém/Estrela Parque). O investimento ultrapassa R$ 12 milhões. Ao todo, serão R$ 5,8 milhões destinados ao Jardim Centenário e R$ 6,1 milhões ao Complexo Tiradentes, com recursos do Tesouro Municipal e de convênios federais. A licitação será publicada em diário oficial. “Essas obras representam mais dignidade para quem vive nessas regiões. Estamos levando infraestrutura, segurança e qualidade de vida, reduzindo problemas históricos como alagamentos e melhorando o dia a dia das famílias”, afirma a prefeita Adriane Lopes. As intervenções incluem drenagem de águas pluviais, terraplenagem, pavimentação asfáltica, recapeamento, implantação de calçadas com acessibilidade e sinalização viária. O prazo de execução é de 180 dias, sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). A proposta é melhorar a mobilidade, garantir o escoamento adequado da água da chuva e tornar as vias mais seguras para motoristas e pedestres.
Conectividade ecológica é essencial para preservar espécies, afirma representante da ONU em MS

Discurso na COP15 reforça necessidade de cooperação internacional e proteção de habitats integrados A secretária-executiva da Convenção sobre Espécies Migratórias, Amy Fraenkel, destacou a importância da conectividade ecológica como estratégia central para a preservação da biodiversidade global. A declaração foi feita durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada em Campo Grande. Representando a Organização das Nações Unidas, a dirigente enfatizou que a sobrevivência de espécies migratórias depende diretamente da integração entre ecossistemas e da cooperação entre países. “As espécies não reconhecem fronteiras” Durante o discurso, Fraenkel ressaltou que a conectividade entre habitats é fundamental para manter populações viáveis de espécies que percorrem grandes territórios. Segundo ela, a fragmentação ambiental aumenta riscos como: “As espécies migratórias dependem de redes de habitats que cruzam continentes. Sem conectividade, essas populações se tornam isoladas e vulneráveis”, afirmou. Como exemplos, citou a onça-pintada e peixes migratórios, que necessitam de territórios contínuos para sobrevivência. Áreas úmidas e infraestrutura sob alerta A representante da ONU também chamou atenção para o papel estratégico das áreas úmidas, essenciais para alimentação, reprodução e descanso de diversas espécies. Apesar disso, alertou que: “Sem planejamento conjunto, cerca de 25 milhões de quilômetros de novas estradas podem impactar diretamente esses habitats”, destacou. Nova iniciativa global e prioridades Durante a conferência, foi anunciada uma nova iniciativa internacional com participação de entidades como: O objetivo é ampliar ações globais voltadas à conectividade ecológica. Fraenkel também apresentou três prioridades da COP15: Brasil amplia áreas protegidas Durante a agenda do evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou medidas voltadas à conservação ambiental. Entre elas: Segundo Lula, a iniciativa fortalece a biodiversidade, a conectividade ecológica e os modos de vida de comunidades tradicionais. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também destacou que a preservação ambiental está diretamente ligada ao desenvolvimento e à estabilidade social. Evento reúne mais de 130 países A COP15 ocorre entre os dias 23 e 29 de março, reunindo representantes de mais de 130 países para discutir estratégias globais de conservação. O encontro deve definir ações conjuntas para:
Pesquisa com IA identifica terras agrícolas abandonadas no Cerrado

