Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Cassilândia, está utilizando inteligência artificial para enfrentar um dos desafios da agricultura brasileira: a dependência de fertilizantes químicos.
A iniciativa deu origem à startup FosfoGênese IA, que reúne conhecimentos de microbiologia do solo, análise de dados e inteligência artificial para desenvolver soluções capazes de melhorar o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.
O projeto é liderado pelo professor e pesquisador Renato Lustosa Sobrinho e recebeu apoio do Programa Centelha MS, com aproximadamente R$ 140 mil destinados ao desenvolvimento e à validação da tecnologia.
Inteligência artificial aplicada ao campo
A proposta da FosfoGênese IA é utilizar ferramentas tecnológicas para analisar informações sobre o solo, as condições climáticas e a presença de microrganismos que podem contribuir para o desenvolvimento das culturas agrícolas.
Um dos principais focos da pesquisa é o fósforo, nutriente fundamental para o crescimento das plantas e para a produtividade das lavouras.
Embora esteja presente nos solos do Cerrado, parte desse nutriente permanece em formas químicas que dificultam sua absorção pelas plantas. Por isso, os produtores precisam recorrer à aplicação de fertilizantes para atender às necessidades das culturas.
A tecnologia busca identificar condições e microrganismos capazes de favorecer a disponibilização do fósforo já existente no solo, permitindo um aproveitamento mais eficiente dos recursos naturais.
Tecnologia pode gerar economia milionária para produtores
Além dos benefícios ambientais, a inovação apresenta potencial para reduzir os custos da produção agrícola em Mato Grosso do Sul.
Segundo o pesquisador Renato Lustosa Sobrinho, os fertilizantes representam aproximadamente 40% dos custos de produção das lavouras no Estado.
A estimativa apresentada pela equipe é que, caso a tecnologia consiga reduzir entre 15% e 20% a necessidade de adubação fosfatada sem comprometer a produtividade, a economia poderá variar de R$ 500 milhões a R$ 700 milhões por safra em Mato Grosso do Sul.
Os valores representam projeções dos pesquisadores e ainda dependem da validação da tecnologia em condições reais de produção.
Pesquisa também busca proteger o meio ambiente
A utilização mais eficiente dos nutrientes pode contribuir para diminuir o consumo de fertilizantes e reduzir riscos ambientais associados ao manejo inadequado desses produtos.
A proposta também considera a proteção de ecossistemas sensíveis, como o Pantanal, que podem ser afetados pelo transporte de nutrientes agrícolas para os cursos d’água.
Outro diferencial da plataforma é ter sido desenvolvida especificamente para as características dos solos tropicais brasileiros, considerando fatores como acidez, composição mineral e condições climáticas.
Investimento de R$ 140 mil impulsiona desenvolvimento
A FosfoGênese IA foi selecionada pelo Programa Centelha MS e recebeu aproximadamente R$ 140 mil em recursos para avançar na validação e na construção do protótipo final.
A equipe reúne profissionais de diferentes áreas, incluindo os professores Renato Lustosa e Tiago Zoz, da UEMS, o matemático Bruno Rodrigues de Oliveira e o gestor comercial Bruno Aparecido Fronk, além de consultores ligados à Embrapa e à Unesp.
A expectativa é transformar o conhecimento produzido na universidade em uma ferramenta que possa ser utilizada por agrônomos e produtores rurais.
A iniciativa também reforça o papel das instituições públicas de ensino no desenvolvimento de soluções para desafios econômicos e ambientais do agronegócio.
Embora a tecnologia ainda esteja em fase de desenvolvimento, o projeto demonstra o potencial da inteligência artificial para tornar a agricultura mais eficiente, sustentável e menos dependente de insumos importados.Fonte: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), 21 de outubro de 2026.