Um estudante teve a bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni) cancelada após a instituição de ensino identificar movimentações financeiras na conta bancária da mãe relacionadas a plataformas de apostas on-line. Segundo a faculdade, os valores registrados nos extratos foram considerados incompatíveis com os critérios de renda exigidos pelo programa.
De acordo com a instituição, os documentos apresentados mostravam entradas frequentes de recursos vinculados a jogos virtuais. Com base na legislação vigente, a universidade entendeu que prêmios obtidos em apostas podem ser considerados renda e, por isso, influenciam na análise socioeconômica dos candidatos ao Prouni.
A família, no entanto, contesta a decisão. Segundo o estudante, as movimentações bancárias não representam aumento da renda familiar, mas apenas transações decorrentes da utilização das plataformas de apostas. A defesa argumenta que parte dos valores corresponde ao próprio dinheiro depositado para jogar, e não a ganhos efetivos.
O caso reacendeu o debate sobre os critérios utilizados pelas instituições de ensino para validar a documentação dos candidatos. Embora o Ministério da Educação estabeleça os limites de renda para participação no programa, cabe às universidades verificar as informações apresentadas e decidir pela aprovação ou não da bolsa quando houver indícios de incompatibilidade.
Especialistas destacam que movimentações bancárias elevadas nem sempre significam maior capacidade financeira e defendem que cada caso seja analisado de forma individual, considerando a origem dos recursos e a realidade econômica da família.
O estudante informou que pretende recorrer da decisão e buscar a revisão da análise, alegando que continua atendendo aos requisitos de renda previstos pelo Prouni e que as movimentações relacionadas às apostas não podem ser interpretadas como renda mensal da família.