Uma pesquisa desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade de Brasília (UnB) com o uso de inteligência artificial (IA) mapeou terras agrícolas abandonadas no Cerrado que podem passar por processos de restauração ambiental. A partir de imagens de satélite da Agência Espacial Europeia (ESA), a pesquisa utilizou a tecnologia de aprendizado profundo (deep learning) para que a IA fosse capaz de reconhecer padrões que identificam essas áreas. O estudo analisou terras agrícolas do município de Buritizeiro, no norte de Minas Gerais, que faz parte do bioma Cerrado. Pelas imagens de satélite, a IA conseguiu classificar vegetação nativa, pastagens cultivadas, lavouras anuais, plantações de eucalipto e, de forma inédita, áreas agrícolas abandonadas.A precisão da análise alcançou 94,7%. De acordo com a pesquisa, é um indicador “considerado excelente” para classificações de uso da terra com sensoriamento remoto. Pesquisadores da empresa estatal e da universidade federal publicaram artigo com os resultados na revista científica internacional Land, especializada em temas como terras, água e clima. O texto recebeu o título Putting Abandoned Farmlands in the Legend of Land Use and Land Cover Maps of the Brazilian Tropical Savanna (Incluindo Terras Agrícolas Abandonadas na Legenda de Mapas de Uso e Cobertura da Terra da Savana Tropical Brasileira, em tradução livre). Restauração ecológica Uma vez identificadas as áreas agrícolas abandonadas, os analistas da Embrapa e da UnB sustentam que os dados podem servir de subsídio para formuladores de políticas públicas voltadas à área ambiental. “Esses mapas podem auxiliar órgãos governamentais, planejadores ambientais e proprietários rurais a priorizar áreas para reabilitação, incluindo plantações de eucalipto degradadas e pastagens de baixo desempenho”, escrevem no artigo. Pesquisador da Embrapa, o analista Gustavo Bayma, da divisão Meio Ambiente, ressalta ainda que os mapas detalhados de áreas abandonadas demonstram o potencial das tecnologias de IA para apoiar políticas públicas de restauração ambiental. Ele sugere, por exemplo, o uso das informações para estratégias de estimativa do potencial de sequestro de carbono da atmosfera, já que áreas verdes ajudam a reduzir a concentração do dióxido de carbono, uma das causas do aquecimento global. Outra utilidade seria orientar a criação de corredores de restauração ecológica no Cerrado. Abandono de quase 5% As imagens de Buritizeiro foram usadas para comparar dados de 2018 a 2022. A IA constatou que mais de 13 mil hectares ─ área equivalente à cidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro ─ foram abandonados no intervalo. Essa dimensão equivale a 4,7% da área agrícola original da cidade mineira. Das terras abandonadas, 87% correspondiam a antigas plantações de eucalipto destinadas à produção de carvão vegetal. De acordo com o pesquisador Edson Sano, da divisão Cerrado da Embrapa, a região é caracterizada por desafios produtivos, como baixa produtividade em pastagens durante períodos secos e custos crescentes de insumos fertilizantes. “A predominância do abandono em áreas de eucalipto está associada à queda da atratividade econômica da produção de carvão vegetal, em função de fatores como o aumento nos custos logísticos e de produção”, aponta. Limitação Os pesquisadores reconhecem que são necessários mais avanços para resolver uma das limitações da tecnologia, conforme detalha o representante da Embrapa Agricultura Digital Édson Bolfe. “A análise se baseou em apenas duas datas de aquisição de imagens durante um período de quatro anos, o que impede distinguir com precisão entre abandono permanente e práticas temporárias de pousio [descanso da terra por um ano ou menos]”, diz. “Embora o uso de imagens de alta resolução e de visualizações auxiliares tenha ajudado na validação, a confirmação de abandono ainda depende, em parte, da interpretação visual e do conhecimento local”, completa Bolfe. O texto no periódico internacional aponta que “a melhoria da precisão do monitoramento exigirá conjuntos de dados com maior resolução espaço-temporal”. No entanto, a conclusão ressalta que as descobertas destacam a adequação de métodos de aprendizado profundo para “captar transições sutis” de uso da terra em ambientes complexos de savana tropical. “Oferecem uma ferramenta valiosa para o planejamento do uso da terra em nível regional e para a gestão ambiental no Cerrado, fornecendo informações espaciais precisas sobre áreas abandonadas para apoiar processos de tomada de decisão relacionados à restauração agrícola”, assinalam os pesquisadores.
Pantanal ganha mais área protegida e nova reserva é criada durante COP15

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, no último domingo (22), a ampliação de duas áreas de conservação no Pantanal e a criação de uma nova reserva no norte de Minas Gerais. A medida adiciona mais de 148 mil hectares ao sistema federal de áreas protegidas. O anúncio foi feito durante a COP15, realizada em Campo Grande. No Pantanal, foram ampliados o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e a Estação Ecológica Taiamã, que juntos somam mais de 104 mil hectares adicionais. Com isso, a área protegida no bioma passa de 4,7% para 5,4%. Essas regiões são essenciais para a preservação de espécies como onça-pintada, ariranha e cervo-do-pantanal. No Cerrado, foi criada a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais, com cerca de 40,8 mil hectares. A área abrange três municípios e tem como objetivo proteger recursos hídricos e garantir o uso sustentável pelas comunidades locais. Durante o evento, autoridades destacaram a importância da iniciativa. “A medida fortalece a proteção da biodiversidade e apoia comunidades tradicionais”, foi ressaltado. A ação também pode impulsionar o turismo, a economia local e estratégias de prevenção a incêndios.
Lula reforça importância de Vander Loubet no Senado por MS

