Um sonho guardado por mais de seis décadas finalmente começou a se tornar realidade para duas irmãs de Mato Grosso do Sul. Maria Alves, de 68 anos, e Elaide Oliveira, de 70, estão vivendo pela primeira vez a experiência de frequentar uma sala de aula e aprender a ler e escrever.
Moradoras de Anastácio, elas participam do Programa Despertando, do Senar/MS, iniciativa voltada à alfabetização e ampliação dos conhecimentos de trabalhadores do meio rural.
A história das duas é marcada por uma infância de muito trabalho e poucas oportunidades de estudar.
Trabalho no campo afastou as irmãs da escola
Quando eram crianças, Maria e Elaide viviam no sítio e começavam o dia cedo ajudando nas atividades da propriedade rural.
Além do trabalho, havia outro obstáculo: a distância até a escola. O trajeto era tão longo que chegar à sala de aula e retornar para casa poderia representar praticamente um dia inteiro de caminhada.
Sem condições de conciliar a rotina do campo com os estudos, as duas acabaram crescendo sem aprender a ler e escrever.
Durante anos, o pouco contato que tiveram com as letras aconteceu dentro da própria família. Com a ajuda de um tio, aprenderam a escrever os próprios nomes, praticando à noite em um caderno.
Dificuldades continuaram na vida adulta
A falta de alfabetização acompanhou as irmãs durante boa parte da vida.
Depois que se mudaram para Anastácio, situações simples do cotidiano passaram a evidenciar ainda mais a importância da leitura. Entender um aviso, ler uma informação em um posto de atendimento ou realizar determinadas tarefas sem precisar pedir ajuda eram desafios frequentes.
Mesmo com o passar dos anos, porém, o desejo de aprender nunca desapareceu.
Foi por meio do Programa Despertando que Maria e Elaide encontraram uma nova oportunidade.
Aos 68 e 70 anos, uma nova rotina
Agora, mochila e caderno fazem parte do dia a dia das duas irmãs.
Nas aulas, elas estão aprendendo gradualmente a reconhecer letras, formar palavras, ler e escrever. Além do aprendizado, a sala de aula também se tornou um espaço de convivência com outras pessoas que tiveram histórias semelhantes e não conseguiram concluir os estudos.
Para as irmãs, cada nova palavra compreendida representa uma conquista e também mais independência para realizar atividades simples do cotidiano.
A decisão de voltar a estudar também ganhou apoio da família. O filho de Maria, por exemplo, acompanha de perto a nova rotina da mãe e da tia e comemora o avanço das duas nos estudos.
O sonho de conseguir ler sozinha
Para Maria, aprender a ler significa conquistar uma independência que esperou durante grande parte da vida.
Ela conta que deseja conseguir compreender as palavras que encontra pelo caminho durante atividades simples, como uma caminhada pela cidade.
Mesmo ainda no início do processo de alfabetização, as irmãs já percebem os primeiros resultados e seguem determinadas a continuar aprendendo.
Aos 68 e 70 anos, Maria e Elaide transformaram a volta à sala de aula em uma demonstração de que a idade não precisa ser um limite para buscar conhecimento.
Como funciona o Programa Despertando?
O Programa Despertando, desenvolvido pelo Senar/MS, possui 243 horas presenciais por etapa, distribuídas em aproximadamente 81 dias úteis.
As aulas acontecem três vezes por semana e as turmas possuem, no máximo, dez participantes.
O programa é dividido em duas etapas.
Na fase inicial, os alunos têm contato com leitura, escrita da língua portuguesa e noções básicas de matemática.
Já na etapa intermediária, são trabalhados conteúdos de interpretação, produção de textos e cálculos mais avançados.
As atividades também incluem assuntos relacionados à saúde física e mental, cultura de Mato Grosso do Sul e temas ligados ao meio rural.
Interessados em conhecer o programa podem procurar o Sindicato Rural de seu município para obter mais informações.
Fonte: Senar/MS – Sistema Famasul.