Para Ana Paula Calderoni, as marcas deixadas pelo câncer de mama ganharam um novo significado. Aos 31 anos, a moradora de Campo Grande olha para a cicatriz não apenas como lembrança dos momentos difíceis que enfrentou, mas como parte de uma história de sobrevivência e recomeço.
Nesta semana, Ana viveu mais um momento simbólico dessa caminhada: a retirada do Port-a-Cath, dispositivo implantado para facilitar a administração de medicamentos durante determinados tratamentos.
O procedimento representou muito mais do que a retirada de um dispositivo médico. Para ela, foi o encerramento de mais uma etapa de uma trajetória iniciada há mais de dois anos.
Um diagnóstico que mudou a rotina da família
Segundo relato de Ana ao Midiamax, o diagnóstico chegou em 4 de julho de 2024, justamente no aniversário do marido, Marcelo, com quem é casada há dez anos.
A partir daquele momento, exames, consultas, tratamentos e decisões difíceis passaram a fazer parte da rotina da família.
Ana enfrentou um câncer de mama descrito por ela como agressivo. Durante o processo, perdeu os cabelos e precisou passar pela retirada da mama esquerda.
As mudanças provocadas pelo tratamento não ficaram restritas à saúde. Elas também mexeram com a autoestima e com a forma como Ana enxergava o próprio corpo.
Com o passar do tempo, porém, a cicatriz começou a assumir outro significado. Em vez de representar somente aquilo que a doença havia levado, tornou-se também uma lembrança de tudo o que ela conseguiu enfrentar.
O dia de tocar o sino
Outro momento importante aconteceu em 8 de abril de 2025. Depois de concluir 15 sessões de radioterapia, Ana tocou o sino que simbolizava o encerramento daquela fase do tratamento.
Aos poucos, os cabelos voltaram a crescer e a rotina começou a ser reconstruída.
Agora, a retirada do Port-a-Cath representa mais um passo nessa caminhada e marca o fechamento de um ciclo que transformou não apenas seu corpo, mas também sua maneira de enxergar a vida.
Família e fé fizeram parte da caminhada
Mãe de dois meninos, atualmente com 6 e 10 anos, Ana encontrou na família e na fé apoio para atravessar os períodos mais difíceis.
Depois de tudo o que viveu, ela não tenta esconder as marcas deixadas pelo câncer. Ao contrário: passou a enxergá-las como parte de sua própria história.
O tratamento deixou cicatrizes, mas também trouxe uma nova percepção sobre a vida, a família e os momentos que antes poderiam parecer simples.
Uma cicatriz que ganhou outro significado
Histórias como a de Ana também chamam atenção para algo que vai além do tratamento médico. Enfrentar um câncer pode envolver mudanças profundas na autoestima, na relação com o corpo e na rotina de toda a família.
No caso dela, a cicatriz que um dia esteve diretamente associada à doença passou a carregar outro significado.
Depois de mais de dois anos entre diagnóstico, tratamento e recuperação, Ana vive agora um período de gratidão e recomeço.
A marca continua no corpo, mas já não conta apenas a história do câncer.
Para Ana, ela também conta a história de quem sobreviveu e seguiu em frente.
Fonte: Midiamax/MidiaMAIS. História e informações originalmente publicadas em reportagem da jornalista Karina Campos, em 23 de setembro de 2026.