Mato Grosso do Sul encerra julho com um dado alarmante. O Estado registrou cinco feminicídios ao longo do mês, tornando o período o mais violento para as mulheres em 2026. Com o caso ocorrido nesta sexta-feira (31), em Corumbá, o número de vítimas chegou a 18 neste ano.
Os cinco crimes registrados em julho representam quase um terço de todos os feminicídios contabilizados em 2026. Até então, março era o mês com maior número de ocorrências, com quatro casos. O aumento acende um alerta para a escalada da violência de gênero e reforça a necessidade de ampliar as ações de prevenção e proteção às mulheres.
As vítimas tinham idades entre 26 e 54 anos e foram mortas em diferentes municípios do Estado. As investigações apontam que, na maior parte dos casos, os autores eram companheiros ou ex-companheiros, o que evidencia um padrão recorrente de violência doméstica. Em muitos episódios, os crimes aconteceram após o agressor não aceitar o fim do relacionamento ou durante discussões familiares.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), os 18 feminicídios registrados até o fim de julho colocam 2026 em ritmo semelhante ao observado em anos anteriores, mantendo Mato Grosso do Sul entre os estados que historicamente apresentam índices elevados desse tipo de crime.
Além das mortes consumadas, as autoridades também acompanham dezenas de tentativas de feminicídio registradas ao longo do ano. Especialistas destacam que, em muitos casos, havia histórico de agressões, ameaças ou medidas protetivas antes do desfecho fatal, reforçando a importância da denúncia e da atuação rápida da rede de proteção.
O feminicídio é caracterizado quando o assassinato de uma mulher ocorre em razão da condição de gênero, geralmente em contextos de violência doméstica, familiar ou motivado por menosprezo ou discriminação contra a vítima. No Brasil, esse crime é previsto na Lei nº 13.104/2015 e passou a receber penas mais severas.
Autoridades reforçam que mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por meio da Polícia Militar, da Polícia Civil, das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), além do telefone 180, canal nacional de atendimento e orientação.
Com julho encerrando como o mês mais letal do ano, o cenário reforça a necessidade de políticas públicas, ações de conscientização e fortalecimento da rede de proteção para evitar que novos casos sejam registrados nos próximos meses.