O futsal de base desempenha um papel importante na formação de crianças e adolescentes, promovendo disciplina, respeito, convivência e trabalho em equipe. Entretanto, episódios de agressões verbais, intimidações, conflitos entre torcedores e cobranças excessivas durante competições têm provocado preocupação entre profissionais e famílias que acompanham o esporte em Campo Grande.
Para discutir essas situações e buscar soluções, será realizada na próxima quarta-feira, 28 de outubro, às 19h, no Auditório da FETEMS, a audiência pública “Deixa Eu Jogar em Paz – Uma Cultura de Paz nas Quadras de Futsal”.
A iniciativa é organizada pelo professor de Educação Física e técnico de futsal Warley Wagner Mateus Ribeiro e pretende reunir representantes de diferentes segmentos da comunidade esportiva, incluindo professores, técnicos, atletas, pais, familiares, árbitros, dirigentes, federações e organizadores de competições.
Também são convidados professores vinculados à Associação Campo-grandense de Professores (ACP), especialmente aqueles que desenvolvem atividades em projetos ligados ao DEAC, à Fundação Municipal de Esportes (FUNESP) e à Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (FUNDESPORTE).
O objetivo é promover um debate coletivo sobre os comportamentos que comprometem o ambiente esportivo e construir medidas que garantam às crianças e aos adolescentes o direito de praticar esporte com segurança e respeito.
Violência e pressão sobre crianças preocupam comunidade esportiva
Entre os assuntos que serão discutidos estão o desrespeito à arbitragem, as ofensas entre torcedores, os conflitos envolvendo equipes e dirigentes e a pressão excessiva exercida por adultos sobre jovens atletas.
A proposta da audiência é ouvir todos os envolvidos, reconhecendo que a responsabilidade pela construção de um ambiente esportivo saudável deve ser compartilhada.
Para o organizador Warley Ribeiro, as competições de base precisam preservar seu caráter educativo, sem permitir que a busca por resultados comprometa o desenvolvimento das crianças.
“Precisamos ouvir todos os lados. Professores, técnicos, árbitros, pais, dirigentes, atletas e organizadores precisam participar dessa discussão. Não queremos transformar a audiência em um espaço para apontar culpados, mas em uma oportunidade de construir soluções. O futsal de base precisa ser um ambiente onde nossas crianças possam jogar, aprender, errar e se desenvolver sem medo de agressões ou constrangimentos”, destaca.

Esporte aproxima famílias e fortalece amizades
Apesar das preocupações com episódios de violência, o futsal de base também proporciona experiências positivas que ultrapassam os limites das quadras e fortalecem os vínculos entre crianças, pais e comunidades escolares.
É o que relata Fábio da Silva, pai de Gabriel Brito da Silva, que há anos participa dos campeonatos de futsal representando a Escola Valentim, em Campo Grande.
Em seu depoimento, Fábio destaca como o envolvimento das famílias acompanha o desenvolvimento esportivo dos filhos e cria relações de amizade que permanecem além das competições.
“Meu filho Gabriel participa há anos dos campeonatos pela Escola Valentim. Nesse tempo, nós, pais, também passamos a fazer parte dessa caminhada. Ajudamos nas viagens, acompanhamos os jogos e acabamos construindo amizades entre as famílias. É muito bonito ver nossos filhos crescendo juntos e aprendendo a disciplina, o respeito e a responsabilidade que o esporte proporciona”, relata Fábio.
A experiência da família demonstra que, quando existe participação positiva dos adultos, o esporte pode fortalecer relações familiares e sociais, além de contribuir para a formação dos jovens atletas.
É justamente esse ambiente de incentivo, amizade e aprendizado que a audiência pública pretende preservar.

Carta de proposições deverá reunir medidas contra a violência
Um dos principais encaminhamentos previstos para a audiência é a elaboração da Carta de Proposições pela Paz no Futsal de Base, documento que reunirá sugestões, compromissos e medidas práticas discutidas durante o encontro.
Entre os temas previstos estão a conscientização de pais e torcedores, a valorização e o respeito à arbitragem, a responsabilidade de professores e técnicos na formação dos atletas, a conduta de dirigentes e organizadores e a adoção de protocolos de segurança nas competições.
Também será discutida a possibilidade de desenvolver ações educativas permanentes, com o objetivo de prevenir conflitos e estimular comportamentos respeitosos dentro e fora das quadras.
A expectativa é que o documento seja encaminhado às instituições esportivas, educacionais e aos órgãos públicos competentes, contribuindo para a implementação de medidas que tornem as competições de base mais seguras.

Antes de formar campeões, é preciso formar cidadãos
Outro ponto central da audiência será a valorização do papel educacional do esporte.
Mais do que desenvolver habilidades técnicas e revelar talentos, o futsal de base contribui para a formação humana, ensinando crianças e adolescentes a lidar com desafios, respeitar diferenças, trabalhar em equipe e compreender que vitórias e derrotas fazem parte do aprendizado.
Para Warley Ribeiro, esses princípios precisam ser preservados, especialmente pelos adultos que acompanham as competições.
“Não podemos aceitar que uma criança saia de uma quadra traumatizada por situações que deveriam ser evitadas pelos adultos. O esporte precisa proporcionar boas lembranças, amizades, aprendizado e oportunidades. Ganhar e perder fazem parte do jogo, mas o respeito deve estar presente em todas as partidas”, ressalta.
O professor também reforça que a participação dos pais e familiares é fundamental para a formação dos atletas. A presença das famílias deve representar apoio, acolhimento e incentivo, sem transformar as competições em ambientes de cobranças excessivas.
Mobilização pretende promover mudanças permanentes
A audiência pública pretende ser o ponto de partida para uma mobilização coletiva em defesa de uma cultura de paz no futsal de base de Campo Grande.
A proposta é ampliar o diálogo entre famílias, profissionais, instituições e organizadores de competições, incentivando atitudes que contribuam para a segurança e o desenvolvimento saudável das crianças.
Para o organizador, a construção de um ambiente respeitoso depende do compromisso de todos os envolvidos.
“A quadra é das crianças. A responsabilidade de garantir um ambiente saudável e seguro é de todos nós. Precisamos deixar um legado que vá muito além dos títulos e troféus”, conclui Warley Ribeiro.
Serviço
Evento: Audiência Pública – Deixa Eu Jogar em Paz
Tema: Uma Cultura de Paz nas Quadras de Futsal
Data: Quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Horário: 19h
Local: Auditório da FETEMS
Endereço: Rua 26 de Agosto, nº 2315, Campo Grande (MS)
Público: Professores, técnicos, atletas, pais, familiares, árbitros, dirigentes, federações, organizadores de competições e comunidade esportiva.
Objetivo: Construção de uma Carta de Proposições pela Paz no Futsal de Base.
Fonte: Organização da audiência pública, professor Warley Wagner Mateus Ribeiro e depoimento de Fábio da Silva.