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MS registra o maior número proporcional de casos de maus-tratos contra crianças no Brasil

Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional de maus-tratos contra crianças e adolescentes, com taxa de 206,5 casos para cada 100 mil habitantes de até 17 anos, quase três vezes superior à média brasileira.

Mato Grosso do Sul passou a ocupar a primeira colocação no país em número proporcional de casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes. Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública e revelam um cenário que reforça a necessidade de ampliar as políticas públicas voltadas à proteção da infância.

O levantamento aponta que, somente no último ano analisado, foram registrados 1.593 casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes no estado. O índice corresponde a uma taxa de 206,5 ocorrências para cada 100 mil pessoas de até 17 anos, quase três vezes acima da média nacional, que ficou em 77,4 casos por 100 mil habitantes na mesma faixa etária.

Os números colocam Mato Grosso do Sul à frente de todos os demais estados brasileiros e evidenciam um desafio crescente para os órgãos responsáveis pela prevenção, investigação e atendimento às vítimas. Especialistas ressaltam que o aumento dos registros pode estar relacionado tanto ao fortalecimento dos mecanismos de denúncia quanto à persistência da violência dentro do ambiente familiar.

Entre as ocorrências registradas, crianças entre 5 e 9 anos aparecem como o grupo com maior número de vítimas. O levantamento também mostra que os casos atingem todas as faixas etárias da infância e da adolescência, reforçando a importância de ações integradas entre saúde, educação, assistência social e segurança pública.

O cenário reacende a discussão sobre a criação do Centro Especializado de Atendimento à Criança e ao Adolescente em Campo Grande. A unidade foi anunciada em 2023, após a morte da menina Sophia Ocampo, com a proposta de reunir em um único espaço os serviços de acolhimento, investigação e atendimento especializado às vítimas de violência. Três anos depois, porém, o projeto ainda não foi implantado.

Entidades de defesa dos direitos da criança afirmam que estruturas especializadas contribuem para reduzir a revitimização durante o processo de atendimento, além de agilizar o acompanhamento psicológico, social e jurídico das vítimas e de suas famílias.

Autoridades reforçam que qualquer suspeita de violência contra crianças ou adolescentes pode ser denunciada pelo Disque 100, Conselhos Tutelares, Polícia Civil ou Polícia Militar. A denúncia pode ser feita de forma anônima e é considerada uma das principais ferramentas para interromper ciclos de violência e garantir a proteção das vítimas.

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