A passagem do presidente Lula por Campo Grande para a reunião da alta cúpula da COP15 marcou não apenas o protagonismo ambiental do Brasil no cenário internacional, mas também movimentou os bastidores da política sul-mato-grossense. Chamou atenção positivamente o fato de que a base do PT foi a única a acompanhar a recepção no aeroporto, momento em que o presidente conversou com aliados sobre o cenário político de 2026 e os desafios para a consolidação do projeto nacional. Já no evento, após discursar em agenda internacional vinculada à ONU no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, Lula se reuniu com lideranças petistas, entre elas o deputado federal Vander Loubet, o pré-candidato ao governo Fábio Trad e a pré-candidata a vice Dona Gilda. O encontro foi marcado por uma sinalização política clara sobre a importância da representação de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional. Segundo Vander, o presidente destacou a necessidade de fortalecer a base aliada em Brasília. “O presidente está confiante de que vamos seguir governando o Brasil, mas reforçou que não basta vencer a eleição. É fundamental garantir uma base sólida no Senado e na Câmara Federal”, afirmou Vander Loubet. Sem declarações públicas diretas, o teor da conversa indicou a relevância estratégica do nome de Vander para esse cenário, especialmente na disputa pelo Senado. Após a reunião, o parlamentar pantaneiro afirmou que o diálogo com o presidente reforçou ainda mais sua disposição para essa disputa. “Saio dessa conversa ainda mais animado. O presidente Lula deixou claro o quanto é importante termos um senador comprometido com o projeto de reconstrução do Brasil. Isso aumenta nossa responsabilidade e nossa vontade de seguir construindo esse caminho.” O deputado também destacou que Lula confirmou presença ativa no estado durante o processo eleitoral. “O presidente disse que virá ao Mato Grosso do Sul para apoiar o projeto do Fábio Trad ao governo. Isso mostra o compromisso dele com o nosso estado e com a construção de um novo ciclo de desenvolvimento para MS.” A candidatura de Vander Loubet ao Senado vem sendo construída como prioridade dentro do Partido dos Trabalhadores, em sintonia com o Palácio do Planalto. Com experiência em articulação política e atuação destacada em Brasília, Vander é apontado como um nome capaz de ampliar o protagonismo de Mato Grosso do Sul no cenário nacional. “O PT está ajustando os últimos detalhes da chapa para 2026, faltam poucos ajustes. Tenho muita convicção de que o PT estará no segundo turno com o Fábio Trad. Vamos eleger quatro deputados estaduais, dois federais e conquistar uma vaga no Senado”, conclui Vander.
Estado articula para trazer vacina da chikungunya para MS e garante inclusão em estratégia piloto nacional

Mato Grosso do Sul vai receber a vacina contra a chikungunya como parte da estratégia piloto do Ministério da Saúde. A inclusão ocorre após solicitação formal da SES (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul), motivada pelo cenário epidemiológico registrado em Dourados, especialmente em território indígena. Antes mesmo da confirmação do envio das doses, o Estado já havia estruturado uma resposta técnica para pleitear a participação na estratégia nacional, inicialmente restrita a poucos municípios brasileiros. O secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, destacou que a inclusão de Mato Grosso do Sul é resultado desse trabalho antecipado.“Desde o início, acompanhamos o avanço da chikungunya no Estado e, diante do agravamento do cenário em Dourados, estruturamos uma resposta técnica consistente para garantir a inclusão de Mato Grosso do Sul. Essa é uma medida baseada em evidências e na necessidade de ampliar a proteção da população”, afirmou. Estratégia piloto e articulação estadual A vacina contra a chikungunya já foi aprovada pela Anvisa e está em fase 4 de monitoramento, etapa que avalia a efetividade em condições reais de uso. No Brasil, o imunizante está sendo utilizado de forma controlada, dentro de uma estratégia piloto conduzida pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Butantan, já implementada em municípios selecionados de diferentes estados. A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destacou que a inclusão do Estado foi construída de forma integrada entre as áreas técnicas da SES.“Essa é uma construção coletiva, que envolveu as equipes de imunização, vigilância e assistência. Trabalhamos de forma coordenada para apresentar um cenário técnico consistente, que demonstrasse a necessidade e a capacidade do Estado em participar dessa estratégia”, afirmou. Critérios técnicos e prioridade para Dourados A definição dos municípios que recebem a vacina segue critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, como situação epidemiológica, capacidade operacional e estrutura de vigilância. Nesse contexto, Dourados se enquadra como área prioritária, especialmente pelo impacto da doença nas comunidades indígenas. A Coordenadora de Imunização, Ana Paula Goldfinger, explicou que Mato Grosso do Sul não estava entre os territórios inicialmente contemplados.“Foram selecionados municípios em outros estados e, naquele momento, Mato Grosso do Sul não havia sido incluído. Por isso, elaboramos um documento técnico conjunto, envolvendo imunização e arboviroses, para demonstrar que o Estado reúne os critérios necessários para participação na estratégia”, destacou. Segundo ela, o cenário recente foi determinante para reforçar a solicitação.“A emergência no território indígena de Dourados, com ocorrência de óbitos por chikungunya, reforçou o pedido de inclusão com prioridade para a aldeia, considerando o risco e a necessidade de resposta rápida”, completou. Treinamento e início da vacinação O Ministério da Saúde já confirmou o envio de equipes para capacitação dos profissionais de saúde em Mato Grosso do Sul. A estratégia terá início pela população indígena, com treinamento específico nos territórios, voltado aos profissionais que atuam diretamente nessas comunidades. O gerente de Imunização, Frederico Moraes, destacou a importância da preparação das equipes.“O treinamento é fundamental para garantir a aplicação segura da vacina e o correto monitoramento dos casos, conforme os protocolos estabelecidos. A estratégia começa pela população indígena justamente pelo cenário epidemiológico mais sensível”, explicou. Além disso, o Instituto Butantan também realizará treinamento com equipes de sala de vacina no Estado, com agenda prevista para a próxima semana, reforçando a organização da rede para o início da vacinação. Perspectivas e ampliação Por se tratar de uma estratégia piloto, a vacinação contra a chikungunya ainda ocorre de forma restrita e monitorada no país. A expectativa é que, a partir dos resultados obtidos, haja ampliação progressiva da oferta do imunizante no SUS. Danúbia Burema e André Lima, Comunicação SESFotos: Arquivo SES